{"id":363,"date":"2015-12-23T08:30:13","date_gmt":"2015-12-23T10:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=363"},"modified":"2015-12-25T16:41:25","modified_gmt":"2015-12-25T18:41:25","slug":"o-que-nos-aguarda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-que-nos-aguarda\/","title":{"rendered":"O QUE NOS AGUARDA"},"content":{"rendered":"<p>Definitivamente, 2016 n\u00e3o ser\u00e1 um ano f\u00e1cil. Por mais que o governo propagandeie o discurso de que, passado o sufoco que estamos vivendo, tempos de bonan\u00e7a est\u00e3o por vir, a realidade que nos aguarda ser\u00e1 cruel. Os estragos promovidos pela presidente Dilma Rousseff na economia foram t\u00e3o profundos, que, mesmo no fim do segundo mandato dela, em 2018, o pa\u00eds ainda estar\u00e1 recolhendo os cacos. Talvez, estejamos com a cabe\u00e7a fora do atoleiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo ano come\u00e7ar\u00e1 com desemprego em massa. Muitas empresas que ainda conseguiram segurar parte dos funcion\u00e1rios, acreditando que a economia poderia retomar o f\u00f4lego, s\u00f3 est\u00e3o esperando o Natal passar para dar in\u00edcio \u00e0s demiss\u00f5es. Os poucos trabalhadores que conseguiram uma vaga tempor\u00e1ria neste fim de 2015 n\u00e3o ser\u00e3o efetivados. N\u00e3o h\u00e1 como manter essas pessoas com as margens de lucro cada vez menores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Fazenda t\u00eam n\u00fameros alarmantes sobre a quantidade de empresas que est\u00e3o quebrando. Os dados foram repassados pelos bancos p\u00fablicos, que t\u00eam vis\u00e3o privilegiada da economia real. Muitas das companhias em dificuldades ou s\u00e3o ou foram clientes dessas institui\u00e7\u00f5es O quadro \u00e9 t\u00e3o dram\u00e1tico, diz um executivo de um dos bancos controlados pelo Tesouro Nacional, que, mesmo que o governo venha a dar incentivos \u00e0 economia, n\u00e3o haver\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desemprego vir\u00e1 acompanhado de renda em queda e juros em alta. A infla\u00e7\u00e3o, que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, promete que cair\u00e1, continuar\u00e1 firme no primeiro trimestre de 2016. As proje\u00e7\u00f5es apontam que, nesse per\u00edodo, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) acumular\u00e1 eleva\u00e7\u00e3o de 3%, devido, sobretudo, aos produtos in natura, afetados pelas chuvas. Assim, o custo de vida continuar\u00e1 rodando, em 12 meses, muito perto de 10%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para tentar conter a dissemina\u00e7\u00e3o da carestia \u2014 oito em cada 10 produtos e servi\u00e7os pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) v\u00eam sendo reajustados \u2014, o Banco Central j\u00e1 avisou que aumentar\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) a partir de janeiro. As apostas s\u00e3o de aumento de 0,5 ponto percentual, dos atuais 14,25% para 14,75% ao ano. O grosso dos analistas acredita que a Selic pode ir a 15,25% at\u00e9 abril.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso significa dizer que os bancos n\u00e3o v\u00e3o perdoar. Toda a alta da taxa b\u00e1sica e mais um pouco ser\u00e3o repassados ao distinto p\u00fablico. As institui\u00e7\u00f5es financeiras n\u00e3o perdoam a clientela. Somente neste ano, os juros m\u00e9dios cobrados dos consumidores subiram de 49,5% para 64,8%, ou seja, 15,3 pontos percentuais, o equivalente a seis vezes a alta da Selic no mesmo per\u00edodo, de 2,5 pontos, de 11,75% para 14,25%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Convuls\u00e3o social<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de desemprego em alta, infla\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 10% e juros apontando para cima ser\u00e1 regada \u00e0 recess\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que o Produto Interno Bruto (PIB) caia mais 3% em 2016. Na vida real, por\u00e9m, a retra\u00e7\u00e3o ser\u00e1 muito maior. O resultado do PIB estar\u00e1 contaminado pelo impacto positivo do setor externo, que s\u00f3 est\u00e1 ocorrendo por causa da recess\u00e3o. Como as importa\u00e7\u00f5es desabaram muito mais que as exporta\u00e7\u00f5es, o saldo positivo na balan\u00e7a comercial cria um efeito estat\u00edstico distorcido. O que importa, de verdade, \u00e9 a queda da demanda interna. E essa derreteu pelo menos 7% em 2015 e deve encolher cerca de 5% no ano que vem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio a tudo isso, os brasileiros ter\u00e3o que viver com uma renda igual ou inferior \u00e0 que se viu em 2010. Trata-se de um retrocesso sem precedentes em pelo menos tr\u00eas d\u00e9cadas. Por isso, muitos especialistas j\u00e1 trabalham com um quadro de convuls\u00e3o social nos pr\u00f3ximos meses. As ruas dever\u00e3o ser tomadas, principalmente, pelas classes de menor renda, que est\u00e3o vendo conquistas importantes se esvaindo. Nem mesmo o Bolsa Fam\u00edlia ser\u00e1 suficiente para amenizar o mal-estar. Das transfer\u00eancias realizadas pelo governo \u00e0s camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o, ao menos 80% v\u00e3o para a compra de alimentos. E esses, de t\u00e3o caros, est\u00e3o desaparecendo das mesas de muitos lares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum terrorismo em se tra\u00e7ar esse quadro. Essa \u00e9 a realidade que nos aguarda. O governo acredita \u2014 assim como acreditou com Joaquim Levy \u2014 que o novo ministro da Fazenda ser\u00e1 o salvador da p\u00e1tria, uma \u201csurpresa positiva\u201d, como diz Dilma. Desejo e realidade, no entanto, n\u00e3o andam juntos no Brasil comandado pela petista. At\u00e9 porque a presidente insiste em empurrar a economia para a beira do precip\u00edcio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Resta torcer para, quando 2017 chegar, que ainda estejamos de p\u00e9. A travessia ser\u00e1 \u00e1rdua, mas o Brasil j\u00e1 deu grandes demonstra\u00e7\u00f5es de que \u00e9 capaz de superar adversidades. Nem Dilma Rousseff ser\u00e1 capaz de impedir isso. Ela conseguir\u00e1, no entanto, tornar a vida de todos mais dif\u00edcil. Ser\u00e1 o pre\u00e7o a pagar pelo fato de as urnas, mesmo que com pequena diferen\u00e7a, terem lhe garantindo mais quatro anos de mandato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Definitivamente, 2016 n\u00e3o ser\u00e1 um ano f\u00e1cil. Por mais que o governo propagandeie o discurso de que, passado o sufoco que estamos vivendo, tempos de bonan\u00e7a est\u00e3o por vir, a realidade que nos aguarda ser\u00e1 cruel. 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