{"id":3528,"date":"2016-11-08T06:50:10","date_gmt":"2016-11-08T08:50:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3528"},"modified":"2016-11-08T08:02:05","modified_gmt":"2016-11-08T10:02:05","slug":"eleicao-nos-eua-expoe-radicalismo-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/eleicao-nos-eua-expoe-radicalismo-no-mundo\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00e3o nos EUA exp\u00f5e radicalismo no mundo"},"content":{"rendered":"<p>A radicaliza\u00e7\u00e3o que se viu durante o processo eleitoral dos Estados Unidos vai se repetir mundo afora. A crise financeira ainda n\u00e3o curada de 2008 fez surgir um mundo de extremos, que ter\u00e1 consequ\u00eancias cru\u00e9is. O discurso ultranacionalista propagado por Donald Trump pode n\u00e3o ser o vencedor na disputa que ser\u00e1 encerrada hoje, mas encontrou eco n\u00e3o apenas na maior economia no planeta. Est\u00e1 sendo replicado em boa parte do globo, sem os holofotes da briga travada entre o magnata republicano e a democrata Hillary Clinton.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que ningu\u00e9m acredite que a vit\u00f3ria de Hillary apontada pela maior parte das pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos selar\u00e1 a paz nos EUA. Muito pelo contr\u00e1rio. As feridas abertas na maior democracia do planeta s\u00e3o profundas demais. O racismo exacerbado, a xenofobia, a intoler\u00e2ncia, o protecionismo v\u00e3o provocar s\u00e9rios conflitos, com repercuss\u00f5es assustadoras. Tempos sombrios nos esperam. N\u00e3o h\u00e1 lideran\u00e7as hoje no mundo capazes de apaziguar os \u00e2nimos e permitir uma travessia mais tranquila.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nem mesmo Barack Obama, com todo o seu carisma, foi capaz de conter os movimentos extremistas nos Estados Unidos. Em seu governo, o racismo se agigantou. H\u00e1 pelo menos duas d\u00e9cadas n\u00e3o se via tantos negros mortos pela pol\u00edcia. O mais assustador \u00e9 que todo o retrocesso visto nos EUA ocorre num momento de recupera\u00e7\u00e3o da economia e de forte queda do desemprego. Isso mostra que os problemas est\u00e3o muito al\u00e9m das quest\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A onda dos extremos que tem o populismo como bandeira ganhou for\u00e7a com a decis\u00e3o do Reino Unido de deixar a Uni\u00e3o Europeia. O Brexit foi o detonador de um movimento que encontrou em Trump seu mais poderoso porta-voz. O risco de que a Europa Ocidental se renda ao ultranacionalismo \u00e9 grande. Basta ver a for\u00e7a que os defensores desse tantos absurdos v\u00eam ganhando na Fran\u00e7a, na It\u00e1lia e na Alemanha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina, onde o populismo da esquerda levou \u00e0 derrocada as tr\u00eas maiores economias da regi\u00e3o \u2014 Brasil, Argentina e Venezuela \u2014, na Europa, o nacionalismo exacerbado est\u00e1 sendo empunhado pela direita. Na Inglaterra, a primeira-ministra, Thereza May, com todo o seu conservadorismo, j\u00e1 embarcou num discurso perigoso. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante na Turquia e na R\u00fassia, comandadas por l\u00edderes com posturas imperiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O ruim e o pior<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muita gente viu na rea\u00e7\u00e3o dos mercados ontem um total voto de confian\u00e7a dos investidores para Hillary Clinton. Na verdade, foi apenas uma op\u00e7\u00e3o pelo ruim em vez do pior \u2014 no caso, Trump. S\u00e3o muitas as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao que ser\u00e1 um eventual governo da democrata. Os donos do dinheiro querem saber qual ala do partido de Hillary, caso ela saia vencedora hoje, prevalecer\u00e1 quando ela chegar \u00e0 Casa Branca. De um lado, est\u00e1 o grupo mais esquerdista, representado pelos senadores Elizabeth Warren e Bernie Sanders (que disputou a vaga com a democrata). De outro, o grupo mais pr\u00f3-mercado, comandado pelo economista Larry Summers, ex-secret\u00e1rio do Tesouro Americano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para os investidores, Hillary, apesar de bem menos radical que Trump, \u00e9 vista como uma inc\u00f3gnita, por demonstrar forte vi\u00e9s intervencionista. Muitas a comparam \u00e0 ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, afastada do poder por meio de um processo de impeachment. Teme-se que a democrata amplie o espa\u00e7o do governo na economia. Esse medo \u00e9 baseado em uma das propostas de campanha, que prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos medicamentos por decreto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que, a despeito de todas as desconfian\u00e7as, com Hillary eleita nesta ter\u00e7a-feira, as bolsas de valores deem saltos expressivos nos pr\u00f3ximos tr\u00eas dias e o d\u00f3lar caia frente as principais moedas do mundo. Mas esse movimento dever\u00e1 se reverter rapidamente caso a democrata n\u00e3o explicite qual ser\u00e1 seu plano de governo. Diante de toda a polariza\u00e7\u00e3o na campanha e dos absurdos que se viu e se ouviu dos dois principais candidatos \u00e0 Casa Branca, a paci\u00eancia dos investidores praticamente se esgotou. A principal pot\u00eancia do mundo requer a\u00e7\u00f5es concretas de racionalidade. O mundo agradecer\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h50min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A radicaliza\u00e7\u00e3o que se viu durante o processo eleitoral dos Estados Unidos vai se repetir mundo afora. A crise financeira ainda n\u00e3o curada de 2008 fez surgir um mundo de extremos, que ter\u00e1 consequ\u00eancias cru\u00e9is. 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