{"id":3825,"date":"2016-12-18T10:41:49","date_gmt":"2016-12-18T12:41:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3825"},"modified":"2016-12-20T16:22:04","modified_gmt":"2016-12-20T18:22:04","slug":"nao-ha-medidas-salvadoras-diz-maria-silvia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/nao-ha-medidas-salvadoras-diz-maria-silvia\/","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o h\u00e1 medidas salvadoras&#8221;, diz Maria S\u00edlvia"},"content":{"rendered":"<p>\u00bb POR PAULO SILVA PINTO E LEONARDO CAVALCANTI, enviados especiais ao Rio de Janeiro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A economista Maria Silvia Bastos Marques, 59 anos, repete uma esp\u00e9cie de mantra ao tentar escapar de perguntas sobre a gest\u00e3o petista no Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). \u201cN\u00e3o estava aqui. Nesse caso, n\u00e3o gosto de pensar sobre o passado. \u00c9 preciso pensar para frente.\u201d Mas isso n\u00e3o significa que consiga evitar as cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica do PT ao falar da crise que o pa\u00eds enfrenta hoje.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO tamanho do rombo \u00e9 muito grande. Infelizmente n\u00e3o vamos sair disso rapidamente ou com medidas milagrosas. O pa\u00eds quebrou de novo\u201d, disse ela, em entrevista exclusiva ao Correio, na tarde da \u00faltima sexta-feira, no 21\u00ba andar da sede do BNDES, no Rio de Janeiro. \u201cNa d\u00e9cada de 1980, o Brasil era visto como um pa\u00eds sem credibilidade. Hoje o pa\u00eds est\u00e1 muito impactado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 credibilidade, sim. Isso n\u00e3o se recupera com discursos\u201d.<\/em> <em>Indicada pelo presidente Michel Temer em maio para presidir o BNDES, Maria Silvia afirma que n\u00e3o d\u00e1 para distanciar a economia da pol\u00edtica. \u201cAt\u00e9 porque vivemos fatos bastante graves, como o afastamento de uma presidente. Mas acho que o Brasil \u00e9 muito forte, passar por tudo isso que estamos passando, \u00f3bvio que com protestos, tens\u00f5es, mas, por mais que as quest\u00f5es estejam entrela\u00e7adas, a dificuldade econ\u00f4mica \u00e9 real\u201d, afirmou.<\/em><\/p>\n<p><em>Maria Silvia tem um curr\u00edculo ao mesmo tempo denso e ecl\u00e9tico, que inclui posi\u00e7\u00f5es de destaque na academia, no setor p\u00fablico e no setor privado. Formada em administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), institui\u00e7\u00e3o em que fez mestrado e doutorado, Maria Silvia foi tamb\u00e9m professora da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Integrou a equipe de renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa brasileira, sob o comando do embaixador Jorio Dauster, em 1990 e 1991. De 1993 a 1996, foi secret\u00e1ria de Fazenda do munic\u00edpio do Rio, sob o comando de Cesar Maia. Entre 2001 e 2002, presidiu a Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN). Em 2007, tornou-se presidente da seguradora Icatu Hartford. Foi, ainda, presidente da Empresa Ol\u00edmpica Municipal do Rio, da qual pediu demiss\u00e3o em abril deste ano.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual ser\u00e1 o impacto para o pa\u00eds das medidas de est\u00edmulo anunciadas pelo BNDES e por outras \u00e1reas do governo?<\/strong><\/p>\n<p>Anunciamos ter\u00e7a-feira as medidas e, na quinta, foi apresentado o conjunto. S\u00e3o medidas que v\u00e3o todas na mesma dire\u00e7\u00e3o. Desde que estamos aqui no banco, h\u00e1 seis meses, temos buscado algumas diretrizes. A mais ampla delas \u00e9 ampliar acesso, como conseguir capilarizar mais o BNDES. Embora o banco seja um grande emprestador para micro, pequena e m\u00e9dia empresas, e \u2014 para minha surpresa devo dizer \u2014 o microcr\u00e9dito. \u00c9 algo que n\u00e3o sabia que o banco fazia, e alcan\u00e7ou a marca de R$ 1 bilh\u00e3o. N\u00e3o era s\u00f3 eu que n\u00e3o sabia: quem recebe o cr\u00e9dito tamb\u00e9m n\u00e3o sabe, porque ele n\u00e3o vai com a marca do BNDES, vai com a marca do repassador. Vivi muito essa situa\u00e7\u00e3o quando estava na ind\u00fastria de seguros. Fui presidente da Icatu Seguros durante cinco anos. E a Icatu, durante muito tempo, distribuiu por meio de parceiros, que colocavam a sua marca. A Icatu, assim como o BNDES, precisa dessa rede de distribui\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o