{"id":3784,"date":"2016-12-10T06:50:59","date_gmt":"2016-12-10T08:50:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3784"},"modified":"2016-12-10T14:01:37","modified_gmt":"2016-12-10T16:01:37","slug":"agravamento-da-crise-economica-e-politica-pode-abalar-sistema-bancario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/agravamento-da-crise-economica-e-politica-pode-abalar-sistema-bancario\/","title":{"rendered":"Agravamento da crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica pode abalar sistema banc\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>O Banco Central garante que est\u00e1 tudo bem, que o sistema financeiro est\u00e1 s\u00f3lido o suficiente para atravessar as graves crises econ\u00f4mica, pol\u00edtica, \u00e9tica e institucional sem se machucar, mas h\u00e1 gente no governo temendo que alguns bancos possam enfrentar problemas caso as empresas n\u00e3o consigam refinanciar d\u00edvidas que chegam a R$ 500 bilh\u00f5es. Na avalia\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica, nada poderia ser pior para o pa\u00eds neste momento do que uma institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria quebrar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O monitoramento do sistema financeiro feito em tempo real pelo BC mostra que h\u00e1 sobra de recursos, especialmente nos grandes bancos, que se prepararam para as turbul\u00eancias que n\u00e3o d\u00e3o tr\u00e9gua. A preocupa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 com algumas pequenas institui\u00e7\u00f5es, que v\u00eam sofrendo para captar recursos no mercado \u2014 s\u00e3o obrigadas a pagar juros estratosf\u00e9rico \u2014 e est\u00e3o vendo o calote disparar. Muitas empresas acreditavam que teriam um fim de ano melhor para refor\u00e7ar o caixa. Mas a situa\u00e7\u00e3o da economia piorou e o dinheiro sumiu, a ponto de faltar recursos at\u00e9 para o pagamento da folha de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O asfixiamento \u00e9 t\u00e3o forte, que o n\u00famero de fal\u00eancias e de empresas pedindo reestrutura\u00e7\u00e3o patrimonial vem batendo recorde. Se n\u00e3o vier nenhuma sinaliza\u00e7\u00e3o mais clara por parte do governo de medidas que possam destravar o cr\u00e9dito e reanimar a atividade, o quadro ficar\u00e1 dram\u00e1tico, com a blindagem do sistema financeiro come\u00e7ando a romper. N\u00e3o se trata de falar de um risco sist\u00eamico, do qual realmente estamos muito longe. Mas confian\u00e7a \u00e9 tudo em rela\u00e7\u00e3o aos bancos. \u00c9 preciso, portanto, que ela se mantenha intacta. Qualquer descuido ser\u00e1 fatal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Caixa vazio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a possibilidade de se chegar a uma crise banc\u00e1ria existe, \u00e9 pequena, mas \u00e9 real. Ele ressalta que a escassez de cr\u00e9dito est\u00e1 pegando todos, e seus efeitos, se disseminando. \u201cAt\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, as grandes companhias conseguiam refor\u00e7ar o caixa captando recursos no exterior. Com isso, conseguiam financiar seus fornecedores, principalmente pequenas e m\u00e9dias empresas. Agora, sem essa fonte de financiamento, j\u00e1 que as linhas externas tamb\u00e9m diminu\u00edram, o sistema lincando essa cadeia desapareceu. Por isso, tanta necessidade de reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cagnin ressalta ainda que, al\u00e9m da restri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, as empresas v\u00eam sendo afetadas pela forte volatilidade do d\u00f3lar, que dificulta a recupera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o por meio das exporta\u00e7\u00f5es. A instabilidade do c\u00e2mbio tamb\u00e9m desestimula investidores estrangeiros que gostariam de participar do programa de concess\u00f5es e privatiza\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 colocado em pr\u00e1tica pelo governo. Certamente, s\u00f3 se sentir\u00e3o motivados a entrar nesse barco se houver um fundo que os proteja do sobe e desce da moeda norte-americana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Luciana de S\u00e1, diretora de Desenvolvimento Econ\u00f4mico da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Rio de Janeiro (Firjan), n\u00e3o h\u00e1, hoje, nenhum sinal de recupera\u00e7\u00e3o da economia. Muito pelo contr\u00e1rio. As perspectivas s\u00e3o cada vez piores. Nos c\u00e1lculos dela, na melhor das hip\u00f3teses, a produ\u00e7\u00e3o industrial crescer\u00e1 0,3% em 2017, mas h\u00e1 s\u00e9rios ind\u00edcios de que o setor poder\u00e1 registrar o quarto ano seguido de retra\u00e7\u00e3o. Parte importante do setor produtivo morreu e, mesmo em um contexto de recupera\u00e7\u00e3o, o tamanho da ind\u00fastria certamente ser\u00e1 menor do que quando come\u00e7ou a encolher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h50min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central garante que est\u00e1 tudo bem, que o sistema financeiro est\u00e1 s\u00f3lido o suficiente para atravessar as graves crises econ\u00f4mica, pol\u00edtica, \u00e9tica e institucional sem se machucar, mas h\u00e1 gente no governo temendo que alguns bancos possam enfrentar problemas caso as empresas n\u00e3o consigam refinanciar d\u00edvidas que chegam a R$ 500 bilh\u00f5es. 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