{"id":3841,"date":"2016-12-18T18:52:14","date_gmt":"2016-12-18T20:52:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3841"},"modified":"2016-12-21T11:59:59","modified_gmt":"2016-12-21T13:59:59","slug":"brasileiro-vai-se-acostumar-com-reforma-da-previdencia-como-se-acostumou-com-cinto-de-seguranca-e-lei-do-cigarro-diz-caetano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/brasileiro-vai-se-acostumar-com-reforma-da-previdencia-como-se-acostumou-com-cinto-de-seguranca-e-lei-do-cigarro-diz-caetano\/","title":{"rendered":"&#8220;Brasileiro vai se acostumar com reforma da Previd\u00eancia como se acostumou com cinto de seguran\u00e7a e lei do cigarro&#8221;, diz Caetano"},"content":{"rendered":"<p>POR ANA DUBEUX,\u00a0ANTONIO TEM\u00d3TEO E\u00a0ALESSANDRA AZEVEDO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Marcelo Caetano, 46 anos, diz n\u00e3o buscar popularidade. Ainda bem, porque a chance de frustra\u00e7\u00e3o seria grande. Secret\u00e1rio de Previd\u00eancia do Minist\u00e9rio da Fazenda, \u00e9 o principal respons\u00e1vel por defender a reforma que tornar\u00e1 a aposentadoria do brasileiro mais distante e mais minguada. Ele mesmo n\u00e3o escapar\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>O secret\u00e1rio explica, em entrevista ao Correio, que a reforma n\u00e3o prejudicar\u00e1 os mais pobres. E que \u00e9 a \u00fanica alternativa para controlar as despesas p\u00fablicas. S\u00f3 assim se evitar\u00e1 que os gastos previdenci\u00e1rios tomem todo recurso livre do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, exclu\u00edda a folha salarial. Isso impediria investimento e custeio da m\u00e1quina.<\/em><\/p>\n<p><em>Caetano tem duas d\u00e9cadas de experi\u00eancia com o tema. Atuou nos governos Fernando Henrique, Lula e Dilma. Ele torce para que a proposta seja aprovada no Congresso Nacional at\u00e9 o meio do ano que vem, sem muitas modifica\u00e7\u00f5es. O objetivo das mudan\u00e7as \u00e9 \u201cestabilizar um pouco o n\u00edvel da despesa\u201d, entre 8% e 9% do Produto Interno Bruto (PIB).<\/em><\/p>\n<p><em>O secret\u00e1rio acredita que a resist\u00eancia da sociedade \u00e0 reforma ser\u00e1 superada. Compara ao que houve, no passado, com a restri\u00e7\u00e3o ao cigarro em lugares p\u00fablicos e com a obrigatoriedade do uso do cinco de seguran\u00e7a nos carros. As duas mudan\u00e7as foram muito criticadas, mas acabaram aceitas. E hoje s\u00e3o vistas com naturalidade.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O senhor est\u00e1 no olho de um furac\u00e3o de um tema pol\u00eamico e delicado. Como se sente? Est\u00e1 preparado para isso?<\/strong><br \/>\nEu me sinto bem. Eu acho que \u00e9 um desafio interessante. S\u00e3o oportunidades raras na vida de algu\u00e9m, que aparecem. Quando fui convidado, claro que sabia que era para chefiar uma equipe que ia reformar a Previd\u00eancia e a gente j\u00e1 havia passado, nesses anos, por v\u00e1rias reformas, que foram importantes, deram passo na dire\u00e7\u00e3o correta, mas n\u00e3o foram suficientes. Vi a oportunidade de ter uma boa equipe t\u00e9cnica trabalhando comigo, que teria capacidade de fazer uma reforma duradoura, n\u00e3o uma que, quando chegasse em 2019, fosse necess\u00e1rio fazer outra. Foi um trabalho interessante, que juntou o t\u00e9cnico com o pol\u00edtico. Deu para ver que foi uma proposta pol\u00edtica, mas tecnicamente embasada. No Congresso, que \u00e9 o palco do di\u00e1logo social, o debate vai ficar mais intenso. Mas que seja feito de uma forma bem racional e que a gente consiga conservar o esp\u00edrito da reforma proposta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A reforma tem sido criticada em alguma medida por, segundo alguns especialistas e pessoas, penalizar os mais pobres. Isso de fato ocorre ou