tem a rede pr\u00f3pria. Estamos trabalhando em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, mas a quest\u00e3o da micro, pequena e m\u00e9dia empresas tem total prioridade. S\u00e3o as que mais est\u00e3o sofrendo com a conjuntura atual, s\u00e3o as que t\u00eam a maior dificuldade de ter garantia para os empr\u00e9stimos, al\u00e9m das dificuldades de acesso. Uma das nossas frentes \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o dos canais de distribui\u00e7\u00e3o. Temos trabalhado muito com a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Bancos, para desobstruir os canais existentes, e ter mais proximidade, e isso est\u00e1 funcionando muito bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vai ajudar o pa\u00eds a superar a crise?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil se acostumou com coisas milagrosas, toda vez que vejo pessoas comentando medidas anunciadas pelo governo, est\u00e1 todo mundo esperando que venha um conjunto de medidas salvadoras. Que v\u00e1 resolver tudo, e isso n\u00e3o existe. Ent\u00e3o, v\u00e3o continuar esperando. O que existe \u00e9 uma sucess\u00e3o de iniciativas para destravar o crescimento, melhorar o ambiente de neg\u00f3cios. Enfim, procuramos tamb\u00e9m canais alternativos de distribui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o necessariamente rede banc\u00e1ria. Para, citar novamente o exemplo da Icatu, que distribu\u00eda os produtos de seguro por meio de redes de varejo, fintechs e diversas outras formas, que hoje j\u00e1 s\u00e3o at\u00e9 mais f\u00e1ceis, porque h\u00e1 plataformas digitais e uma s\u00e9rie de formas de voc\u00ea distribuir produtos. Estamos atacando isso. No pr\u00f3ximo ano, acredito que vamos concretizar algumas dessas parcerias, que v\u00e3o dar mais capilaridade ao nosso produto. Os bancos de desenvolvimento e ag\u00eancia de fomento est\u00e3o nos ajudando a formatar melhor o nosso portf\u00f3lio do produto, porque est\u00e3o na ponta. Como n\u00e3o estamos, n\u00e3o conhecemos esse cliente. Pode ser que o nosso portf\u00f3lio de produto n\u00e3o atenda ele. Paralelamente a isso, a gente est\u00e1 numa agenda, in\u00edcio do ano, vamos anunciar essa agenda, estamos finalizando internamente. Revisando todas as nossas condi\u00e7\u00f5es de financiamentos e dos nossos programas. Estamos dando uma reolhada geral. O objetivo final \u00e9 simplicidade, horizontalidade no sentido de incentivos iguais para todos os setores, tendo muito mais uma vis\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando a senhora fala que est\u00e1 criando n\u00e3o necessariamente setores, \u00e9 uma cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao que vem das \u00faltimas gest\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Vou ser franca: nem sequer tenho tempo de ficar pensando em cr\u00edticas ou sugest\u00f5es. Estamos tentando resolver uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que aconteceram por conjunturas diversas, por exemplo, as concess\u00f5es. E o nosso objetivo \u00e9 de olhar pra frente, porque o Brasil do jeito que est\u00e1, a gente realmente&#8230; Passado serve para aprender e fazer coisas diferentes no futuro, agora as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em contextos diferentes. O mundo evoluiu, isso que \u00e9 o mais importante. A coisa dos setores hoje n\u00e3o faz muito sentido. \u00c9 dif\u00edcil voc\u00ea definir hoje o que \u00e9 com\u00e9rcio, ind\u00fastria e servi\u00e7o. Fiz uma reuni\u00e3o com o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). Boa parte do que fazem \u00e9 on-line, n\u00e3o tem loja f\u00edsica. Na ind\u00fastria, hoje, o que agrega mais valor \u00e9 o servi\u00e7o. Isso \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o. Da mesma forma que o telefone celular passou a ter todo tipo de converg\u00eancia, da m\u00e1quina fotogr\u00e1fica ao scanner, passando pelo que voc\u00ea quiser. Cad\u00ea o gravador de voc\u00eas? \u00c9 um telefone. E isso est\u00e1 acontecendo no mundo. E o BNDES, assim como voc\u00ea e as outras pessoas, estava acostumado a ter essas caixinhas separadas. Elas n\u00e3o est\u00e3o mais separadas. As fronteiras s\u00e3o cada vez mais difusas e isso reflete a nossa forma de apoio. Temos que pensar cada vez mais como vamos apoiar atividades, por exemplo, que n\u00e3o t\u00eam garantias reais para nos darem. O banco sempre trabalhou com garantias reais, isso quer dizer que vamos abrir m\u00e3o das garantias? N\u00e3o, tem que pensar de uma forma diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nessa nova vis\u00e3o de voc\u00eas, n\u00e3o cabe aquela hist\u00f3ria de campe\u00f5es nacionais?