{"id":3509,"date":"2016-11-05T06:50:51","date_gmt":"2016-11-05T08:50:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3509"},"modified":"2016-11-05T12:58:02","modified_gmt":"2016-11-05T14:58:02","slug":"incertezas-americanas-atormentam-investidores-e-governo-brasileiro-que-torce-por-hillary-clinton","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/incertezas-americanas-atormentam-investidores-e-governo-brasileiro-que-torce-por-hillary-clinton\/","title":{"rendered":"Incertezas americanas"},"content":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais dos Estados Unidos entraram de vez no radar do Banco Central. A institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 preparou um arsenal, pois n\u00e3o quer ser surpreendida por movimentos at\u00edpicos no c\u00e2mbio, que, certamente, vir\u00e3o se o candidato republicano, Donald Trump, for o vencedor nas urnas. Para passar tranquilidade ao mercado, o BC manteve a rotina dos leil\u00f5es de contratos de swap reverso, que funcionam como uma esp\u00e9cie de compra de d\u00f3lares no mercado futuro. O temor \u00e9 que a moeda norte-americana d\u00ea um salto inesperado, criando ru\u00eddos sobre os rumos da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O comportamento da autoridade monet\u00e1ria, por\u00e9m, n\u00e3o diminui a ansiedade dos especialistas. Diante da imprevisibilidade do resultado das urnas nos EUA, aumentaram os questionamentos em rela\u00e7\u00e3o ao poder de rea\u00e7\u00e3o do BC se o pior acontecer. Na tentativa de dirimir as d\u00favidas com os rumos da maior economia do planeta, o presidente do banco, Ilan Goldfajn, usou boa parte de seus discursos nos \u00faltimos dias para refor\u00e7ar que a institui\u00e7\u00e3o det\u00e9m uma s\u00e9rie de instrumentos para agir, sempre ressaltando que o c\u00e2mbio no Brasil \u00e9 flutuante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O maior questionamento dos analistas \u00e9 se o BC suspender\u00e1 as opera\u00e7\u00f5es de swap reverso. H\u00e1, no mercado, um estoque de US$ 25 bilh\u00f5es nesses contratos. Mantidos os atuais leil\u00f5es di\u00e1rios, essa cifra pode ser zerada at\u00e9 o fim de fevereiro do pr\u00f3ximo ano. Quando Ilan assumiu o comando da autoridade monet\u00e1ria, os swaps passavam de US$ 100 bilh\u00f5es. A fatura foi constru\u00edda no governo Dilma Rousseff, provocando s\u00e9ries distor\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio e grandes preju\u00edzos ao Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Torcida por Hillary<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo o que o BC quer \u2014 e o governo inteiro de Michel Temer \u2014 \u00e9 que tudo continue como est\u00e1. Ou seja, que a democrata Hillary Clinton ven\u00e7a as elei\u00e7\u00f5es da pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira. Nesse contexto, n\u00e3o haveria mudan\u00e7as no Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Sob o comando de Janet Yellen, cujo mandato vencer\u00e1 em 2018, o Fed ter\u00e1 de elevar as taxas de juros, que variam, atualmente, entre 0% e 0,25% ao ano. Com ela, tudo ser\u00e1 feito de forma muito gradual, sem provocar turbul\u00eancias desnecess\u00e1rias, sobretudo nos pa\u00edses emergentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 muito poss\u00edvel que, com Hillary, o mandato de Yellen seja renovado. A presidente do Fed tem boas rela\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia Clinton. Ela foi presidente do Conselho de Assessores Econ\u00f4micos da Casa Branca no mandato de Bill Clinton, entre 1997 e 1999. H\u00e1 quem critique a postura mais flex\u00edvel da primeira mulher a comandar o BC mais poderoso do mundo. Mas suas decis\u00f5es t\u00eam evitado um turbilh\u00e3o de incertezas que s\u00f3 contribuiriam para tornar ainda mais hostil o cen\u00e1rio da economia internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com Trump no poder, acredita o economista-chefe da gestora de recursos Quantitas, Ivo Chermont, a atual pol\u00edtica monet\u00e1ria do Fed poderia ter uma mudan\u00e7a brusca. H\u00e1 duas vagas abertas no comando da institui\u00e7\u00e3o, que seriam preenchidas por pessoas indicadas pelo republicano no caso de elei\u00e7\u00e3o dele. Por isso, diz Chermont, o BC brasileiro n\u00e3o pode subestimar os riscos de Trump vencer a disputa com Hillary e as suas consequ\u00eancias para o Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Preju\u00edzos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 quem aposte que, com Trump no comando dos EUA, o d\u00f3lar poder\u00e1 chegar a R$ 3,50. Mantido esse n\u00edvel de pre\u00e7o por um per\u00edodo mais longo, o BC teria mais dificuldade para levar a infla\u00e7\u00e3o ao centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 o fim de 2017. Com isso, a redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) seria mais lenta ou mesmo poderia ser interrompida at\u00e9 que o time comandado por Ilan tivesse clareza sobre o real impacto do c\u00e2mbio no custo de vida. \u201cNo fim deste m\u00eas, por exemplo, os juros v\u00e3o cair apenas 0,25 ponto percentual, para 13,75%\u201d, ressalta o economista da Quantitas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia de como andam os nervos dos investidores ante a imprevisibilidade das elei\u00e7\u00f5es norte-americanas, a Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (BM&amp;FBovespa) acumulou queda de 4,2% nesta semana. Em Nova York, o \u00edndice S&amp;P 500 registrou ontem a nona queda consecutiva, o mais longo per\u00edodo de baixa desde 1980. No c\u00e2mbio, o d\u00f3lar, que anda muito vol\u00e1til, computou alta de 1,1% nos \u00faltimos cinco dias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h50min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais dos Estados Unidos entraram de vez no radar do Banco Central. A institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 preparou um arsenal, pois n\u00e3o quer ser surpreendida por movimentos at\u00edpicos no c\u00e2mbio, que, certamente, vir\u00e3o se o candidato republicano, Donald Trump, for o vencedor nas urnas. 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