{"id":3598,"date":"2016-11-15T06:50:00","date_gmt":"2016-11-15T08:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3598"},"modified":"2016-11-15T12:50:04","modified_gmt":"2016-11-15T14:50:04","slug":"governo-temer-nao-conseguiu-recuperar-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/governo-temer-nao-conseguiu-recuperar-a-economia\/","title":{"rendered":"Acabou a euforia"},"content":{"rendered":"<p>A grande maioria dos investidores e analistas de mercados acreditou que, com o afastamento de Dilma Rousseff do poder, uma onda de otimismo varreria o Brasil e a recess\u00e3o que maltrata empresas e popula\u00e7\u00e3o seria varrida rapidamente do mapa. Apressados, muitos economistas e gente gra\u00fada do governo de Michel Temer trataram de divulgar estimativas mostrando que n\u00e3o s\u00f3 o segundo semestre deste ano seria melhor, como havia a possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 2% ou mais em 2017. A onda de euforia se mostrou forte, mas n\u00e3o conseguiu resistir \u00e0 realidade. A situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds continua muito ruim, a recess\u00e3o ainda domina a cena e a recupera\u00e7\u00e3o no ano que vem, se vier, ser\u00e1 fraca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cair na real \u00e9 doloroso. Mas n\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria. A destrui\u00e7\u00e3o da economia durante o governo de Dilma foi t\u00e3o profunda, que reconstruir as bases levar\u00e1 mais tempo do que o desejado. Nem mesmo a superequipe montada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apontada como salvadora da P\u00e1tria, est\u00e1 conseguindo reverter o desastre. \u00c9 verdade que n\u00e3o faltou esfor\u00e7o por parte do governo, mas todos subestimaram a situa\u00e7\u00e3o da economia. Empresas e fam\u00edlias est\u00e3o superendividadas, minando as duas principais for\u00e7as motoras do PIB, os investimentos e o consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sentimento de des\u00e2nimo j\u00e1 vinha se desenhando no governo e no mercado havia algumas semanas, mas, agora, h\u00e1 a certeza de que o quadro \u00e9 devastador. Pior: a percep\u00e7\u00e3o de que a economia permanece em frangalhos se juntou \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump para a presid\u00eancia dos Estados Unidos. Desde que o resultado foi anunciado, um sentimento de p\u00e2nico tomou conta dos investidores, com o d\u00f3lar subindo quase 9%, flertando com os R$ 3,50. A disparada da moeda norte-americana traz de volta ao cen\u00e1rio a infla\u00e7\u00e3o, que vinha dando tr\u00e9gua, e inibe os passos cuidadosamente tra\u00e7ados pelo Banco Central para reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEntramos em um quadro em que s\u00f3 prevalecem not\u00edcias ruins\u201d, diz um integrante da equipe econ\u00f4mica. \u201cA economia vai demorar mais para se recuperar, a infla\u00e7\u00e3o pode se assanhar de novo e os juros v\u00e3o cair menos\u201d, acrescenta. Para tentar minimizar os estragos, ele acredita que o governo precisa se movimentar no Senado para aprovar, o mais rapidamente poss\u00edvel, a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento dos gastos p\u00fablicos. \u201cTemos que mostrar que continuamos agindo para criar todas as bases para o crescimento sustentado da economia, mesmo que isso se d\u00ea mais adiante. N\u00e3o podemos descuidar desse assunto em nenhum momento\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Preju\u00edzos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o complicada que, para conter o sentimento de p\u00e2nico que come\u00e7a a tomar conta dos investidores, o governo decidiu fazer uma interven\u00e7\u00e3o conjunta do Banco Central e do Tesouro Nacional nos mercados. De um lado, o BC vendendo d\u00f3lares; de outro, o Tesouro comprando t\u00edtulos p\u00fablicos, j\u00e1 que muitos detentores desses pap\u00e9is v\u00eam acumulando pesados preju\u00edzos. \u201cN\u00e3o