<\/strong><\/p>\n<p>Gostar\u00edamos de ter muitos campe\u00f5es nacionais, por\u00e9m eles v\u00e3o resultar de pol\u00edticas horizontais de incentivo. Um bom exemplo \u00e9 a agricultura. A Embrapa \u00e9 um fator de inova\u00e7\u00e3o horizontal que passa por toda a agricultura. Um grande desafio no Brasil n\u00e3o \u00e9 nem inovar, \u00e9 difundir a inova\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea pega experi\u00eancias de sucesso e consegue espalh\u00e1-las pela economia, esse \u00e9 um foco nosso tamb\u00e9m. N\u00e3o s\u00f3 o incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, mas a difus\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o porque s\u00f3 isso vai impactar a produtividade. Se quiser resumir tudo isso, \u00e9 aumento de produtividade, aumento de competitividade. Portanto, exporta\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante para a gente induzir as ind\u00fastrias, empresas, setores a irem para o mercado exterior. Com\u00e9rcio, plataformas digitais, servi\u00e7os, software, games, ind\u00fastrias que tenham o componente de servi\u00e7o cada vez maior. Quando pensamos em ind\u00fastria no passado, ela era a maior empregadora. Hoje, a ind\u00fastria \u00e9 o setor que menos emprega. Com\u00e9rcio e servi\u00e7o empregam muito mais. A ind\u00fastria deixou de ser importante? N\u00e3o. Ela mudou, se transformou, tem uma carga de inova\u00e7\u00e3o pesada, cada vez se junta mais ao servi\u00e7o. O que diferencia o produto da ind\u00fastria \u00e9 a qualidade de servi\u00e7o que ele agrega ao produto. Ent\u00e3o a cabe\u00e7a tem que ser diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conta muito o que ficou em rela\u00e7\u00e3o ao s\u00edmbolo do BNDES, do governo anterior?<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 um fato, realmente n\u00e3o dedico meu tempo a isso, nem posso. N\u00e3o fiz parte dessa discuss\u00e3o; nessa \u00e9poca estava cuidando das Olimp\u00edadas, um mundo bem diferente. Mas, se voc\u00ea disser assim, como economista, e n\u00e3o \u00e9 de hoje, o que sempre acreditei foi em incentivos horizontais. Acredito que todos os pa\u00edses fazem uma prote\u00e7\u00e3o em alguma medida \u00e0 ind\u00fastria, ou a algum setor do setor que eleja. Mas essas prote\u00e7\u00f5es s\u00e3o tempor\u00e1rias, t\u00eam data para terminar. \u00c9 s\u00f3 isso que assegura a competitividade. Ent\u00e3o, \u00e9 importante o incentivo, mas \u00e9 importante tamb\u00e9m o horizonte em que aqueles que s\u00e3o os verdadeiros campe\u00f5es possam seguir sozinhos. Ao propor o refinanciamento e o alongamento de d\u00edvidas, voc\u00eas est\u00e3o trocando os juros altamente subsidiado do PSI (Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o do Investimento) pela TJLP. Obviamente, isso embute uma avalia\u00e7\u00e3o de que aquele tipo de taxa \u00e9 inaceit\u00e1vel hoje. \u00c9 isso? Com certeza. As nossas decis\u00f5es que foram anunciadas s\u00e3o bem pragm\u00e1ticas, simples e que v\u00e3o fazer diferen\u00e7a na vida das empresas, que era o que est\u00e1vamos estudando e o que era pretendido. E, se perceberem, n\u00e3o anunciamos um conjunto de medidas, anunciamos um plano de trabalho, ali elencamos uma s\u00e9rie de iniciativas que v\u00e3o at\u00e9 dezembro de 2018, que \u00e9 o que estamos trabalhando, entre elas, ter uma nova plataforma para o cart\u00e3o BNDES, abrir o cart\u00e3o para a pessoa f\u00edsica, que hoje n\u00e3o existe, s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 feito isso imediatamente porque infelizmente a tecnologia do cart\u00e3o BNDES foi feita em 2003 e continuou, n\u00e3o houve atualiza\u00e7\u00e3o. Infelizmente \u00e9 uma plataforma antiga, pouco flex\u00edvel e, novamente, o mundo mudou. Isso \u00e9 uma cr\u00edtica ao que foi feito? N\u00e3o, mas a realidade \u00e9 essa, hoje as coisas s\u00e3o web, digitais e aplicativos. Ent\u00e3o, o que anunciamos \u00e9 tudo o que j\u00e1 come\u00e7amos a fazer, mas que s\u00f3 matura no in\u00edcio do semestre do ano que vem, ou no segundo