{"id":3671,"date":"2016-11-22T06:50:45","date_gmt":"2016-11-22T08:50:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3671"},"modified":"2016-11-22T07:45:20","modified_gmt":"2016-11-22T09:45:20","slug":"com-cortes-de-vagas-e-incentivo-aposentadoria-estatais-tentam-se-livrar-do-aparelhamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/com-cortes-de-vagas-e-incentivo-aposentadoria-estatais-tentam-se-livrar-do-aparelhamento\/","title":{"rendered":"Com cortes de vagas e incentivo \u00e0 aposentadoria, estatais tentam se livrar do aparelhamento"},"content":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A reestrutura\u00e7\u00e3o promovida pelo Banco do Brasil (BB) \u00e9 um reflexo da necessidade de as estatais se adequarem \u00e0 nova realidade da economia brasileira. Com a atividade em frangalhos, as apostas de crescimento robusto se transformaram em desafios de gest\u00e3o para cortar custos e manter as empresas rent\u00e1veis. Al\u00e9m disso, esquemas de corrup\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias delas \u2014 o que n\u00e3o ocorreu no caso do BB \u2014 dilapidaram seus patrim\u00f4nios e as obrigaram a rever planos de investimento e a reduzirem d\u00edvidas monstruosas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao incentivar a aposentadoria de empregados, cortar o n\u00famero de ag\u00eancias e fechar vagas em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds, o BB tenta diminuir o aparelhamento promovido durante as gest\u00f5es petistas de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e de Dilma Rousseff. Diversos concursos foram realizados sem necessidade, tornando-se alvos de questionamento do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso do BB, as medidas de enxugamento foram tomadas diante da queda na lucratividade e n\u00e3o devido a esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o. O banco gasta, em m\u00e9dia, R$ 3 bilh\u00f5es a mais que os concorrentes privados somente com a folha de pessoal. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. A institui\u00e7\u00e3o quer ganhar mais espa\u00e7o nas transa\u00e7\u00f5es digitais, que custam bem menos. O presidente da estatal, Paulo Rog\u00e9rio Caffarelli, projeta que, at\u00e9 o fim do pr\u00f3ximo ano, o BB ter\u00e1 500 escrit\u00f3rios e ag\u00eancias digitais. Atualmente, s\u00e3o 245. Ele destaca que o fechamento de ag\u00eancias visa reduzir custos nos pontos em que n\u00e3o h\u00e1 \u201csuperavit\u201d. Com a crise econ\u00f4mica, diversas pra\u00e7as deixaram de ser atrativas, ou n\u00e3o t\u00eam demanda para mais de uma ag\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em muitos casos, o crescimento desenfreado e sem planejamento das estatais abriu espa\u00e7o para a corrup\u00e7\u00e3o, como na Petrobras. A empresa surfou, durante os anos 2000, em meio ao processo de alta do petr\u00f3leo e da descoberta do pr\u00e9-sal. A companhia previa investir mais de US$ 130 bilh\u00f5es entre 2015 e 2019, mesmo ap\u00f3s o estouro do maior esquema de pagamento de propinas j\u00e1 visto no pa\u00eds, desnudado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Diante, por\u00e9m, de um endividamento gigantesco, que, no fim do ano passado, chegou a R$ 492,8 bilh\u00f5es, foi obrigada a reduzir o montante para US$ 98,4 bilh\u00f5es. Em setembro, as perspectivas para as aplica\u00e7\u00f5es minguaram para US$ 74,1 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todo esse processo \u00e9 fruto da falta de planejamento e das rela\u00e7\u00f5es nada republicanas de estatais com pol\u00edticos e com construtoras. Para fazer frente aos desafios de gest\u00e3o, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou um Plano de Incentivo ao Desligamento Volunt\u00e1rio (PIDV) para at\u00e9 12 mil empregados, com custo previsto de R$ 4,4 bilh\u00f5es e uma economia esperada de R$ 33 bilh\u00f5es at\u00e9 2020. Com 11.704 ades\u00f5es at\u00e9 31 de agosto, o programa custar\u00e1 R$ 4 bilh\u00f5es aos cofres da petroleira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outra empresa p\u00fablica em grave crise financeira \u00e9 a Empresa Brasileira