{"id":3682,"date":"2016-11-24T06:50:21","date_gmt":"2016-11-24T08:50:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3682"},"modified":"2016-11-24T09:12:23","modified_gmt":"2016-11-24T11:12:23","slug":"delacao-da-odebrecht-abrira-nova-crise-politica-e-pib-minguara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/delacao-da-odebrecht-abrira-nova-crise-politica-e-pib-minguara\/","title":{"rendered":"Dela\u00e7\u00e3o da Odebrecht abrir\u00e1 nova crise pol\u00edtica e PIB minguar\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>As dela\u00e7\u00f5es da Odebrecht, que provocam p\u00e2nico em Bras\u00edlia, j\u00e1 entraram nas proje\u00e7\u00f5es de crescimento da economia em 2017. O entendimento dos especialistas \u00e9 de que o baque das den\u00fancias feitas por dirigentes da maior construtora do pa\u00eds ser\u00e1 t\u00e3o grande que o Produto Interno Bruto (PIB) ter\u00e1 crescimento ainda menor do que o projetado. A cita\u00e7\u00e3o de pelo menos 130 pol\u00edticos como benefici\u00e1rios de esquemas de corrup\u00e7\u00e3o deve abalar a confian\u00e7a no governo e na capacidade do presidente Michel Temer de levar adiante reformas importantes, como a da Previd\u00eancia Social. N\u00e3o por acaso, as dela\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamadas de o \u201cfim do mundo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As revis\u00f5es, para baixo, do PIB come\u00e7aram nas \u00faltimas duas semanas, diante dos n\u00fameros frustrantes da atividade. Nem ind\u00fastria, nem varejo, nem servi\u00e7os mostraram os sinais de recupera\u00e7\u00e3o que todos projetavam em meio \u00e0 euforia p\u00f3s-impeachment de Dilma Rousseff. Agora, n\u00e3o bastassem as quest\u00f5es puramente econ\u00f4micas, os agentes de mercado passaram a incorporar em todas as estimativas um novo terremoto pol\u00edtico. Como a perspectiva \u00e9 de que as revela\u00e7\u00f5es da Odebrecht atinjam em cheio o PMDB, o principal partido da coliga\u00e7\u00e3o que sustenta o atual governo, vota\u00e7\u00f5es importantes tendem a ser adiadas no Congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os analistas, j\u00e1 h\u00e1 um sentimento de decep\u00e7\u00e3o com o governo, devido ao fraco desempenho da economia. Para transformar essa frustra\u00e7\u00e3o em desconfian\u00e7a, falta muito pouco. Portanto, o Pal\u00e1cio do Planalto ter\u00e1 que ser muito h\u00e1bil para tentar se descolar do furac\u00e3o Odebrecht. Poucos acreditam nisso, devido \u00e0 inabilidade de Temer para se livrar de confus\u00e3o. A insist\u00eancia dele em manter Geddel Vieira Lima como ministro da Secretaria de Governo, mesmo com todas as suspeitas que pairam sobre ele, mostra um desejo incompreens\u00edvel pelo desgaste. Resta esperar pelo que o presidente far\u00e1 quando a construtora que comandou a corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras abrir definitivamente a boca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Risco maior<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabiamente, antecipando-se \u00e0s dela\u00e7\u00f5es da Odebrecht, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reduziu de 1,6% para 1% a proje\u00e7\u00e3o de crescimento do PIB em 2017. Os analistas, por\u00e9m, acreditam que a nova proje\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 carregada de otimismo. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que o avan\u00e7o da economia fique entre 0,5% e 0,7% \u2014 isso, \u00e9 claro, se o tiroteio disparado pela construtora for de baixo alcance, o que ningu\u00e9m acredita. \u201cApostou-se firme que o aumento da confian\u00e7a, depois da mudan\u00e7a de governo, seria suficiente para dar novo g\u00e1s \u00e0 economia. Isso n\u00e3o aconteceu. Quando prevaleceu a raz\u00e3o, viu-se que o pa\u00eds est\u00e1 em frangalhos, com quebradeira no setor privado e no setor p\u00fablico\u201d, diz um integrante da equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para os analistas, est\u00e1 claro o aumento da percep\u00e7\u00e3o de risco do Brasil. Os Credit Default Swap (CDS), esp\u00e9cie de seguro negociado entre os investidores, voltaram a subir. Em 19 de outubro, quando houve a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), que cortou