n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nQuando vai se propor qualquer reforma, vai ter muita cr\u00edtica, para tudo quanto \u00e9 lado. Pega um exemplo. Quando eu era mais jovem, n\u00e3o precisava usar cinto de seguran\u00e7a no banco da frente. E eu me lembro que foi uma discuss\u00e3o enorme, que, de repente, botar o cinto poderia at\u00e9 prejudicar a pessoa, ela ficar presa, enfim. Se para uma coisa mais simples como essa, ou mesmo fumar em avi\u00e3o, que era permitido, j\u00e1 houve discuss\u00e3o enorme, imagine quando vai fazer uma proposta da Previd\u00eancia. Veja a discuss\u00e3o toda que est\u00e1 ocorrendo se vai cobrar para despachar a bagagem ou n\u00e3o. Se isso j\u00e1 gera tanta manchete, como vou achar que fazer uma reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o vai gerar um debate? Claro que vai. Estamos propondo uma reforma que procura o m\u00e1ximo poss\u00edvel harmonizar as regras, unificar as regras, n\u00e3o s\u00f3 de servidores, entre homens e mulheres e alguns grupos. O esp\u00edrito geral da reforma \u00e9 esse. E o que acontece \u00e9 que justamente essas pessoas mais pobres se aposentam hoje aos 65 anos de idade. \u00c9 uma idade que j\u00e1 existe, para aposentadorias. Tudo bem que n\u00e3o vale para mulheres, mas, para os homens, j\u00e1 \u00e9 de 65 anos. Outro fator \u00e9 que a gente manteve o piso da aposentadoria no sal\u00e1rio-m\u00ednimo. Ent\u00e3o, n\u00e3o me parece razo\u00e1vel esse tipo de considera\u00e7\u00e3o de que se est\u00e1 penalizando os mais pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas ele vai ter que contribuir por mais tempo&#8230;<\/strong><br \/>\nMas, veja, a gente est\u00e1 unificando. Tem dois benef\u00edcios programados. Tem aposentadoria por idade e tem aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o. E a gente est\u00e1 juntando tudo em um benef\u00edcio s\u00f3, que seria uma nova aposentadoria por idade. Se for ver, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o 35 anos para homem e 30 para mulher, mas sem o limite de idade, isso est\u00e1 deixando de existir e entra para o limite de 25 anos de tempo de contribui\u00e7\u00e3o. Se for imaginar, 65 anos de idade, a pessoa come\u00e7a a trabalhar ali na faixa dos 20 e alguma coisa, a gente est\u00e1 imaginando que \u00e9 metade do tempo de vida laboral da pessoa com uma regra permanente que ela precisaria contribuir para ter direito ao benef\u00edcio. N\u00e3o me parece uma coisa absurda propor 25 anos de tempo de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Isso penaliza quem come\u00e7ou a trabalhar mais cedo&#8230;<\/strong><br \/>\nA f\u00f3rmula de c\u00e1lculo do benef\u00edcio faz esse ajuste. O que acontece? A gente est\u00e1 propondo a f\u00f3rmula de c\u00e1lculo que \u00e9 aquele 51% mais um ponto percentual. Se aquela pessoa contribuiu por per\u00edodo maior, vai ter benef\u00edcio maior. Se ficou entrando e saindo do mercado de trabalho, coloca mais ou menos metade do tempo, contribuindo dos 18 aos 65, ela vai ter um benef\u00edcio ajust\u00e1vel a isso. De todo jeito, esses ajustes, de ficar maior ou menor, a gente est\u00e1 tendo o piso de sal\u00e1rio-m\u00ednimo. Ent\u00e3o, as pessoas que est\u00e3o com n\u00edvel salarial mais baixo ficam no sal\u00e1rio-m\u00ednimo, n\u00e3o t\u00eam redutor do sal\u00e1rio-m\u00ednimo. Estou falando no referente \u00e0s aposentadorias, n\u00e3o \u00e0s pens\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Isso n\u00e3o foi discutido? Desvincular a aposentadoria tamb\u00e9m, como foi feito com a pens\u00e3o por morte?