{"id":3792,"date":"2016-12-10T13:06:24","date_gmt":"2016-12-10T15:06:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3792"},"modified":"2016-12-10T16:17:42","modified_gmt":"2016-12-10T18:17:42","slug":"sem-ajuste-retomada-sera-lenta-diz-tony-volpon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/sem-ajuste-retomada-sera-lenta-diz-tony-volpon\/","title":{"rendered":"&#8220;Sem ajuste, retomada ser\u00e1 lenta&#8221;, diz Tony Volpon"},"content":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO \/ ENVIADO ESPECIAL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>S\u00e3o Paulo \u2013<\/strong> O economista Tony Volpon contava, faz tempo, com a dificuldade que o pa\u00eds enfrenta para a retomada do crescimento econ\u00f4mico. Isso se deve, na avalia\u00e7\u00e3o dele, a um erro fundamental na pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo do presidente Michel Temer: pol\u00edtica monet\u00e1ria relativamente apertada e pol\u00edtica fiscal frouxa.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa combina\u00e7\u00e3o impede, ele explica, que as empresas e os consumidores se livrem do endividamento que acumularam quando Dilma Rousseff estava no poder. E, nessa situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 investimentos nem compra de bens dur\u00e1veis.<\/em><\/p>\n<p><em>Volpon admite que o governo pode n\u00e3o ter espa\u00e7o para o mix inverso, de aperto fiscal com cortes mais fortes de juros. \u201cEnt\u00e3o, esta \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o que vamos ter: lenta\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Ele foi diretor de Assuntos Internacionais e de Gest\u00e3o de Riscos Corporativos do Banco Central (BC) entre abril de 2015 e julho deste ano. No pr\u00f3ximo m\u00eas, concluir\u00e1 a quarentena e poder\u00e1 voltar ao mercado. Na \u00faltima quinta-feira, ele concedeu ao Correio a primeira entrevista desde que saiu do BC.<\/em><\/p>\n<p><em>Volpon participar\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 14 do Correio Debate \u2014 Desafios para 2017. Tamb\u00e9m falar\u00e3o no evento o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o secret\u00e1rio-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Wellington Moreira Franco, o economista-chefe da Gradual Investimentos, Andr\u00e9 Perfeito, o economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, e o ex-diretor do BC Carlos Eduardo de Freitas.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3793\" aria-describedby=\"caption-attachment-3793\" style=\"width: 470px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2016\/12\/Volpon1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-3793\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3793\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2016\/12\/Volpon1-300x200.jpg\" alt=\"12\/11\/2014. Cr\u00e9dito: Raimundo Sampaio\/RE\/D.A Press. Brasil. Bras\u00edlia - DF. Entrevista com Tony Volpon, chefe de pesquisas para a Am\u00e9rica Latina da Nomura Securities em Nova York.\" width=\"470\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2016\/12\/Volpon1-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2016\/12\/Volpon1-768x513.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2016\/12\/Volpon1-350x234.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2016\/12\/Volpon1-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2016\/12\/Volpon1-230x154.jpg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2016\/12\/Volpon1.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3793\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Raimundo Sampaio\/D.A Press<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os brasileiros se perguntam hoje por que o pa\u00eds n\u00e3o consegue retomar o crescimento. Qual a explica\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nMuito da frustra\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam com o n\u00edvel de atividade ocorre porque est\u00e3o comparando o que est\u00e1 acontecendo com uma expectativa excessivamente otimista que se criou l\u00e1 atr\u00e1s, no momento do impeachment. Acredito que muitas pessoas, inclusive no mercado, acreditavam que a mera troca de governo, a coloca\u00e7\u00e3o de uma nova equipe econ\u00f4mica, j\u00e1 