semestre do ano que vem e at\u00e9 dezembro de 2018. O que fizemos a curto prazo foi um conjunto de medidas que era poss\u00edvel implementar, que foi aumentar o limite do cart\u00e3o BNDES, aumentar o limite de faturamento das m\u00e9dias empresas que estavam dentro da nossa defini\u00e7\u00e3o de m\u00e9dia empresa, que passou de R$ 90 milh\u00f5es para R$ 300 milh\u00f5es, uma mudan\u00e7a substantiva. E esse refinanciamento vem da constata\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos diariamente do conjunto de empresas que est\u00e3o em dificuldades. Da \u00faltima vez que olhei, quase 1.900 empresas tinham entrado em recupera\u00e7\u00e3ojudicial s\u00f3 em 2016. Um n\u00famero absurdo. E esse conjunto de medidas, embora direcionado a micro, pequena e m\u00e9dia empresas, tem um impacto importante na grande empresa, porque eles s\u00e3o cadeia produtiva da grande empresa. Vamos refinanciar, pela primeira vez, n\u00e3o s\u00f3 o j\u00e1 vencido, para tr\u00e1s, como tamb\u00e9m uma parcela do que vai vencer. Estamos definindo que parcela vai ser essa. A partir de fevereiro, j\u00e1 poder\u00e3o acessar esse refinanciamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mesmo com taxas maiores, isso dar\u00e1 um al\u00edvio \u00e0s empresas?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, o que eles est\u00e3o precisando \u00e9 de f\u00f4lego. Voc\u00ea vai trocar taxa por prazo. O Progeren \u00e9 muito importante, um programa que existia no banco e n\u00f3s reativamos. Vimos que a grande necessidade, hoje, \u00e9 capital de giro. Nisso \u00e9 que as empresas est\u00e3o sufocadas. Esse programa passou de R$ 100 milh\u00f5es em agosto para a expectativa de R$$ 800 milh\u00f5es agora em dezembro. Ele est\u00e1 sendo muito demandado. \u00c9 um programa indireto, e anunciamos neste conjunto de medidas na ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O BNDES pretende restringir a distribui\u00e7\u00e3o de dividendos para empresas que est\u00e3o financiadas pela TJLP a 25% do total. J\u00e1 h\u00e1 uma data para isso?<\/strong><\/p>\n<p>Assim que as pol\u00edticas operacionais entrarem em vigor. H\u00e1 algumas exce\u00e7\u00f5es, que a gente entende que n\u00e3o impactam o objetivo inicial. Em uma fase de investimento a empresa, ela deveria se limitar a 25%, que \u00e9 o m\u00ednimo legal. Ela se endividou para fazer seu investimento. Se est\u00e1 com recurso sobrando para distribuir mais dividendos, nossa expectativa \u00e9 que ou que ela migre o empr\u00e9stimo dela para custo de mercado, ou ela nos pague, para que possamos fazer um novo empr\u00e9stimo a TJLP para outra empresa que precisa investir e que n\u00e3o tem capital. \u00c9 muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As empresas deveriam ter consci\u00eancia disso e reduzir a distribui\u00e7\u00e3o de dividendos por conta pr\u00f3pria?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos para a vida real. Voc\u00ea tem uma fonte de financiamento abaixo da taxa de juros da economia, sem restri\u00e7\u00e3o. Dinheiro n\u00e3o tem carimbo, voc\u00ea faz o investimento e distribui o dividendo tamb\u00e9m. Ele coloca na conta do retorno dele, que voc\u00ea j\u00e1 vai captar um recurso e voc\u00ea pode distribuir livremente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas, se quisessem realmente investir, n\u00e3o deveriam separar recursos para isso?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o estou dizendo que s\u00e3o todas assim, mas \u00e9 d\u00e1 vida. Voc\u00ea j\u00e1 ia comprar um carro com seu pr\u00f3prio dinheiro, mas, de repente, um banco te oferece um recurso muito barato para comprar o autom\u00f3vel. Voc\u00ea j\u00e1 compraria o autom\u00f3vel, mas voc\u00ea pega esse dinheiro muito barato, compra o carro e ainda faz uma viagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A empresa faz o que j\u00e1 faria?