<\/strong><br \/>\nBem, o que acontece \u00e9 que a aposentadoria tem um car\u00e1ter de reposi\u00e7\u00e3o de renda. Ent\u00e3o, a gente interpreta isso como algo que deve permanecer. A pens\u00e3o, n\u00e3o. Ela serve mais como seguro, mas a aposentadoria tem car\u00e1ter de reposi\u00e7\u00e3o de renda. Ent\u00e3o, a gente achou razo\u00e1vel manter o sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00ea anunciou a proposta, falou em uma economia de R$ 678 bilh\u00f5es apenas no INSS&#8230;<\/strong><br \/>\nNo fundo, temos que tomar cuidado. Isso \u00e9 o total que vai se acumular em 10 anos de reforma. Com 2017, naturalmente, a gente n\u00e3o est\u00e1 contando. Quer dizer, est\u00e1 contando que se aprove ao longo do ano, se for aprovada entre o fim do primeiro semestre e o in\u00edcio do segundo, ser\u00e1 uma boa \u00e9poca para isso ocorrer. Mas, enfim, n\u00e3o estamos contando com economias da reforma j\u00e1 a partir de 2017. Em 2018, sim, com valor mais baixo. E esse valor vai crescendo ao longo do tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas fizeram proje\u00e7\u00f5es para fluxo de caixa disso?<\/strong><br \/>\nSim. Isso, no fundo, \u00e9 um resultado de fluxo, n\u00e3o resultado da soma. A soma \u00e9 resultado dos fluxos, tem proje\u00e7\u00e3o de fluxos. No in\u00edcio, a reforma tem impacto que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte. Ent\u00e3o, no primeiro ano, 2018, ser\u00e3o R$ 5 bilh\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o de gastos. E o valor vai aumentando ao longo do tempo. A mudan\u00e7a da f\u00f3rmula de c\u00e1lculo do benef\u00edcio vai ter efeito mais l\u00e1 para a frente. No in\u00edcio, n\u00e3o. Porque, se voc\u00ea for comparar a forma de c\u00e1lculo de benef\u00edcio que existe hoje com o que n\u00f3s estamos propondo, o que acontece \u00e9 que hoje as pessoas est\u00e3o se aposentando pelo fator previdenci\u00e1rio ou pela 85\/95, que vai subindo para 90\/100. Ent\u00e3o, se voc\u00ea for ver, algu\u00e9m que ia se aposentar com 35 anos de contribui\u00e7\u00e3o vai ter, na nossa proposta, uma reposi\u00e7\u00e3o de 86%, enquanto, se pegar pelo fator previdenci\u00e1rio, essa pessoa teria reposi\u00e7\u00e3o na faixa de 70%. Ent\u00e3o, estar\u00e1 se aposentando com benef\u00edcio at\u00e9 maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E os servidores? Tem se falado que as regras s\u00e3o mais duras para o trabalhador da iniciativa privada do que para o servidor p\u00fablico&#8230;<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei de onde tiraram isso. \u00c9 o seguinte: a gente tem um regime totalmente diferenciado. Tem diferen\u00e7as entre servidor e n\u00e3o servidor, tem diferen\u00e7a de homem e mulher, entre outras. Ent\u00e3o, estou usando pontos de partida completamente distintos. N\u00e3o posso jogar todo mundo na mesma regra de transi\u00e7\u00e3o. Por exemplo, se eu pegar a regra atual do jeito que est\u00e1, sem mudan\u00e7as, eu tenho ainda direito a paridade, integralidade, porque ingressei no servi\u00e7o p\u00fablico antes de 1998. Pelas regras atuais, mantenho isso. Mas perco quando fa\u00e7o as novas regras, porque tenho menos de 50 anos. Entro na regra permanente. As pessoas n\u00e3o veem isso. N\u00e3o tem jeito. Como voc\u00ea tem v\u00e1rios pontos de partida distintos, n\u00e3o vai conseguir fazer uma regra de transi\u00e7\u00e3o que seja igual para todo mundo, porque, se fizer isso, voc\u00ea, para tr\u00e1s, est\u00e1 tratando de modo diferenciado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o mesmo quem ingressou antes de 1998 e tem menos de 50 anos, no caso de homens, e 45, mulheres, vai perder?<\/strong><br \/>\nSim, entra na regra nova. As regras de transi\u00e7\u00e3o existem s\u00f3 para quem est\u00e1 com 50 ou mais, 45 ou mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A reforma da Previd\u00eancia teve a sua admissibilidade aprovada na CCJ (Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a) da C\u00e2mara dos Deputados. \u00c9 quase uma tr\u00e9gua agora. Mas daqui a pouco a discuss\u00e3o volta com tudo?