colocaria as bases para uma r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o da atividade. \u00c9 algo que se baseou muito na alta dos \u00edndices de confian\u00e7a, que ocorreu na \u00e9poca, e tamb\u00e9m na melhora das condi\u00e7\u00f5es financeiras. Isso \u00e9 necess\u00e1rio para uma r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o suficiente. Na \u00e9poca do impeachment, n\u00e3o havia reconhecimento de que o dano causado no tecido econ\u00f4mico pela experi\u00eancia heterodoxa do petismo tinha sido t\u00e3o profundo, que a recupera\u00e7\u00e3o ia ser t\u00e3o lenta. A frustra\u00e7\u00e3o, portanto, se deve a uma expectativa irrealista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O mercado erra tanto assim, de forma emocional?<\/strong><br \/>\nConstantemente. Entra sobretudo o vi\u00e9s pol\u00edtico. As pessoas do mercado eram majoritariamente contra os governos petistas, especificamente o governo Dilma. Ent\u00e3o, na felicidade do impeachment, houve um componente psicol\u00f3gico forte. No mercado, n\u00e3o h\u00e1 deuses. Muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais os problemas reais que enfrentamos?<\/strong><br \/>\nOs danos causados pelo petismo na economia foram v\u00e1rios. Podemos come\u00e7ar pelas ag\u00eancias reguladoras, totalmente desestruturadas e submetidas a decis\u00f5es do Planalto. Pode-se falar do que aconteceu com a Petrobras, que acabou danificando a economia etc. Do ponto de vista macroecon\u00f4mico, o dano maior, que est\u00e1 impedindo uma recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida, foi o patrimonial causado \u00e0s empresas, aos consumidores e, como estamos vendo, aos estados. Isso ocorreu porque, no per\u00edodo de 2012 a 2014, houve muitos incentivos p\u00fablicos para que eles se endividassem. Tivemos no Brasil uma coisa muito peculiar: uma bolha de cr\u00e9dito incentivada pelo governo. Isso n\u00e3o \u00e9 muito comum. Em geral, como se viu nos Estados Unidos, bolhas de cr\u00e9dito v\u00eam do pr\u00f3prio mercado, com excesso de otimismo. O cr\u00e9dito j\u00e1 havia subido, com bons fundamentos, nos 10 anos anteriores. Mas, naquele final de processo, o governo entrou com tudo, via bancos p\u00fablicos. Todos se endividaram, e, frente ao que \u00e9 agora o n\u00edvel esperado de receita, h\u00e1 uma recess\u00e3o de balan\u00e7o. A experi\u00eancia internacional mostra que a recupera\u00e7\u00e3o em recess\u00f5es desse tipo \u00e9 muito lenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que a lentid\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAntes de a pessoa consumir ou de a empresa investir, eles t\u00eam que resolver o problema causado pelas decis\u00f5es do passado. N\u00e3o est\u00e3o partindo do zero. A melhora das expectativas e das condi\u00e7\u00f5es financeiras n\u00e3o passou para a economia porque os canais est\u00e3o bloqueados. Se n\u00e3o limpa os canos, n\u00e3o passa nada. O plano fiscal gradualista do governo est\u00e1 fracassando. Podemos voltar a ter uma situa\u00e7\u00e3o como a de 2015, em que o mercado n\u00e3o acredita mais na sustenta\u00e7\u00e3o fiscal e h\u00e1 um processo especulativo em cima disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que deve ser feito agora?<\/strong><br \/>\nA proposta de pol\u00edtica econ\u00f4mica da nova equipe tem um certo v\u00edcio de origem. A presun\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o ajuste fiscal tende a ser lento. As proje\u00e7\u00f5es do FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional) s\u00e3o de deficits prim\u00e1rios de 2,7% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, de 2,3% em 2017 e de 1,3% em 2018. S\u00f3 se apertam as condi\u00e7\u00f5es fiscais em 2018. Do lado da pol\u00edtica monet\u00e1ria, o que se est\u00e1 fazendo \u00e9 o que a gente pretendia no BC, n\u00e3o mudou: trazer a infla\u00e7\u00e3o \u00e0 meta em 2017. Essa escolha de fazer a pol\u00edtica monet\u00e1ria atingir o alvo em 2017, mas s\u00f3 come\u00e7ar a apertar o fiscal em 2018, singnifica um mix de pol\u00edtica fiscal relativamente frouxa e pol\u00edtica monet\u00e1ria relativamente apertada. Como o principal problema para a economia foi o dano para as empresas, os consumidores e os estados, na verdade, dever\u00edamos ter um mix de pol\u00edticas oposto a esse, aliviando juros. