{"id":3870,"date":"2016-12-22T06:07:37","date_gmt":"2016-12-22T08:07:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3870"},"modified":"2016-12-22T10:20:10","modified_gmt":"2016-12-22T12:20:10","slug":"banco-central-pode-atrapalhar-planos-do-governo-de-retomada-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/banco-central-pode-atrapalhar-planos-do-governo-de-retomada-da-economia\/","title":{"rendered":"O custo BC"},"content":{"rendered":"<p>O presidente Michel Temer anuncia hoje um pacote com o intuito de proteger e estimular a cria\u00e7\u00e3o de empregos, mas de nada adiantar\u00e3o as medidas se o pa\u00eds n\u00e3o resolver um problema estrutural: as altas taxas de juros. O que se v\u00ea hoje \u00e9 um descompasso enorme entre as a\u00e7\u00f5es que v\u00eam sendo tomadas pelo Planalto e o Minist\u00e9rio da Fazenda para reanimar a atividade e o movimento seguido pelo Banco Central. Sob o comando de Ilan Goldfajn, a autoridade monet\u00e1ria est\u00e1 impondo um custo enorme \u00e0 economia, pois assiste, impass\u00edvel, ao derretimento da produ\u00e7\u00e3o e do consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por excesso de cautela \u2014 muitos do governo falam em covardia \u2014, o BC vem segurando, al\u00e9m da conta, a taxa Selic, que est\u00e1 em 13,75% ano. Quando descontada a infla\u00e7\u00e3o, os juros reais passam de 8%. N\u00e3o h\u00e1 economia que consiga sair de uma recess\u00e3o profunda como a brasileira com um custo t\u00e3o elevado do dinheiro. Por mais que os empreendedores queiram se arriscar, o pre\u00e7o da oportunidade inviabiliza qualquer aventura. Pior: os juros elevad\u00edssimos tornam as d\u00edvidas de empresas e das fam\u00edlias quase impag\u00e1veis. N\u00e3o ser\u00e1 surpresa se, nos pr\u00f3ximos meses, uma onda de quebradeira varrer o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O discurso do BC de Ilan \u00e9 que o momento exige cautela e a miss\u00e3o do banco \u00e9 levar a infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta, de 4,5%. Diante da gravidade da recess\u00e3o, os pre\u00e7os est\u00e3o desabando. O risco \u00e9 o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar abaixo do objetivo fixado pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) em 2017. O BC pode errar feio, transferindo uma fatura pesada demais \u00e0 sociedade. A institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 deveria ter acelerado o passo no corte da Selic no fim de novembro, quando ficou claro que, em vez de se recuperar, a economia havia afundado ainda mais. Preferiu, no entanto, reduzir a taxa b\u00e1sica em apenas 0,25 ponto percentual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Arrog\u00e2ncia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do governo, j\u00e1 se diz que Ilan est\u00e1 presidindo o Banco Central da Su\u00e9cia, e n\u00e3o o do Brasil. Os mais cr\u00edticos veem o comportamento do presidente da autoridade monet\u00e1ria como arrogante, por ignorar os sinais de socorro emitidos pela economia. Muito dizem que ele est\u00e1 mais preocupado com sua imagem. N\u00e3o quer, de forma alguma, ser comparado a seu antecessor, Alexandre Tombini, que foi usado pela ex-presidente Dilma Rousseff para viabilizar a pol\u00edtica suicida de baixar juros por meio de canetadas. O resultado, como se sabe, foi a volta da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ilan, por\u00e9m, pode carregar sobre os ombros a culpa de ter levado o Brasil a registrar, em 2017, o terceiro ano seguido de recess\u00e3o, algo in\u00e9dito na hist\u00f3ria do pa\u00eds. Ser\u00e1 acusado, tamb\u00e9m, de empurrar um n\u00famero ainda maior de brasileiros para o desemprego. Certamente, ele est\u00e1 ciente dos riscos que corre. O problema \u00e9 que os excessos dele ser\u00e3o pagos por todos. Manter o pa\u00eds no atoleiro tornar\u00e1 o governo do qual ele participa mais fraco, empurrar\u00e1 mais empresas para a fal\u00eancia e impedir\u00e1 que fam\u00edlias possam satisfazer necessidades b\u00e1sicas de consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de nenhum exagero. A cada indicador divulgado, o aprofundamento da recess\u00e3o fica mais claro. Isso vale, inclusive, para a infla\u00e7\u00e3o. O