<\/strong><br \/>\nMais ou menos. Claro que l\u00e1 para a frente, vai ampliar. Mas voc\u00ea v\u00ea a quantidade de coisas que eu estou participando, j\u00e1 indica o caminho que est\u00e1 tomando. \u00c9 muito dif\u00edcil imaginar que as pessoas v\u00e3o ter conhecimento detalhado da Previd\u00eancia. Eu mesmo, tem muita coisa que eu ainda aprendo. E mesmo n\u00f3s, que trabalhamos h\u00e1 muito tempo na \u00e1rea, \u00e0s vezes h\u00e1 algumas coisas sobre as quais a gente se questiona. O que acontece \u00e9 o seguinte: vai ter uma no\u00e7\u00e3o geral, sobre quais v\u00e3o ser as novas regras e quais s\u00e3o as transi\u00e7\u00f5es. Com o tempo, as pessoas v\u00e3o entendendo e se acostumando, e a coisa vai se acalmar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Existe deficit na Previd\u00eancia?<\/strong><br \/>\nTem um deficit da Previd\u00eancia Social e tem um deficit da seguridade social. Esse n\u00famero que a gente est\u00e1 divulgando, que no ano passado bateu na faixa de R$ 86 bilh\u00f5es, este ano deve ficar na faixa de R$ 150 bilh\u00f5es e ano que vem, na faixa de R$ 180 bilh\u00f5es; esses n\u00fameros se referem especificamente ao deficit do RGPS (Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia Social). O que a gente est\u00e1 considerando nesse deficit? O que as pessoas recolhem ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Al\u00e9m dessa contribui\u00e7\u00e3o, tem a contrapartida do seu patr\u00e3o. Pegando o deficit do INSS, estou considerando isso, o que arrecadou e o que gastou. E outro conceito que existe \u00e9 do or\u00e7amento da seguridade social. A\u00ed entra tamb\u00e9m sa\u00fade e assist\u00eancia social, por exemplo, o BPC (Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada) da Loas (Lei Org\u00e2nica de Assist\u00eancia Social). Todo o gasto com sa\u00fade, Bolsa Fam\u00edlia, abono salarial est\u00e1 no or\u00e7amento da seguridade, n\u00e3o da Previd\u00eancia. Claro que, quando considera o or\u00e7amento da seguridade social, quando pega o lado da receita, n\u00e3o pega somente a receita do INSS. O Minist\u00e9rio do Planejamento disse que tem deficit de R$ 243 bilh\u00f5es acumulado at\u00e9 outubro. Esse \u00e9 o n\u00famero oficial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com essa reforma, o deficit vai acabar?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o acaba. O que a gente consegue fazer, por meio dessa reforma, \u00e9 conseguir estabilizar um pouco o n\u00edvel da despesa. Estabilizaria na faixa de 8%, alguma coisa gravitando entre 8 e 9% do PIB. Se a despesa se estabilizar, o deficit tamb\u00e9m se estabilizaria na faixa de 1,5% a 2% do PIB, por a\u00ed, imagino como uma tend\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e0s pens\u00f5es. H\u00e1 um desconhecimento da popula\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 garantia de renda e o que \u00e9 seguro. \u00c9 preciso que o brasileiro comece a entender isso?<\/strong><br \/>\nSe voc\u00ea for imaginar que todo mundo que for receber aposentadoria tem que ser especialista em Previd\u00eancia, desiste. O ponto \u00e9 o seguinte: isso \u00e9 um argumento mais t\u00e9cnico, do ponto de vista jur\u00eddico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 candidato a ser vil\u00e3o. Est\u00e1 preparado para isso?