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o fiscal para resolver problemas de balan\u00e7o. Acho que seria necess\u00e1ria uma pol\u00edtica fiscal mais austera, de aumento de receitas e queda de despesas, com CPMF (Contribui\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria sobre a Movimenta\u00e7\u00e3o Financeira), corte de subs\u00eddios e de despesas. Teria de cortar gastos e aumentar a receita ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas essa austeridade fiscal seria sustent\u00e1vel politicamente hoje?<\/strong><br \/>\nEstou falando do ponto de vista econ\u00f4mico. Se n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel, ent\u00e3o esta \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o que vamos ter: lenta, com muita press\u00e3o sobre o BC para acelerar a queda de juros. E, se acelerar, n\u00e3o vai conseguir colocar a infla\u00e7\u00e3o na meta. A equipe est\u00e1 fazendo um belo trabalho, mas o mix de pol\u00edticas \u00e9 errado para a reestrutura\u00e7\u00e3o patrimonial de empresas, consumidores e governo. Se acelerar o processo de converg\u00eancia fiscal, h\u00e1 espa\u00e7o para o BC fazer cortes de juros mais agressivos. O Ilan (Goldfajn, presidente do BC) j\u00e1 sinalizou por meio de entrevistas um corte maior de juros em janeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Isso seria um problema?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o colocar a infla\u00e7\u00e3o na meta em 2017 pode ser uma escolha.<\/p>\n<p>Abaixo do teto da meta \u00e9 muito dif\u00edcil que n\u00e3o fique, certo?<br \/>\nH\u00e1 sempre choques ex\u00f3genos, ainda mais com o Donald Trump na Presid\u00eancia dos Estados Unidos. O (Alexandre) Tombini vers\u00e3o 1.0 jogava com proje\u00e7\u00f5es de longo prazo. \u00c9 uma quest\u00e3o estat\u00edstica: a infla\u00e7\u00e3o sempre converge para a meta. Falar que voc\u00ea vai fazer uma coisa daqui a dois anos \u00e9 meio vazio. Pode acontecer qualquer coisa. A proje\u00e7\u00e3o que realmente merece alguma cren\u00e7a \u00e9 a curto prazo, at\u00e9 um ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O senhor se refere aos estragos dos governos petistas. Mas trabalhou em um deles. Como v\u00ea isso?<\/strong><br \/>\nEu quebraria o governo Dilma em tr\u00eas fases. Na primeira, bem no in\u00edcio, ela fez um ajuste na pol\u00edtica fiscal. O Lula, no fim do segundo mandato, acelerou muito a economia. Dilma herdou esse superaquecimento e fez um ajuste. Quando a economia, j\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o de fatores estruturais que n\u00e3o eram conhecidos na \u00e9poca, come\u00e7ou a desacelerar ainda em 2011, ela entrou na segunda fase. Fez o cavalo de pau, na famosa reuni\u00e3o do Copom (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do BC) de agosto de 2011. O mercado achava que iriam aumentar a Selic e houve um corte significativo. \u00c9 o in\u00edcio da nova matriz, que parte de uma vis\u00e3o err\u00f4nea sobre o motivo da crise de 2008. Para certos elementos da esquerda, ela era o fim do capitalismo. A resposta que o governo Dilma deu naquele momento foi botar o Estado na economia em todos os sentidos imagin\u00e1veis. O Estado vai mandar, vai determinar, a partir de pre\u00e7os, c\u00e2mbio, tudo, e, dessa maneira, vamos recuperar o crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando se percebeu que isso n\u00e3o funcionaria?<\/strong><br \/>\nEm 2013, j\u00e1 estava claro que a estrat\u00e9gia tinha fracassado. Para cada real de est\u00edmulo, o resultado era cada vez menor. Um resultado marginal decrescente. E v\u00e1rios desequil\u00edbrios se ampliavam para quem queria ver. Houve uma repress\u00e3o tarif\u00e1ria que criou uma boca de jacar\u00e9 entre pre\u00e7os livres e pre\u00e7os administrados. Era \u00f3bvio que tinha que fechar essa diferen\u00e7a, sen\u00e3o isso levaria a um processo inflacion\u00e1rio muito agudo, o que acabou acontecendo em 2015. J\u00e1 tinha uma queda muito grande do resultado da balan\u00e7a comercial e um aumento do deficit de conta corrente, mostrando que havia um desequil\u00edbrio externo. As contas fiscais j\u00e1 mostravam