IPCA-15, pr\u00e9via do \u00edndice oficial, cravou alta de apenas 0,19% em dezembro. Foi a menor taxa para o m\u00eas desde 1998. Um custo de vida nesse n\u00edvel \u00e9 \u00f3timo, mas n\u00e3o a um pre\u00e7o t\u00e3o alto. \u201cEstamos vendo um BC desconectado da realidade. Reconhe\u00e7o a compet\u00eancia t\u00e9cnica dos atuais diretores, mas eles n\u00e3o podem ficar mais preocupados com os curr\u00edculos do que com o pa\u00eds\u201d, ressalta um ministro muito ligado a Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Defesa<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que est\u00e1 provocando mais indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 que todos \u2014 inclusive o presidente da Rep\u00fablica e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles \u2014 esperavam que Ilan anunciasse, na \u00faltima ter\u00e7a-feira, um pacote de medidas para destravar o cr\u00e9dito e aliviar a vida de empresas e fam\u00edlias endividadas. O BC, contudo, se limitou a lan\u00e7ar um pacote de inten\u00e7\u00f5es, sem nada de concreto. Como n\u00e3o tinha muito a dizer, Ilan recomendou aos jornalistas que estavam na entrevista coletiva que fossem conhecer Jackson Hole, uma cidade dos Estados Unidos na qual presidentes de bancos centrais costumam se reunir. \u201c\u00c9 um lugar lindo\u201d, disse o chefe da autoridade monet\u00e1ria entre risos e indigna\u00e7\u00e3o dos presentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os defensores de Ilan afirmam que h\u00e1 muita m\u00e1 vontade dentro do governo em rela\u00e7\u00e3o ao BC. Alegam que a pol\u00edtica monet\u00e1ria est\u00e1 sendo conduzida de forma respons\u00e1vel, justamente para corrigir os enormes erros que foram cometidos pelos governos voluntaristas que antecederam o de Temer. \u201cSe a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 desabando, isso se deve ao excelente trabalho executado pelo BC. Com infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o se brinca. Foi o seu descontrole de destruiu a confian\u00e7a e minou a economia. Tenhamos, portanto, ju\u00edzo ao falarmos do Banco Central\u201d, ressalta um integrante da equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A aposta \u00e9 que, a partir de agora, com garantias seguras de que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 convergindo para o centro da meta, o BC promova cortes mais fortes na taxa Selic. H\u00e1 quem acredite, dentro do governo e nos mercados, em queda de 0,75 ou de um ponto percentual nos juros na reuni\u00e3o de janeiro do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). Apesar de, efetivamente, a redu\u00e7\u00e3o da Selic demorar at\u00e9 nove meses para ter impacto na economia real, haver\u00e1 o efeito psicol\u00f3gico. Os empres\u00e1rios tender\u00e3o a retirar projetos de investimentos das gavetas e as fam\u00edlias, a se sentir mais confort\u00e1veis para comprar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTodos est\u00e3o muito ansiosos para que o pa\u00eds saia da recess\u00e3o. Isso vale para o Planalto, para a Fazenda e para o pr\u00f3prio BC. Mas n\u00e3o d\u00e1 para queimar etapas\u201d, diz um graduado t\u00e9cnico da autoridade monet\u00e1ria. O importante, destaca ele, \u00e9 olhar para todos os avan\u00e7os dos \u00faltimos meses. O governo conseguiu aprovar no Congresso a revis\u00e3o da meta fiscal de 2016, o Or\u00e7amento de 2017, a Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que limita o aumento dos gastos p\u00fablicos por at\u00e9 20 anos, as mudan\u00e7as nas regras do pr\u00e9-sal, a Desvincula\u00e7\u00e3o de Receitas da Uni\u00e3o (DRU), a Lei de Telecomunica\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 muita coisa. Temos que ter em mente que a queda mais forte dos juros ser\u00e1 uma consequ\u00eancia natural desse movimento\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h07min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente Michel Temer anuncia hoje um pacote com o intuito de proteger e estimular a cria\u00e7\u00e3o de empregos, mas de nada adiantar\u00e3o as medidas se o pa\u00eds n\u00e3o resolver um problema estrutural: as altas taxas de juros. 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