<\/strong><br \/>\nIsso n\u00e3o \u00e9 o problema, o problema \u00e9 quando come\u00e7a a inventar hist\u00f3ria. Quem vem com objetivo de fazer uma reforma n\u00e3o vem com objetivo de ser pop. Eu n\u00e3o vou me candidatar a nada, n\u00e3o tenho nenhuma ambi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Eu n\u00e3o estou querendo que as pessoas gostem de mim, quero que as pessoas acreditem em mim. \u00c9 isso. O importante \u00e9 n\u00e3o fugir da raia, encarar e dar uma resposta t\u00e9cnica. No fundo, isso deve ser a perspectiva de qualquer um que venha tentar enfrentar uma reforma da Previd\u00eancia. N\u00e3o busco popularidade, mas a credibilidade. As pessoas podem n\u00e3o gostar de voc\u00ea, mas t\u00eam que acreditar em voc\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Essas cr\u00edticas todas v\u00eam de onde? \u00c9 oposi\u00e7\u00e3o ao governo ou o brasileiro est\u00e1 irritado com a cena pol\u00edtica?<\/strong><br \/>\nEm qualquer lugar do mundo quando aparece reforma da Previd\u00eancia tem resist\u00eancias pol\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o a isso. Para ter uma ideia, existem casos bem peculiares. Essa rea\u00e7\u00e3o \u00e9 normal. Por isso que quem est\u00e1 tocando a reforma n\u00e3o deve ter a busca da popularidade como meta, mas credibilidade. \u00c9 um exerc\u00edcio. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o apareci aqui do nada, tenho uma hist\u00f3ria. J\u00e1 estava bem antes trabalhando com esse assunto, a gente trabalha h\u00e1 mais tempo, forma as convic\u00e7\u00f5es, tenta convencer as pessoas. \u00c0s vezes consegue, \u00e0s vezes, n\u00e3o. Mas faz parte. N\u00e3o formei a convic\u00e7\u00e3o agora, tenho 20 anos trabalhando nesse assunto. Agora, se convencerei ou n\u00e3o as pessoas, n\u00e3o sei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso muita paci\u00eancia n\u00e9? Acompanha charges e memes? Como se sente? \u00c9 do jogo?<\/strong><br \/>\nAs pessoas t\u00eam que ter a liberdade de se manifestar. Bem ou mal, a perspectiva que eu vejo \u00e9 que as pessoas passaram a prestar mais aten\u00e7\u00e3o nesse assunto. Alguns conhecidos meus falam &#8220;poxa, mas voc\u00eas conseguiram colocar essa discuss\u00e3o na rua&#8221;. Eles veem as pessoas discutindo. N\u00e3o vejo a possibilidade de n\u00e3o ter reforma, porque h\u00e1 um gasto que vai crescer muito. Pode at\u00e9 ser que a reforma n\u00e3o seja agora. Tor\u00e7o para que ela seja aprovada. Mas, se a gente n\u00e3o fizer nada agora, quando chegarmos em 2019, vai ter uma outra pessoa aqui que voc\u00eas estar\u00e3o entrevistando e, provavelmente, ela vai falar coisas muito parecidas. N\u00e3o tem muito o que fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O pa\u00eds pecou por n\u00e3o ter feito essas discuss\u00f5es antes? A gente n\u00e3o tinha maturidade pra isso?<\/strong><br \/>\nA gente prorrogou a discuss\u00e3o. Foram feitas reformas importantes antes pelos tr\u00eas governos anteriores. O governo FHC fez, Lula fez, Dilma fez. Dilma teve uma tentativa de altera\u00e7\u00e3o da pens\u00e3o por morte. N\u00e3o conseguiu, mas foi uma boa tentativa, mas teve o Funpresp. Na onda do Funpresp, outros estados tamb\u00e9m fizeram. Criou-se uma cultura importante. No governo Lula, teve harmoniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o completa do servi\u00e7o p\u00fablico com o INSS. No FHC, tamb\u00e9m foram feitas reformas importantes. Todos deram passos na dire\u00e7\u00e3o correta, mas foram insuficientes. E agora \u00e9 preciso fazer outras reformas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se tivesse sido feita essa mesma proposta em um governo muito popular, como o do primeiro mandato de Lula, teria tido a mesma rea\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTeria, sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9 chance de n\u00e3o passar?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o estou trabalhando com essa hip\u00f3tese. Agora, quando chegar o ano que vem e a volta do recesso, o debate vai ficar maior (no Congresso Nacional). O que tem que ficar claro \u00e9 o seguinte: se come\u00e7ar a mudar muito (a proposta), perde consist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A idade m\u00ednima de 65 anos \u00e9 cl\u00e1usula p\u00e9trea? H\u00e1 outro ponto fundamental na reforma?