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho a menor ideia do que muitas empresas est\u00e3o fazendo. Vamos fazer duas reflex\u00f5es, primeiro, de fato, quando voc\u00ea olha para o passado, mesmo com todo o recurso do PSI, n\u00e3o se aumentou a taxa de investimento da economia. Ent\u00e3o esse \u00e9 um princ\u00edpio importante que est\u00e1 no nosso receitu\u00e1rio b\u00e1sico: os empr\u00e9stimos do BNDES precisam gerar adicionalidade de investimento. Na margem, fazer crescer o investimento. E realmente aprendemos. Veja, por exemplo, o setor de caminh\u00f5es, com enorme desembolso do PSI. Houve at\u00e9 grande compra de caminh\u00f5es e \u00f4nibus. Mas o que aconteceu? Excesso de capacidade. Os pre\u00e7os de frete despencaram e o setor hoje tem grande dificuldade e uma capacidade ociosa muito grande. O volume de investimentos despencou no ano seguinte. As coisas t\u00eam que ter sustentabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Houve erro?<\/strong><\/p>\n<p>Nas circunst\u00e2ncias, l\u00e1 atr\u00e1s, eu n\u00e3o estava aqui, n\u00e3o posso saber as condi\u00e7\u00f5es em que as decis\u00f5es foram tomadas. Mas, olhando para frente, \u00e9 importante que, nessa retomada, a gente assegure os nossos recursos que s\u00e3o escassos. O pa\u00eds est\u00e1 vivendo uma grave crise fiscal. Quando falo isso, parece que o BNDES n\u00e3o tem dinheiro para emprestar. Mas n\u00e3o \u00e9 isso. \u00c9 escasso no sentido de que a TJLP s\u00e3o recursos do FAT, que tem um referencial de taxa de juros, ent\u00e3o s\u00e3o recursos nobres. \u00c9 at\u00e9 melhor usar nobre do que escasso, porque tem que ser muito criterioso para com esse recurso. Ele realmente tem que ser destinado para investimentos adicionais, e a restri\u00e7\u00e3o \u00e9 para que isso de fato aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como se regula isso?<\/strong><\/p>\n<p>No contrato. Tem que cumprir as cl\u00e1usulas contratuais. Tem auditoria, tem tudo. As empresas s\u00e3o todas auditadas, n\u00e3o emprestamos para empresas que n\u00e3o t\u00eam auditoria. Temos uma s\u00e9rie de regras de governan\u00e7a, que estamos aperfei\u00e7oando tamb\u00e9m. E desde cooperativas a grandes empresas t\u00eam que ter regras de governan\u00e7a que elas precisam cumprir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Isso vai vigorar quando?<\/strong><\/p>\n<p>No come\u00e7o do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora tem reiterado que a devolu\u00e7\u00e3o dos R$ 100 bilh\u00f5es ao Tesouro Nacional n\u00e3o vai causar impacto na capacidade do banco de emprestar. Como isso se explica? <\/strong><\/p>\n<p>Hoje em dia a verdade \u00e9 que os empr\u00e9stimos est\u00e3o sendo restringidos pela demanda e n\u00e3o pela oferta. O banco tem em caixa hoje mais de R$ 200 bilh\u00f5es. Vamos fechar o ano entre R$ 90 bilh\u00f5es e 100 bilh\u00f5es. Para o pr\u00f3ximo ano, a gente espera uma retomada do crescimento, e n\u00e3o vamos gastar R$ 200 bilh\u00f5es. E isso n\u00f3s temos hoje, porque ainda temos o retorno dos empr\u00e9stimos. Aqui ningu\u00e9m \u00e9 aventureiro, costumo dizer que sou ousada, mas n\u00e3o sou aventureira, nunca fui na minha vida inteira. Ent\u00e3o n\u00e3o vai ser agora que vou come\u00e7ar a inaugurar isso. Essa decis\u00e3o n\u00e3o foi tomada pela diretoria. Foi tomada depois da an\u00e1lise t\u00e9cnica do BNDES, jur\u00eddica e financeira. Primeiro, temos conforto com a decis\u00e3o jur\u00eddica do TCU e, segundo, com o que os nossos n\u00fameros nos permitem fazer. N\u00f3s ir\u00edamos de qualquer forma devolver R$ 40 bilh\u00f5es e avaliamos que, dada a nossa capacidade hoje de recursos, que poder\u00edamos fazer essa devolu\u00e7\u00e3o antecipada, sendo que isso tem um impacto fiscal importante. Eu te diria que isso melhora a nossa capacidade de nos alavancarmos no mercado. O banco nunca teve recurso do Tesouro. O BNDES sempre financiou o mercado e com FAT. Esses R$ 500 bilh\u00f5es que vieram para o banco, pela primeira vez que estou explicando isso bem explicado, a sociedade passou a ver isso como uma possibilidade de alavancagem do banco. Mas esses recursos foram todos redirecionados, j\u00e1 vieram para c\u00e1 com endere\u00e7o, com uma destina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vieram pra c\u00e1 para o banco alavancar em projetos, vieram para o banco cumprir uma pol\u00edtica de governo que foi predeterminada. A maior parte disso foi o PSI para \u00f4nibus e caminh\u00f5es, por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os R$ 500 bilh\u00f5es n\u00e3o fizeram diferen\u00e7a nenhuma na pr\u00e1tica para o pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o disse isso. Parcela relevante desses recursos foi direcionada. O mundo viveu uma crise em 2008 que foi absurda, foi feita uma pol\u00edtica contrac\u00edclica. S\u00f3 que essa pol\u00edtica foi muito longe no tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Inicialmente, ela era justific\u00e1vel na sua avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como ser\u00e1 a atividade do banco sem esses recursos?