{"id":3711,"date":"2016-11-29T06:05:18","date_gmt":"2016-11-29T08:05:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3711"},"modified":"2016-11-28T23:49:53","modified_gmt":"2016-11-29T01:49:53","slug":"ate-onde-vai-o-capital-politico-de-temer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ate-onde-vai-o-capital-politico-de-temer\/","title":{"rendered":"At\u00e9 onde vai o capital pol\u00edtico de Temer"},"content":{"rendered":"<p>O governo est\u00e1 convencido de que, em vez de retroceder, a recess\u00e3o se aprofundou no terceiro trimestre do ano. Os n\u00fameros relativos ao Produto Interno Bruto (PIB) do per\u00edodo ser\u00e3o divulgados amanh\u00e3 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e a perspectiva \u00e9 que o tombo tenha ficado pr\u00f3ximo de 1%. Ser\u00e1 o primeiro resultado do PIB com o pa\u00eds totalmente sob o comando de Michel Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, um clima de apreens\u00e3o tomou conta do Pal\u00e1cio do Planalto. O governo contava com uma ligeira melhora da economia para refor\u00e7ar o apoio a Temer. O problema \u00e9 que a deteriora\u00e7\u00e3o da atividade est\u00e1 ocorrendo em meio a uma grave crise pol\u00edtica, detonada por Geddel Veira Lima, que usou o cargo de chefe da Secretaria de Governo para for\u00e7ar a libera\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9dio em uma \u00e1rea tombada em Salvador. A demora do presidente em demitir o subordinado acabou empurrando a crise para o colo dele, como ele mesmo admitiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do governo, num quadro econ\u00f4mico menos hostil, problemas pol\u00edticos acabam sendo minorados. Todos no entorno de Temer reconhecem que, se a recess\u00e3o n\u00e3o tivesse sido t\u00e3o forte, certamente o impeachment de Dilma Rousseff n\u00e3o teria acontecido. Mesmo diante da gravidade das den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo o partido dela e auxiliares pr\u00f3ximos, ela teria se segurado se o PIB n\u00e3o houvesse derretido e o desemprego disparado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Afoitos erram feio<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Logo depois que tomou posse, embalado pelo otimismo dos investidores e do empresariado, o governo de Temer chegou a prever crescimento do PIB entre julho e setembro. Os mais afoitos decretaram o fim da recess\u00e3o. Os dados divulgados m\u00eas a m\u00eas pelo IBGE, no entanto, foram apontando uma realidade mais adversa. Nem a ind\u00fastria, nem o varejo, nem o setor de servi\u00e7os esbo\u00e7aram rea\u00e7\u00e3o. Todas as proje\u00e7\u00f5es foram revistas para pior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que se assistiu, p\u00f3s-euforia do impeachment de Dilma, foi uma economia cavando um buraco no atoleiro. O fundo do po\u00e7o, infelizmente, n\u00e3o havia chegado, apesar de profissionais experientes alardearem que os primeiros sinais de rea\u00e7\u00e3o da atividade estavam se esbo\u00e7ando no horizonte. O pa\u00eds foi apresentado a uma grav\u00edssima crise fiscal nos estados \u2014 Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul na dianteira \u2014, as fam\u00edlias se viram metidas em d\u00edvidas pesad\u00edssimas com um desemprego que est\u00e1 longe de ser contido e as empresas mal est\u00e3o conseguindo pagar despesas corriqueiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOu seja, nada do que se esperava aconteceu. A verdade cruel foi que a economia continuou em derrocada e, agora, estamos no meio de uma crise pol\u00edtica que pode atrapalhar ainda mais\u201d, diz um t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica. \u201cAcredit\u00e1vamos que a pol\u00edtica havia sa\u00eddo do protagonismo e os indicadores econ\u00f4micos tomariam a cena. Erramos feio\u201d, acrescenta. Para ele, \u00e9 poss\u00edvel que tamb\u00e9m o PIB do quarto trimestre seja negativo. \u201cN\u00e3o h\u00e1 confian\u00e7a que resista a uma crise pol\u00edtica t\u00e3o s\u00e9ria quanto a que estamos vivendo. Tivemos um respiro, mas toda a incerteza voltou.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sem surpresas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Auxiliares de Temer acreditam que o governo ter\u00e1, entre hoje e amanh\u00e3, duas oportunidades para pelo menos dar uma demonstra\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 no jogo. A primeira, aprovando em primeiro turno, no Senado, a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita os aumentos dos gastos p\u00fablicos. A segunda, com o Banco Central cortando a taxa b\u00e1sica de juros (Selic). A despeito do consenso de que o custo do dinheiro ser\u00e1 reduzido em apenas 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, h\u00e1 alguns que acreditam em uma surpresa por parte do BC, anunciando queda maior na taxa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo isso, no entanto, est\u00e1 precificado pelo mercado, mesmo uma ousadia maior da autoridade monet\u00e1ria. \u201cO que n\u00e3o pode ocorrer \u00e9 o governo ser derrotado no Senado ou o BC suspender a redu\u00e7\u00e3o da Selic. Isso seria catastr\u00f3fico. Se seguirmos o roteiro tra\u00e7ado pelo mercado, j\u00e1 ser\u00e1 um \u00f3timo neg\u00f3cio\u201d, destaca um interlocutor do presidente. \u201cNum quadro de tamanha instabilidade, nada mais pode sair do roteiro. Isso vale, inclusive, para a negocia\u00e7\u00e3o com os estados. Os governadores precisam cumprir o que acertaram com o Planalto e aderirem ao ajuste fiscal\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de S\u00edlvio Campos Neto, economista da Tend\u00eancias Consultoria, a quest\u00e3o pol\u00edtica voltou a ser crucial para os rumos da economia. Ele afirma que o governo n\u00e3o deve se contentar em aprovar apenas a PEC dos gastos. Ser\u00e1 preciso avan\u00e7ar e tirar do Congresso o apoio \u00e0 reforma da Previd\u00eancia Social, pois, sem ela, com o passar dos anos, as despesas com aposentadorias e pens\u00f5es consumir\u00e3o todos os recursos p\u00fablicos. \u201cTeremos a PEC dos gastos previdenci\u00e1rios e mais nada\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>PEC previdenci\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelo cen\u00e1rio dele, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo governo, s\u00e3o de 60% as chances de Temer sair vitorioso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 PEC dos gastos e \u00e0 Previd\u00eancia, o que permitir\u00e1 ao pa\u00eds retomar, gradativamente o crescimento econ\u00f4mico nos pr\u00f3ximos anos. Mas s\u00e3o de 30% a probabilidade de fracasso, com a crise pol\u00edtica saindo do controle. Uma agenda otimista, com a aprova\u00e7\u00e3o de todas as reformas, est\u00e1 contemplada com apenas 10% de chances nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Campos Neto, n\u00e3o h\u00e1 ilus\u00e3o: a pol\u00edtica continuar\u00e1 ditando os rumos da economia no pa\u00eds. E tudo indica que haver\u00e1 muitos sobressaltos nos pr\u00f3ximos meses, devido, principalmente, \u00e0s den\u00fancias de Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura, que deixou o cargo acusando Geddel de pression\u00e1-lo para cometer irregularidades, e \u00e0s dela\u00e7\u00f5es da Odebrecht. Sendo assim, \u00e9 melhor preparar os \u00e2nimos. O Brasil ainda est\u00e1 muito longe da normalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h05min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo est\u00e1 convencido de que, em vez de retroceder, a recess\u00e3o se aprofundou no terceiro trimestre do ano. 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