muita fraqueza. Lembre-se que 2012 foi o ano daquela triangula\u00e7\u00e3o maluca que o Arno Augustin (ent\u00e3o secret\u00e1rio do Tesouro) fez para fechar as contas com Petrobras, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) e Tesouro. Do ponto de vista externo, monet\u00e1rio e fiscal, a economia j\u00e1 mostrava muitos desequil\u00edbrios e o crescimento era segurado na porrada. J\u00e1 estava claro que a estrat\u00e9gia havia fracassado e que seria necess\u00e1rio ajustar os tr\u00eas desequil\u00edbrios. S\u00f3 que, em fun\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio eleitoral, isso foi postergado. Ent\u00e3o, 2013 e 2014 foi a \u00e9poca do \u201cops, erramos, mas n\u00e3o podemos fazer nada agora\u201d. Quando voc\u00ea conversava com o pessoal do governo, com a equipe do Mantega (ex-ministro da Fazenda), eles admitiam isso em privado, mas n\u00e3o publicamente. V\u00e1rias das medidas que eles consideravam necess\u00e1rias foram realizadas depois pelo Joaquim Levy quando ele se tornou o ministro da Fazenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O ajuste promovido pelo Levy, portanto, j\u00e1 era consensual na equipe de Mantega?<\/strong><br \/>\nEra, e foi postergado para depois da elei\u00e7\u00e3o: realinhamento tarif\u00e1rio, o corte dos subs\u00eddios que o Levy tentou fazer. A terceira fase do governo Dilma, quando eu entrei, foi a de um governo reformista, que fracassou. N\u00f3s fracassamos. Eu admito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nHouve um diagn\u00f3stico errado sobre o tamanho do problema. O Levy acreditava que seria poss\u00edvel voltar a um superavit prim\u00e1rio com medidas de cunho pontual. Sem mudar a Constitui\u00e7\u00e3o, sem fazer reformas mais profundas. Ele j\u00e1 estava projetando superavit prim\u00e1rio para 2016. N\u00e3o foi s\u00f3 um erro dele. Se voc\u00ea olhar para o Focus da \u00e9poca, v\u00ea que todo mundo comprou essa ideia. Tamb\u00e9m naquela \u00e9poca, as pessoas n\u00e3o estavam percebendo o tamanho do dano que havia sido causado ao corpo econ\u00f4mico. Isso ficou claro no meio do ano de 2015. Houve aquele fat\u00eddico fim de semana em que se decidiu apresentar um or\u00e7amento com previs\u00e3o de deficit e dizer: \u201cCongresso, se vira\u201d. Tentaram consertar o erro, mas ele j\u00e1 estava feito. E a explos\u00e3o do mercado, que apertou as condi\u00e7\u00f5es financeiras, n\u00e3o tinha volta. Naquele momento, a coisa fracassou. O resto foi consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Algo diferente poderia ter sido feito?<\/strong><br \/>\nA \u00fanica coisa em que a gente errou foi n\u00e3o ter come\u00e7ado a aumentar os juros no fim de 2015 ou in\u00edcio de 2016. Os meus votos no Copom foram nesse sentido. Tive dissid\u00eancias em tr\u00eas reuni\u00f5es com os demais membros. Em fun\u00e7\u00e3o do que ocorreu em 2015, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, houve um processo em que a infla\u00e7\u00e3o e as expectativas de aumento de pre\u00e7os se descolaram. Acredito que, quando voc\u00ea tem um processo de infla\u00e7\u00e3o subindo e expectativa tamb\u00e9m indo para cima, tem de ter uma rea\u00e7\u00e3o por parte da autoridade monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Houve muita interfer\u00eancia do governo no BC?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Essa capacidade \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 popularidade do governo. Dilma j\u00e1 entrou fraca no segundo mandato. O poder em Bras\u00edlia n\u00e3o desaparece, ele vai para outro lugar. Com a perda de poder dela, outras inst\u00e2ncias do Estado ficaram mais fortes, inclusive o BC. Muitas pessoas n\u00e3o v\u00e3o acreditar, mas acho que, na maior parte do segundo mandato de Dilma, o BC fez realmente o que deveria fazer. Aumentamos os juros muito mais do que o mercado esperava at\u00e9 agosto de 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 13h06min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO \/ ENVIADO ESPECIAL &nbsp; S\u00e3o Paulo \u2013 O economista Tony Volpon contava, faz tempo, com a dificuldade que o pa\u00eds enfrenta para a retomada do crescimento econ\u00f4mico. 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