podemos ficar parados, assistindo passivamente o que est\u00e1 acontecendo no mercado. A interven\u00e7\u00e3o conjunta \u00e9 uma maneira de reafirmar a nossa disposi\u00e7\u00e3o de conter movimentos at\u00edpicos\u201d, ressalta um t\u00e9cnico da Fazenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o de Temer \u00e9 para que o BC e a Fazenda contenham o nervosismo e indiquem que n\u00e3o permitir\u00e3o distor\u00e7\u00f5es nos mercados. \u201cO presidente est\u00e1 ciente de que a maior parte da volatilidade dos mercados tem a ver com a elei\u00e7\u00e3o de Trump. Contudo, ele t\u00eam cobrado uma a\u00e7\u00e3o mais en\u00e9rgica, para evitar a percep\u00e7\u00e3o de que o governo est\u00e1 se deixando tragar pela onda de pessimismo\u201d, emenda um assessor presidencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio do Planalto acredita que as desconfian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao futuro presidente dos Estados Unidos tender\u00e1 a diminuir nos pr\u00f3ximos dias, \u00e0 medida que ele for revelando a composi\u00e7\u00e3o de sua equipe e deixando de lado o discurso mais radical. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para acreditar em tudo o que Trump prometeu na campanha. Os investidores acabar\u00e3o entendendo isso. S\u00f3 resta saber quando isso acontecer\u00e1\u201d, afirma o auxiliar de Temer. O maior temor dos donos do dinheiro \u00e9 que o sucessor de Barack Obama traga de volta a infla\u00e7\u00e3o, estra\u00e7alhe as contas p\u00fablicas e ponha em pr\u00e1tica medidas protecionistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Reservas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Banco Central, a ordem \u00e9 manter a serenidade. Os t\u00e9cnicos acreditam que os leil\u00f5es de swap tradicional ser\u00e3o suficientes para p\u00f4r os pre\u00e7os do d\u00f3lar nos trilhos. Eles ressaltam, no entanto, que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 pronta para atuar em todas as frentes, como j\u00e1 declarou seu presidente, Ilan Goldfajn. Isso quer dizer que, numa situa\u00e7\u00e3o extrema, o BC n\u00e3o se furtar\u00e1 de vender d\u00f3lares das reservas internacionais no mercado \u00e0 vista. \u201cN\u00e3o acreditamos que chegaremos a esse ponto. Mesmo em momentos cr\u00edticos, como o da demiss\u00e3o de Joaquim Levy do Minist\u00e9rio da Fazenda, n\u00e3o recorremos a esse expediente\u201d, diz um graduado funcion\u00e1rio da autoridade monet\u00e1ria. \u201cPodemos dizer seguramente que, neste momento, as circunst\u00e2ncias s\u00e3o administr\u00e1veis\u201d, complementa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seja como for, o sinal de alerta est\u00e1 ligado. O governo est\u00e1 monitorando at\u00e9 onde o d\u00f3lar pode ir, qual o tamanho da destrui\u00e7\u00e3o de riquezas na Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (BM&amp;FBovespa), como ser\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o se os pre\u00e7os da moeda norte-americana se sustentarem num n\u00edvel acima de R$ 3,40 e como as empresas mais endividadas no exterior ser\u00e3o impactadas. N\u00e3o se pode esquecer que o al\u00edvio do d\u00f3lar nos \u00faltimos meses permitiu um al\u00edvio fundamental no caixa das companhias. \u201cEstamos em outro mundo. A euforia de at\u00e9 uma semana atr\u00e1s n\u00e3o existe mais\u201d, sentencia um subordinado de Meirelles. Agora, acrescenta ele, aumentou a responsabilidade do governo. Qualquer ato falho ser\u00e1 um potencializador de uma crise que nada tem de insignificante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h50min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande maioria dos investidores e analistas de mercados acreditou que, com o afastamento de Dilma Rousseff do poder, uma onda de otimismo varreria o Brasil e a recess\u00e3o que maltrata empresas e popula\u00e7\u00e3o seria varrida rapidamente do mapa. 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