{"id":353,"date":"2015-12-19T08:30:08","date_gmt":"2015-12-19T10:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=353"},"modified":"2015-12-19T12:51:48","modified_gmt":"2015-12-19T14:51:48","slug":"a-velha-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-velha-dilma\/","title":{"rendered":"A VELHA DILMA"},"content":{"rendered":"<p>O novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, diz n\u00e3o gostar de r\u00f3tulos e de estere\u00f3tipos e garante que o governo aprendeu com os erros do passado, ao se referir \u00e0 tal nova matriz econ\u00f4mica que vigorou no primeiro mandato de Dilma Rousseff e empurrou o Brasil para a mais profunda recess\u00e3o em quase quatro d\u00e9cadas. No primeiro discurso como comandante da equipe econ\u00f4mica, assegurou que o ajuste fiscal \u00e9 a maior das prioridades do governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil acreditar nas palavras de Barbosa, dado seu hist\u00f3rico como defensor de pol\u00edticas desastrosas que trouxeram de volta a infla\u00e7\u00e3o e o desemprego. Como secret\u00e1rio executivo da Fazenda, nos quatro primeiros anos do governo Dilma, formulou pol\u00edticas de subs\u00eddios que estra\u00e7alharam as contas p\u00fablicas e participou das pedaladas fiscais que deram base ao pedido de impeachment da presidente da Rep\u00fablica. Se condenado pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), pode ser proibido de exercer cargo p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Barbosa \u00e9 uma metamorfose ambulante. Neste ano, quando assumiu o Minist\u00e9rio do Planejamento, apresentou um discurso muito afinado com seu antecessor na Fazenda, Joaquim Levy. Aos poucos, por\u00e9m, foi mostrando sua real face, a de um economista n\u00e3o muito comprometido com o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas. Sob o argumento de que o ajuste fiscal n\u00e3o deveria ser t\u00e3o rigoroso, a ponto de comprometer o crescimento econ\u00f4mico, passou sistematicamente a bombardear as propostas de Levy. E n\u00e3o precisou de muito esfor\u00e7o para convencer Dilma a embarcar em suas aventuras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As investidas de Barbosa, no entanto, s\u00f3 contribu\u00edram para agravar a crise econ\u00f4mica. Ao enviar ao Congresso uma proposta de Or\u00e7amento de 2016 com deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es, ele apressou a perda do selo de bom pagador do pa\u00eds pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P). No in\u00edcio da semana, convenceu a chefe a reduzir a meta fiscal proposta por Levy para o ano que vem, de 0,7% para 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), com possibilidade de o resultado ser zerado depois de uma s\u00e9rie de abatimentos. Foi a vez da Fitch de rebaixar o pa\u00eds para o grupo de pa\u00edses considerados lixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O novo ministro da Fazenda, por sinal, n\u00e3o descarta adotar, a partir de 2017, o sistema de bandas para as metas fiscais. Afirma que, no ano que vem, seguir\u00e1 \u00e0 risca o que determinou o Congresso, que fixou o superavit prim\u00e1rio em 0,5% do PIB, mas proibiu os abatimentos. Nos anos seguintes, entretanto, tudo pode acontecer. Barbosa est\u00e1 convencido de que esse \u00e9 o melhor modelo para acomodar as frustra\u00e7\u00f5es de receitas e a necessidade de o governo ampliar os gastos para incentivar setores espec\u00edficos com o intuito de estimular o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Replay de Mantega<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Barbosa na Fazenda \u00e9 a volta da velha Dilma. Por mais que ele diga o contr\u00e1rio, a pol\u00edtica econ\u00f4mica que prevalecer\u00e1 daqui por diante ser\u00e1 muito parecida com a que se viu entre 2011 e 2014, cujos estragos est\u00e3o custando caro ao pa\u00eds. O novo chefe da equipe econ\u00f4mica ser\u00e1 apenas o executor do que a presidente definir. E ela j\u00e1 disse que ceder\u00e1 aos pleitos dos movimentos sociais que pedem uma pol\u00edtica fiscal mais flex\u00edvel. A petista precisa, desesperadamente, desses movimentos para ocupar as ruas contra o impeachment.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, muitos dentro do governo j\u00e1 consideram Barbosa o replay de Guido Mantega, que nunca teve voz ativa, apenas colocava em pr\u00e1tica o que a chefe definia. Mas o sucessor de Levy est\u00e1 disposto a desempenhar esse papel de subservi\u00eancia. Para ele, o mais importante \u00e9 desfrutar do poder, de ocupar a cadeira com a qual tanto sonhou e desejou. \u201cDe in\u00edcio, Barbosa refor\u00e7ar\u00e1 o compromisso com a responsabilidade fiscal, at\u00e9 para acalmar os \u00e2nimos dos investidores. Mas bastar\u00e1 Dilma exigir uma interven\u00e7\u00e3o mais forte do Estado na economia para a m\u00e1scara cair. \u00c9 do jogo\u201d, diz um dos poucos ministros que defendiam a perman\u00eancia de Levy na Fazenda como contraponto \u00e0s loucuras do Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se Dilma n\u00e3o mudou at\u00e9 agora, com a economia em frangalhos e o fechamento de 1,5 milh\u00e3o de vagas com carteira assinada nos \u00faltimos 12 meses, n\u00e3o ser\u00e1 agora, com Barbosa abaixando a cabe\u00e7a para tudo, que ser\u00e1 diferente. O resultado, todos podem esperar: aumento da desconfian\u00e7a, decep\u00e7\u00e3o com o fiscal, d\u00edvida p\u00fablica nas alturas, mais demiss\u00f5es e a necessidade de o Banco Central elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) al\u00e9m do desejado para evitar o descontrole da infla\u00e7\u00e3o. E mais: a recess\u00e3o, que j\u00e1 destruiu 2015, se aprofundar\u00e1 em 2016 e tem tudo para comprometer 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dilma e Barbosa formam a dupla perfeita. Pensam da mesma forma. Acreditam que o governo pode tudo. Enquanto os dois se encarregar\u00e3o de formular e executar a nova pol\u00edtica econ\u00f4mica, ou a velha matriz econ\u00f4mica, o Brasil caminhar\u00e1 ladeira abaixo, empurrando o futuro para depois, comprometendo a vida de gera\u00e7\u00f5es que tinham tudo para tirar proveito de um pa\u00eds pr\u00f3spero e menos desigual. Os oito anos de governo de Dilma t\u00eam tudo para ser as trevas. E n\u00e3o h\u00e1 nenhum exagero nisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi o que restou<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Para os t\u00e9cnicos da Fazenda, a escolha de Nelson Barbosa como sucessor de Levy foi a pior op\u00e7\u00e3o de Dilma. Mas todos reconhecem que, diante do que est\u00e1 por vir e do que foi feito com o ex-ministro, seria um milagre algu\u00e9m mais conceituado ir para o sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, diz n\u00e3o gostar de r\u00f3tulos e de estere\u00f3tipos e garante que o governo aprendeu com os erros do passado, ao se referir \u00e0 tal nova matriz econ\u00f4mica que vigorou no primeiro mandato de Dilma Rousseff e empurrou o Brasil para a mais profunda recess\u00e3o em quase quatro d\u00e9cadas. 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