{"id":3873,"date":"2016-12-23T06:09:27","date_gmt":"2016-12-23T08:09:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3873"},"modified":"2016-12-23T13:16:12","modified_gmt":"2016-12-23T15:16:12","slug":"temer-consegue-alivio-mas-conta-com-ajuda-do-bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/temer-consegue-alivio-mas-conta-com-ajuda-do-bc\/","title":{"rendered":"Temer &#8220;sai das cordas&#8221;, mas conta com ajuda do BC"},"content":{"rendered":"<p>O governo acredita que \u201csaiu das cordas\u201d e que ter\u00e1, se nenhum integrante do alto escal\u00e3o se desviar do roteiro tra\u00e7ado at\u00e9 agora, um fim de ano mais tranquilo. Ao transferir o foco do notici\u00e1rio da pol\u00edtica para a economia, ganhou f\u00f4lego suficiente para dar uma arrumada na casa e montar as estrat\u00e9gias para levar adiante o ponto mais importante entre todas as medidas que foram anunciadas ao longo deste m\u00eas: a reforma da Previd\u00eancia. Com a\u00e7\u00f5es populistas, como a libera\u00e7\u00e3o dos saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), o Planalto quer reduzir as resist\u00eancias \u00e0s mudan\u00e7as na aposentadoria. Pretende, tamb\u00e9m, recuperar a musculatura para lidar com as novas den\u00fancias da Lava-Jato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sentimento no entorno do presidente Michel Temer ontem \u00e0 noite era de que o presente de Natal chegou mais cedo. N\u00e3o havia um auxiliar que n\u00e3o exibisse al\u00edvio depois da maratona que foram os \u00faltimos dias para estruturar o pacote que inclui uma minirreforma trabalhista. Houve quem perguntasse se o governo realmente ter\u00e1 for\u00e7as para encaminhar, conjuntamente, dois temas t\u00e3o impopulares no Congresso, com cr\u00edticas pesad\u00edssimas das centrais sindicais. A resposta era sempre a mesma: o momento \u00e9 de comemorar o fato de o governo, que estava de joelhos, voltar a ficar de p\u00e9. \u201cO que vir\u00e1 depois, n\u00e3o importa agora. At\u00e9 duas semanas atr\u00e1s, j\u00e1 nos davam prazo de validade\u201d, diz um assessor presidencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo sabe que muitas das medidas anunciadas v\u00e3o demorar tempo para surtir efeito. Mas n\u00e3o havia como esperar. Um dos principais elaboradores do pacote explica bem a urg\u00eancia: \u201cA crise pol\u00edtica estava se agigantando, e o seu desenrolar poderia ser muito ruim. Para reverter isso, pegamos tudo o que t\u00ednhamos na gaveta, mesmo sabendo que algumas coisas s\u00e3o mais espuma do que realidade. Mas deu certo\u201d. Essa estrat\u00e9gia \u00e9 velha. Foi usada em todos os governos. \u201cA nossa vantagem \u00e9 que, sob press\u00e3o, boa parte do que precisa ser feito avan\u00e7a. Basta ver o que aprovamos no Congresso\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A consci\u00eancia dentro do governo \u00e9 de que a sa\u00edda da crise est\u00e1 na economia. Se nada der certo, o prazo de validade realmente ser\u00e1 muito curto. \u201cUsando uma express\u00e3o comum no Banco Central, entramos num interregno benigno. Ou seja, temos que aproveitar enquanto a mar\u00e9 est\u00e1 a nosso favor\u201d, ressalta um integrante da equipe do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. No entender dele, at\u00e9 a Lava-Jato est\u00e1 cooperando, pois os respons\u00e1veis pelo vazamento de informa\u00e7\u00f5es entenderam que, neste momento de festividades, a repercuss\u00e3o de den\u00fancias ser\u00e1 menor do que a desejada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ataques ao BC<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1, contudo, um problema latente \u00e0 espera do governo, que ter\u00e1 de ser enfrentado logo ap\u00f3s as comemora\u00e7\u00f5es do ano-novo: a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) definida pelo Banco Central. Est\u00e1 se construindo um consenso de que o BC errou feio na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Ex-dirigentes da institui\u00e7\u00e3o, como Affonso Celso Pastore, Gustavo Loyola e Luiz Fernando Figueiredo, t\u00eam disparado cr\u00edticas \u00e0 postura conservadora defendida pelo atual presidente do banco, Ilan Goldfajn. Eles acreditam que a Selic j\u00e1 deveria estar caindo a um ritmo de 0,5 ponto percentual, e n\u00e3o de 0,25.