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos desalavancar essa capacidade extraordin\u00e1ria que houve e estamos voltando para um patamar parecido com que o banco sempre teve. O BNDES nunca ficou restrito pela falta de recurso. At\u00e9 porque ele sempre esteve presente no mercado de capitais e financeiro, coisa que, nos \u00faltimos anos, deixou de estar tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E vai voltar?<\/strong><\/p>\n<p>Vai. Fui diretora financeira do BNDES por um ano (no governo de Fernando Henrique Cardoso), e fiz suas capta\u00e7\u00f5es no exterior. Isso era uma coisa cotidiana da rotina do banco. O banco, depofis da Uni\u00e3o, talvez tenha sido o \u00f3rg\u00e3o que mais refletia as curvas de juros da pr\u00f3pria Uni\u00e3o, sempre muito presente no mercado de capital. Acredito que estamos voltando para uma situa\u00e7\u00e3o, entre aspas, de normalidade, de alavancagem e de presen\u00e7a nos mercados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como economista, e, considerando as dificuldades dos estados, a senhora acha que a popula\u00e7\u00e3o brasileira vai ter um certo respiro?<\/strong><\/p>\n<p>O tamanho do problema fiscal \u00e9 muito grande. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na Uni\u00e3o, mas em todos os estados. N\u00e3o se deve ficar esperando solu\u00e7\u00f5es milagrosas, devemos esperar muito esfor\u00e7o, determina\u00e7\u00e3o e principalmente muito entendimento por parte da sociedade de que o problema \u00e9 nosso. Porque, aqui no Brasil, falamos do governo como se fosse uma esfera totalmente aut\u00f4noma e se fala de dinheiro p\u00fablico como se n\u00e3o pertencesse \u00e0 sociedade. Ela tem um grave problema, que s\u00e3o as contas p\u00fablicas, nas quais se inclui a Previd\u00eancia. Infelizmente, n\u00e3o vamos sair dessa situa\u00e7\u00e3o rapidamente e nem com medidas milagrosas, isso n\u00e3o existe. Existe, como est\u00e1 se fazendo, um trabalho cotidiano. O Brasil precisa se desburocratizar, precisa ter um ambiente melhor de neg\u00f3cios. As fam\u00edlias sabem disso. Nenhuma consegue viver al\u00e9m do que ela tem. Ela pode se endividar um pouco, usar cart\u00e3o de cr\u00e9dito, mas tem um limite. Quando se chega ao ponto em que voc\u00ea n\u00e3o tem mais a capacidade de pagar, ningu\u00e9m te empresta mais. O pa\u00eds \u00e9 a mesma coisa. Tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 mais pra aumentar impostos porque isso est\u00e1 al\u00e9m da capacidade da popula\u00e7\u00e3o. O estado do Rio de Janeiro est\u00e1 aumentando agora o ICMS. Tenho d\u00favidas se isso \u00e9 uma boa medida. As empresas tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o com uma carga tribut\u00e1ria muito elevada, estamos vivendo uma recess\u00e3o muito grande e o cobertor \u00e9 muito curto. Ent\u00e3o vamos ajustar onde temos controle: com as despesas. A PEC dos gastos vem justamente nessa dire\u00e7\u00e3o: fazer com que o or\u00e7amento seja uma coisa cr\u00edvel. O que queremos ser daqui a 10 anos? Um pa\u00eds que vai estar no primeiro lugar do Pisa ou um pa\u00eds que tem a sa\u00fade igual \u00e0 do Canad\u00e1? Quais s\u00e3o as escolhas que temos para fazer? E vamos dedicar esfor\u00e7os e recursos para isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora falou de reforma da Previd\u00eancia, alguns especialistas, analistas e economistas acreditam que ela \u00e9 muito dura. O que lhe parece?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sou especialista da reforma e muito menos sou grande entendedora de pol\u00edtica. Mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave, acho que ter\u00e1 que ser o que o parlamento e a sociedade entenderem que \u00e9 poss\u00edvel. Por\u00e9m, temos de dar um passo largo, disso, n\u00e3o tenho a menor d\u00favida. A expectativa de vida da sociedade aumentou, as pessoas continuam se aposentando muito cedo. Essas coisas s\u00e3o emocionais. Claro que mexe com a gente, e mexe mesmo com todo mundo, mas tem uma quest\u00e3o aritm\u00e9tica de matem\u00e1tica, de c\u00e1lculo atuarial. Se n\u00e3o quisermos fazer esse