<\/strong><br \/>\nTem que ter uma consist\u00eancia interna. Coisas que vieram a ser alteradas, qual o objetivo? Se s\u00f3 come\u00e7ar a reforma tirando fulano e ciclano, vamos perder um dos objetivos, que \u00e9 a equidade. E, para ela ter uma consist\u00eancia, temos que dar uma sustentabilidade pelo menos de algumas d\u00e9cadas. Se mudar muito aqui ou ali, podemos a voltar a ter discuss\u00f5es. H\u00e1 princ\u00edpios que n\u00e3o d\u00e1 para perder. Idade m\u00ednima \u00e9 a mudan\u00e7a mais relevante que a gente est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em dado momento a press\u00e3o vai ser grande. Voc\u00ea espera que o governo resista a isso?<\/strong><br \/>\nVamos ter que esperar o tempo dizer o que vai acontecer. \u00c9 muito din\u00e2mico. Independe de mim, independe de tanta coisa. Cada dia tem uma novidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A gente estava fazendo umas contas, de sete em cada 10 pessoas ser\u00e3o afetadas pela proposta. \u00c9 isso mesmo?<\/strong><br \/>\nTodo mundo vai ser afetado. Bem ou mal vai entrar na regra permanente ou na de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre a quest\u00e3o dos policiais militares. Qual a justificativa oficial para ficarem de fora?<\/strong><br \/>\nFoi uma decis\u00e3o de n\u00edvel superior e me comunicaram a respeito disso. Policial que ficou de fora foi militar e bombeiro, os do artigo 42. Os policiais n\u00e3o militares federal e rodovi\u00e1rio entraram. N\u00e3o tem chance de serem exclu\u00eddos. O que vai acontecer daqui pra frente tem que ser na Comiss\u00e3o Especial da PEC e eles tem que tentar ver l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tem previs\u00e3o de quando ser\u00e1 feita a reforma espec\u00edfica das For\u00e7as Armadas?<\/strong><br \/>\nIsso vai ficar por conta do Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A crise pol\u00edtica pode influenciar muito a reforma e atrasar o processo?<\/strong><br \/>\nO Congresso tem a soberania para definir a velocidade, o que se altera e o que n\u00e3o se altera. Em qualquer \u00e9poca que a gente estiver vivendo vai ter alguma coisa acontecendo internamente ou externamente, muito boa ou ruim. E a\u00ed essas coisas podem servir de justificativa para n\u00e3o fazer a reforma e pensar assim que nunca vai ter. Mesmo em um momento que est\u00e1 bom, algu\u00e9m fala que n\u00e3o precisa. A\u00ed, quando est\u00e1 ruim, fala que n\u00e3o d\u00e1 para fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E qual o risco que se corre de n\u00e3o fazer a reforma agora?<\/strong><br \/>\nRepresenta que vai ter que fazer uma reforma bem mais radical no futuro. Se n\u00e3o fizermos a reforma agora, uma mais dura ser\u00e1 sugerida mais para a frente. N\u00e3o tem mais como fugir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mesmo com essa reforma, por quanto tempo n\u00e3o ser\u00e1 preciso fazer outra?<\/strong><br \/>\nAcredito que algumas d\u00e9cadas. Mais de duas d\u00e9cadas n\u00e3o vai ser preciso, com a proposta do jeito que est\u00e1. Mas temos que ver o que vai acontecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 18h52min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ANA DUBEUX,\u00a0ANTONIO TEM\u00d3TEO E\u00a0ALESSANDRA AZEVEDO &nbsp; Marcelo Caetano, 46 anos, diz n\u00e3o buscar popularidade. Ainda bem, porque a chance de frustra\u00e7\u00e3o seria grande. Secret\u00e1rio de Previd\u00eancia do Minist\u00e9rio da Fazenda, \u00e9 o principal respons\u00e1vel por defender a reforma que tornar\u00e1 a aposentadoria do brasileiro mais distante e mais minguada. Ele mesmo n\u00e3o escapar\u00e1. 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