de Correios e Tel\u00e9grafos (ECT). A estatal lan\u00e7ou, em 10 de novembro, um plano de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria para reduzir o n\u00famero de empregados, que chega 117 mil. Durante o an\u00fancio, o presidente dos Correios, Guilherme Campos, estimou que 14 mil funcion\u00e1rios preenchem as condi\u00e7\u00f5es para deixar a companhia. Ele avaliou que at\u00e9 8 mil funcion\u00e1rios devem aderir ao programa, que pode gerar economia anual de R$ 1 bilh\u00e3o com a folha de pagamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de reduzir o n\u00famero de empregados foi a solu\u00e7\u00e3o encontrada ap\u00f3s o Tesouro Nacional recusar um pedido de capitaliza\u00e7\u00e3o de R$ 840 milh\u00f5es. A estatal negocia um empr\u00e9stimo de R$ 750 milh\u00f5es com o Banco do Brasil para cobrir necessidades financeiras de curto prazo. Campos estimou, na oportunidade, que o rombo nas contas, que deve alcan\u00e7ar R$ 2 bilh\u00f5es at\u00e9 o fim do ano, \u00e9 fruto do congelamento de tarifas postais nas gest\u00f5es petistas e do pagamento de R$ 6 bilh\u00f5es em dividendos ao governo entre 2007 e 2013. Sem esses recursos, a empresa deixou de fazer investimentos e de ter caixa para cobrir as necessidades de financiamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Problemas em s\u00e9rie<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os problemas das estatais tamb\u00e9m atingiram o setor el\u00e9trico. A Eletrobras, que, s\u00f3 com a Petrobras, possui d\u00edvida de R$ 5 bilh\u00f5es, revisou o Plano Diretor de Neg\u00f3cios e de Gest\u00e3o 2017- 2021, que prev\u00ea investimentos de R$ 35,8 bilh\u00f5es no per\u00edodo. O montante \u00e9 29% menor que os R$ 50,3 bilh\u00f5es estimados no plano anterior, que ia de 2015 a 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A companhia pretende reduzir em 30% o n\u00famero de empregados at\u00e9 2018. A expectativa \u00e9 que os programas de incentivo ao desligamento volunt\u00e1rio e \u00e0 aposentadoria tenham a ades\u00e3o de 5,6 mil empregados e resultem em uma economia de R$ 1,5 bilh\u00e3o por ano. A empresa possui, atualmente, 18,7 mil funcion\u00e1rios e a meta \u00e9 chegar at\u00e9 2018 com 13 mil. N\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos os 5,9 mil empregados nas distribuidoras que ser\u00e3o privatizadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas contas da Eletrobras, o plano de aposentadoria incentivada e o incentivo ao desligamento custar\u00e3o R$ 2,6 bilh\u00f5es. A empresa pretende renovar o quadro de pessoal, que possui, na holding, 38% dos empregados com mais de 51 anos de idade, e 45% nas controladas. Esse grupo tem sal\u00e1rio maior que a m\u00e9dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Caixa Econ\u00f4mica Federal deve anunciar nos pr\u00f3ximos dias mudan\u00e7as nas suas vice-presid\u00eancias, ap\u00f3s um fracassado plano de corte de custos iniciado ainda na gest\u00e3o de M\u00edriam Belchior. O banco p\u00fablico quer privatizar parte dos ativos, entre eles os da Caixa Seguridade, mas esse processo ainda n\u00e3o est\u00e1 claro. Com a queda na lucratividade, o temor \u00e9 de que a estatal tenha de receber um aporte do Tesouro, fato negado pelo presidente, Gilberto Occhi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante de todos esses problemas, o governo pode ser obrigado a socorrer as empresas e aprofundar ainda mais o deficit das contas p\u00fablicas, ou seja, os cidad\u00e3os brasileiros correm o risco de custear os imbr\u00f3glios, que s\u00e3o fruto da falta de planejamento, da corrup\u00e7\u00e3o e do aparelhamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h50min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO &nbsp; A reestrutura\u00e7\u00e3o promovida pelo Banco do Brasil (BB) \u00e9 um reflexo da necessidade de as estatais se adequarem \u00e0 nova realidade da economia brasileira. Com a atividade em frangalhos, as apostas de crescimento robusto se transformaram em desafios de gest\u00e3o para cortar custos e manter as empresas rent\u00e1veis. 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