ajuste agora, ser\u00e1 feito por nossos filhos e netos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As medidas apresentadas pelo governo buscam maior produtividade, o que n\u00e3o ter\u00e1 efeitos imediatos. Quando o pa\u00eds vai sair da recess\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Minha bola de cristal est\u00e1 meio nebulosa. N\u00e3o concordo que essas medidas tenham impacto s\u00f3 a m\u00e9dio e a longo prazos. O conjunto de medidas s\u00e3o coisas do dia a dia. A maior parte come\u00e7a a valer agora, em dezembro e janeiro. A economia vive de expectativas tamb\u00e9m. Ouvi as declara\u00e7\u00f5es dos economistas e houve uma unanimidade: o caminho est\u00e1 certo. Todos disseram: isso n\u00e3o vai resolver o problema. Acho at\u00e9 incr\u00edvel que algu\u00e9m diga isso. Se bastasse um conjunto de medidas para para resolver o que estamos vivendo, estava muito f\u00e1cil. Outra coisa: Essas pessoas falam \u00e9 que foi pouco ousado aqui e ali. Entretanto, n\u00e3o estou vendo ningu\u00e9m dar alternativas. N\u00e3o tem. N\u00f3s quebramos novamente, o pa\u00eds quebrou. Deixamos de ser investment grade, o que n\u00f3s duramente conquistamos. Vivi na d\u00e9cada de 1980. Tinha acabado de me formar no doutorado e vi uma morat\u00f3ria da d\u00edvida externa. Foi um per\u00edodo horr\u00edvel. Parece muito o que estamos vivendo hoje. Nunca vou me esquecer, porque participei da negocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa, a falta de credibilidade que o Brasil tinha. Fiquei afrontada da forma que a mesa de negocia\u00e7\u00e3o falava com a gente. Se entrevistarem o embaixador J\u00f3rio Dauster, com quem trabalhei, ele dir\u00e1 isso. As declara\u00e7\u00f5es que os pa\u00edses faziam, a falta de seriedade do Brasil, que tinha deixado de honrar o pagamento de juros. \u00c9 horr\u00edvel isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voltamos a esse ponto?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que o Brasil est\u00e1 muito impactado na sua credibilidade sim. E precisamos recuperar isso. E n\u00e3o se recupera isso com discursos, se recupera com a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De qualquer forma, tem algumas pessoas que avaliam que essa crise \u00e9 econ\u00f4mica, mas tem um forte componente pol\u00edtico. Como a senhora avalia isso?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sou cientista pol\u00edtica e n\u00e3o tenho a m\u00ednima ideia. \u00d3bvio que n\u00e3o d\u00e1 para distanciar uma coisa da outra, at\u00e9 porque vivemos neste ano fatos bastante graves do ponto de vista pol\u00edtico. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples o afastamento de uma presidente, tudo isso que estamos assistindo no pa\u00eds. Ao contr\u00e1rio. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito forte, capaz de passar por tudo que estamos passando, com todo mundo de p\u00e9 trabalhando, e as coisas acontecendo. \u00d3bvio: com protesto, distens\u00f5es e opini\u00f5es contr\u00e1rias, mas isso \u00e9 natural. \u00c9 um processo muito traum\u00e1tico que estamos vivendo. Embora estejam entrela\u00e7ados, a quest\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 real, concreta. N\u00f3s hoje estamos com recess\u00e3o fiscal. O Brasil tinha virado essa p\u00e1gina. Isso que \u00e9 terr\u00edvel. N\u00f3s implantamos a Lei de Responsabilidade Fiscal. As pessoas se esquecem de olhar para tr\u00e1s. Sempre que eu me desespero porque tem muita coisa para fazer, eu gosto de olhar para tr\u00e1s. Voc\u00ea se lembra o que foi o Proer? O trauma que foi fazer aquilo, a dificuldade pol\u00edtica terr\u00edvel. Aquilo ali foi um avan\u00e7o, voc\u00eas j\u00e1 imaginaram, na situa\u00e7\u00e3o de hoje, se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos bancos fr\u00e1geis e bancos estaduais, onde n\u00f3s estar\u00edamos? O tamanho do buraco que ia ser. O Brasil virou essa p\u00e1gina, viramos a p\u00e1gina da d\u00edvida externa. O Brasil vivia de crise em crise, com FMI, d\u00edvida externa. Passei meus anos de mestrado e doutorado acompanhando as cartas de inten\u00e7\u00e3o. Viramos essa p\u00e1gina, mas n\u00e3o foi de um dia para o outro, foi tendo uma estrat\u00e9gia, fazendo a negocia\u00e7\u00e3o dos juros atrasados, depois do principal. Isso passou de governo: Collor, Fernando Henrique. Mas teve continuidade, perseverou. Infla\u00e7\u00e3o: quantos planos econ\u00f4micos tivemos?