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A gritaria contra o BC aumentou ontem depois da divulga\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio Trimestral de Infla\u00e7\u00e3o. Entre economistas do governo e do mercado, foi quase un\u00e2nime o entendimento de que o documento estava velho, mostrando uma autoridade monet\u00e1ria sem discurso para justificar juros t\u00e3o elevados, de 13,75% ao ano \u2014 de longe, os maiores do mundo. O BC n\u00e3o levou em considera\u00e7\u00e3o a forte desacelera\u00e7\u00e3o do IPCA-15, a pr\u00e9via da infla\u00e7\u00e3o, que cravou alta de apenas 0,19% em dezembro, a menor taxa para o m\u00eas em quase 20 anos. Poderia ter feito uma avalia\u00e7\u00e3o \u00e0 parte do relat\u00f3rio, que j\u00e1 estava impresso quando o resultado foi divulgado. Pelo menos, mostraria sintonia com a realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os economistas chamam ainda a aten\u00e7\u00e3o para a fragilidade das justificativas do BC para ser t\u00e3o cauteloso: a infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e o andamento das reformas. O indicador de pre\u00e7os desabou nos \u00faltimos tr\u00eas meses e o governo conseguiu aprovar, em tempo recorde, a Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que limita, por at\u00e9 20 anos, o aumento dos gastos p\u00fablicos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. Al\u00e9m disso, encaminhou ao Congresso o esperado projeto de reforma da Previd\u00eancia. \u201cNem parece aquele BC que, em maio \u00faltimo, quando assumiu, foi aplaudido. De repente, perdeu o rumo\u201d, diz um executivo de um banco estrangeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Torcida<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC, por sinal, j\u00e1 sentiu o baque. Ao ser procurado por um colega economista, um dos diretores do banco perguntou logo: \u201cVoc\u00ea tamb\u00e9m vai nos crucificar\u201d. Outro dirigente do BC, em conversa com analistas privados, partiu para o ataque quando teve seus argumentos fragilizados pela realidade. Em um evento recente em S\u00e3o Paulo, depois de cr\u00edticas ferozes de Affonso Celso Pastore ao conservadorismo da pol\u00edtica monet\u00e1ria, mesmo com a economia colapsando, Ilan Goldfajn s\u00f3 faltou pedir desculpas. Disse que o objetivo do BC era ancorar as expectativas de infla\u00e7\u00e3o \u00e0 meta de 4,5% e que a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o era insens\u00edvel ao resultado do Produto Interno Bruto (PIB), h\u00e1 dois anos em retra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Planalto, a ordem \u00e9 n\u00e3o estimular os ataques ao BC, os quais Temer considera muito perigosos. Por enquanto, dizem assessores do presidente, Ilan Goldfajn continua desfrutando do mesmo prest\u00edgio que tinha quando chegou ao comando da autoridade monet\u00e1ria. Temer, no entanto, torce, desesperadamente, para que, na reuni\u00e3o de janeiro pr\u00f3ximo, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) pise no acelerador e corte, com mais for\u00e7a, a taxa Selic. Para ele, se a op\u00e7\u00e3o do colegiado for pela queda de 0,75 ponto, ser\u00e1 bom. Caso os juros caiam um ponto, ser\u00e1 muito melhor. \u00c9 esperar para ver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h09min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo acredita que \u201csaiu das cordas\u201d e que ter\u00e1, se nenhum integrante do alto escal\u00e3o se desviar do roteiro tra\u00e7ado at\u00e9 agora, um fim de ano mais tranquilo. 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