{"id":376,"date":"2016-01-12T08:30:44","date_gmt":"2016-01-12T10:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=376"},"modified":"2016-01-12T11:20:48","modified_gmt":"2016-01-12T13:20:48","slug":"divisao-no-bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/divisao-no-bc\/","title":{"rendered":"DIVIS\u00c3O NO BC"},"content":{"rendered":"<p>Boa parte do mercado financeiro est\u00e1 convencida de que o Banco Central elevar\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) na reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) da pr\u00f3xima semana. Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso entre os diretores sobre o aumento. A divis\u00e3o \u00e9 grande. Todos reconhecem que a infla\u00e7\u00e3o se tornou um fardo, mas h\u00e1 diverg\u00eancias se realmente a alta da Selic agora trar\u00e1 os resultados esperados. A meta do presidente do BC, Alexandre Tombini, \u00e9 de construir um consenso. Mas ser\u00e1 dif\u00edcil n\u00e3o haver votos contr\u00e1rios ao arrocho, se a maioria optar por ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os diretores do BC t\u00eam procurado, nas conversas dentro do governo, expor todos os argumentos a favor e contra o aumento dos juros. Garantem que, em nenhum momento, houve qualquer cobran\u00e7a formal da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, sobre o tema. \u201cNem Tombini, nem os diretores foram procurados pela presidente e pelo ministro para discutir sobre juros. Portanto, a decis\u00e3o que for tomada ser\u00e1 t\u00e9cnica, sem influ\u00eancia pol\u00edtica\u201d, ressalta um dos mais respeitados t\u00e9cnicos da autoridade monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC reconhece que a carta divulgada por Tombini, na \u00faltima sexta-feira, na qual culpa o governo pela infla\u00e7\u00e3o de 10,67% em 2015, refor\u00e7ou a aposta na eleva\u00e7\u00e3o dos juros. O documento, no entanto, foi mais um ato institucional com o intuito de refor\u00e7ar a credibilidade da institui\u00e7\u00e3o do que um compromisso definitivo com o aperto monet\u00e1rio. O banco sabe que tem parcela de responsabilidade por o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) ter chegado a dois d\u00edgitos, mas preferiu posar de bom mo\u00e7o com a promessa de que far\u00e1 todo o poss\u00edvel para levar a infla\u00e7\u00e3o ao centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 o fim de 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Expectativas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vis\u00e3o da ala do BC que \u00e9 contr\u00e1ria ao aumento da Selic alega que, sozinha, a medida n\u00e3o far\u00e1 qualquer efeito na trajet\u00f3ria de infla\u00e7\u00e3o, e corre o risco de estimular mais carestia. O problema do pa\u00eds hoje \u00e9 fiscal. Enquanto n\u00e3o houver a certeza entre os agentes econ\u00f4micos de que o governo est\u00e1 realmente comprometido com a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas, de nada adiantar\u00e1 o Copom agir. O \u00fanico efeito dos juros mais altos ser\u00e1 empurrar a economia para o buraco, com queda do Produto Interno Bruto (PIB) que pode encostar nos 5% neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No grupo que apoia a subida da Selic, o argumento mais forte \u00e9 a necessidade de retomar a credibilidade e o controle das expectativas de infla\u00e7\u00e3o, que v\u00eam se deteriorando semana ap\u00f3s semana. H\u00e1 o reconhecimento de que o BC se comprometeu com mais juros e n\u00e3o entreg\u00e1-los enterrar\u00e1 de vez o \u00fanico foco de respeito que resta no governo. Justifica-se que a eleva\u00e7\u00e3o pode ser bem mais moderada do que o mercado espera, o suficiente para dar tempo de a Fazenda apresentar um contingenciamento consistente de receitas do Or\u00e7amento, o que est\u00e1 previsto para fevereiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que todas as vezes em que o Copom despejou esperan\u00e7a na Fazenda, se deu mal. N\u00e3o se pode esquecer que, em 2012, mesmo com a infla\u00e7\u00e3o apontando para cima, Tombini e companhia deram in\u00edcio a um processo de baixa de juros, a ponto de a Selic cair para o n\u00edvel mais baixo da hist\u00f3ria, de 7,25%. A presidente Dilma aproveitou o movimento para declarar guerra aos juros altos, e for\u00e7ou os bancos p\u00fablicos a irem na mesma dire\u00e7\u00e3o. Como se sabe, tudo deu errado. A Selic est\u00e1 no n\u00edvel mais alto desde 2006 e consumidores e empresas nunca pagaram t\u00e3o caro, segundo a s\u00e9rie hist\u00f3rica do BC, para tomar empr\u00e9stimos. Mais que isso: nunca o BC de Tombini entregou a infla\u00e7\u00e3o no centro da meta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Medo de trai\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De volta de uma viagem \u00e0 Basileia, Su\u00ed\u00e7a, o presidente do BC aproveitar\u00e1 os pr\u00f3ximos dias para fechar uma posi\u00e7\u00e3o firme do Copom, seja pela alta dos juros, seja pela queda da Selic. Ele sabe que a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode errar mais. E teme ser tra\u00eddo pelo governo, que prega a autonomia da autoridade monet\u00e1ria, mas, ao mesmo tempo, trabalha para ressuscitar, de forma disfar\u00e7ada, a nova matriz econ\u00f4mica que prevaleceu no primeiro mandato de Dilma e levou o pa\u00eds para o atoleiro. N\u00e3o h\u00e1, na vis\u00e3o de t\u00e9cnicos do BC, como Nelson Barbosa dizer que o governo prepara incentivos ao cr\u00e9dito e assegurar que nada ser\u00e1 como antes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Barbosa, por sinal, nunca mereceu a confian\u00e7a do BC. Ele sempre foi apontado por t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o como o mentor de v\u00e1rias das medidas que deram base \u00e0 nova matriz econ\u00f4mica. Para assessores de Tombini, \u00e9 dif\u00edcil confiar no ministro que deu in\u00edcio \u00e0 onda de deteriora\u00e7\u00e3o das expectativas inflacion\u00e1rias em agosto do ano passado ao encaminhar ao Congresso uma proposta de Or\u00e7amento para 2016 com deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es. Naquele momento, a perspectiva dos integrantes do Copom era de come\u00e7ar a reduzir as taxas de juros, devido \u00e0 depress\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Queda livre o PIB<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Para Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), ao aumentar os juros, o BC deve se preparar para a queda livre do PIB e uma onda de quebradeira de empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Taxa real e 8,5%<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Nas contas de Thadeu, com a desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o a partir deste m\u00eas e a alta da Selic, os juros reais passar\u00e3o de 7,5% para 8,5% ao ano. N\u00e3o h\u00e1 atividade produtiva que resista a tal n\u00edvel de arrocho monet\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boa parte do mercado financeiro est\u00e1 convencida de que o Banco Central elevar\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) na reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) da pr\u00f3xima semana. Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso entre os diretores sobre o aumento. A divis\u00e3o \u00e9 grande. 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