a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) de 14,25% para 14%, o CDS estava em 263 pontos. Ontem, encostou nos 300. \u201cO sinal de alerta em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil voltou a piscar. Nada muito forte, mas o suficiente para despertar a preocupa\u00e7\u00e3o dos agentes de mercado. Todos v\u00e3o monitorar at\u00e9 que ponto as dela\u00e7\u00f5es da Odebrecht podem desestabilizar o governo. Ser\u00e3o dias de tens\u00e3o pela frente\u201d, afirma um importante executivo do sistema financeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Planalto, assessores pr\u00f3ximo de Temer n\u00e3o escondem o nervosismo. Eles ressaltam que, por mais pesadas que sejam as den\u00fancias de Marcelo Odebrecht e cia, elas n\u00e3o devem atingir diretamente o presidente da Rep\u00fablica. O problema, acrescentam, \u00e9 saber at\u00e9 que ponto o entorno dele ser\u00e1 fragilizado. Sabe-se que alguns ministros est\u00e3o nas listas de propinas que foram encontradas no departamento financeiro paralelo da construtora. Ser\u00e1 dif\u00edcil para o Planalto proteg\u00ea-los como fez com Geddel diante das den\u00fancias de que ele teria for\u00e7ado o ent\u00e3o ministro da Cultura, Marcelo Calero, a liberar a constru\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9dio em uma \u00e1rea tombada de Salvador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Calote no consignado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do estrago provocado pela Odebrecht, os analistas t\u00eam apontado como trava para o PIB o aperto nas condi\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias. O conservadorismo adotado pelo Banco Central no processo de redu\u00e7\u00e3o da Selic fez com que os bancos mantivessem o p\u00e9 no freio da concess\u00e3o de cr\u00e9dito. Para piorar, a quebradeira dos estados est\u00e1 provocando calotes em opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito consignado de servidores, o que levar\u00e1 as institui\u00e7\u00f5es financeiras a serem ainda mais seletivas. O cr\u00e9dito, que poderia ser uma alavanca para o crescimento, tornou-se um inibidor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No exterior, as empresas brasileiras v\u00eam sendo obrigadas a pagar parte das d\u00edvidas que est\u00e3o vencendo. Em tempos de normalidade, as companhias n\u00e3o s\u00f3 conseguem rolar 100% dos d\u00e9bitos, como obter recursos extras. Em outubro, de cada US$ 100 vencidos, apenas US$ 44 foram refinanciados. Ou seja, as empresas tiveram que raspar o caixa para honrar compromissos, reduzindo a capacidade de investimentos. Em novembro, ressalta o BC, a taxa de rolagem caiu para 39%. \u201cRealmente, o momento \u00e9 p\u00e9ssimo para as empresas e para as fam\u00edlias, quando o assunto \u00e9 cr\u00e9dito. Os bancos travaram os empr\u00e9stimos e, quando os fazem, imp\u00f5em condi\u00e7\u00f5es pesad\u00edssimas\u201d, explica um t\u00e9cnico da autoridade monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse ambiente t\u00e3o hostil, o governo n\u00e3o pode cometer nenhum deslize. Se passar inseguran\u00e7a e fragilidade para os agentes econ\u00f4micos, tornar\u00e1 o que j\u00e1 est\u00e1 ruim em algo pior. A ordem de Temer \u00e9 para manter os p\u00e9s no ch\u00e3o e a cabe\u00e7a erguida. O presidente acredita que o pa\u00eds avan\u00e7ou bastante nos \u00faltimos meses, sobretudo por ter aprovado em dois turnos, na C\u00e2mara, a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento dos gastos. A medida ainda depende do aval do Senado. Vamos ver qual ser\u00e1 o seu ritmo de tramita\u00e7\u00e3o quando o \u201cfim do mundo\u201d das dela\u00e7\u00f5es da Odebrecht arreganhar os dentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h50min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As dela\u00e7\u00f5es da Odebrecht, que provocam p\u00e2nico em Bras\u00edlia, j\u00e1 entraram nas proje\u00e7\u00f5es de crescimento da economia em 2017. O entendimento dos especialistas \u00e9 de que o baque das den\u00fancias feitas por dirigentes da maior construtora do pa\u00eds ser\u00e1 t\u00e3o grande que o Produto Interno Bruto (PIB) ter\u00e1 crescimento ainda menor do que o projetado. 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