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No entanto, o pa\u00eds caiu de novo em uma crise. Qual a explica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Caiu em uma crise, n\u00e3o: o pa\u00eds destruiu o que tinha feito que: a responsabilidade fiscal, uma conquista que, infelizmente, n\u00f3s vamos ter que construir de novo. E foi em todos os n\u00edveis, munic\u00edpios, estados e governo federal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A que se deve esse processo, na sua avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que uma falta de prioridade a isso, acreditar que se podia negligenciar ou viver sem essa restri\u00e7\u00e3o, e que o mundo estava crescendo. N\u00e3o sei qual \u00e9 a l\u00f3gica. Hoje, o resultado disso tudo \u00e9 que as fam\u00edlias e as empresas est\u00e3o altamente endividadas, ent\u00e3o, retomar o crescimento passa por essa desalavancagem. Voc\u00ea precisa resolver sua vida, renegociar o passivo, ter um prazo cr\u00edvel de pagamento, para voc\u00ea poder tomar cr\u00e9dito de novo. Existe muita capacidade ociosa, isso tamb\u00e9m leva tempo. Temos que come\u00e7ar a reverter o processo, acho que \u00e9 isso que todos n\u00f3s estamos empenhados em fazer. Se tivesse uma medida simples, seria muito bom, a gente anunciaria amanh\u00e3 e estava tudo resolvido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que todos os brasileiros querem \u00e9 ver a recess\u00e3o para tr\u00e1s, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Eu fa\u00e7o parte das pessoas, todo mundo que est\u00e1 no governo s\u00e3o pessoas, a gente mora no Brasil, faz parte da sociedade. Fica parecendo que as pessoas querem e o governo n\u00e3o quer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E quando podemos contar com isso? H\u00e1 algumas proje\u00e7\u00f5es, certo?<\/strong><\/p>\n<p>Recolha todas elas e me fale, porque tamb\u00e9m estou querendo saber. O quanto antes, n\u00e9? Isso depende de tantas vari\u00e1veis. Existe a quest\u00e3o pol\u00edtica, tem o pr\u00f3prio mundo, que est\u00e1 mais incerto, piorou nesse sentido. Os Estados Unidos come\u00e7aram a elevar a taxa de juros. O Brasil tem uma janela de oportunidades hoje, porque existe dinheiro no mundo procurando bons projetos, bons investimentos. O importante \u00e9 andar todo dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A gente est\u00e1 na maior recess\u00e3o da nossa hist\u00f3ria, maior at\u00e9 que 1930\/1931. Como se explica: a derrapada foi maior ou o mundo est\u00e1 mais dif\u00edcil?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s falamos aqui dos pressupostos que foram abandonados, recess\u00f5es fiscais, realidade fiscal. O mundo sempre foi o mundo. Assim como em uma casa, em uma empresa, quando voc\u00ea gerencia uma empresa, a \u00fanica coisa que algu\u00e9m pode controlar \u00e9 a sua despesa, ningu\u00e9m controla receita, nem pessoa f\u00edsica, voc\u00ea est\u00e1 empregado hoje e pode estar desempregado amanh\u00e3. A \u00fanica coisa que voc\u00ea tem sob seu controle s\u00e3o as suas despesas e as despesas dos governos como um todo, isso \u00e9 fato conhecido, est\u00e3o fora de controle h\u00e1 muito tempo e se ampliaram nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando o governo Temer montou o minist\u00e9rio, faltou uma mulher ali na foto principal. A senhora acabou como protagonista em rela\u00e7\u00e3o a isso. Como v\u00ea esse epis\u00f3dio? <\/strong><\/p>\n<p>Eu me sinto muito honrada de ser a protagonista e representar as mulheres, agora dividindo com a ministra Grace Mendon\u00e7a e a Ana Paula Vescovi (secret\u00e1ria do Tesouro) que est\u00e1 l\u00e1 tamb\u00e9m. Pelo menos esse trio a\u00ed \u00e9 bem guerreiro. \u00c9 que a gente vale por muitas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 10h41min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00bb POR PAULO SILVA PINTO E LEONARDO CAVALCANTI, enviados especiais ao Rio de Janeiro &nbsp; A economista Maria Silvia Bastos Marques, 59 anos, repete uma esp\u00e9cie de mantra ao tentar escapar de perguntas sobre a gest\u00e3o petista no Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). \u201cN\u00e3o estava aqui. Nesse caso, n\u00e3o gosto de pensar sobre o passado. 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