{"id":3482,"date":"2016-11-01T06:50:50","date_gmt":"2016-11-01T08:50:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3482"},"modified":"2016-11-01T11:28:31","modified_gmt":"2016-11-01T13:28:31","slug":"haja-paciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/haja-paciencia\/","title":{"rendered":"Haja paci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A equipe econ\u00f4mica j\u00e1 se convenceu de que a retomada da economia n\u00e3o vir\u00e1 na velocidade esperada e que os cofres p\u00fablicos continuar\u00e3o castigados pela escassez de recursos. At\u00e9 um m\u00eas atr\u00e1s, a aposta entre integrantes do time comandado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, era que, em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) poderia avan\u00e7ar al\u00e9m do 1,6% previsto na proposta de Or\u00e7amento encaminhada ao Congresso. Agora, a vis\u00e3o \u00e9 que, na melhor das hip\u00f3teses, a atividade se expandir\u00e1 entre 1% e 1,5%. Esse \u00e9 o quadro mais realista com o qual o governo trabalha hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos da Fazenda e do Banco Central reconhecem que houve um excesso de euforia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perspectiva de crescimento da economia no ano que vem. Com base em relat\u00f3rios preparados por bancos e consultorias, chegaram a dizer que, ao estimar um salto de 1,6% para o PIB em 2017, o governo estava sendo conservador, pois, certamente, um incremento de 2% ou mais n\u00e3o estava descartado. A realidade, contudo, se imp\u00f4s. A atividade ainda continua em retra\u00e7\u00e3o e h\u00e1 o risco \u2014 consider\u00e1vel \u2014 de tamb\u00e9m o quarto trimestre deste ano ser negativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os mais pessimistas dentro do governo falam em avan\u00e7o de apenas 0,5% em 2017, o que, para o Pal\u00e1cio do Planalto, \u00e9 inaceit\u00e1vel. Na perspectiva do presidente Michel Temer, o pr\u00f3ximo ano come\u00e7aria com a economia em ritmo mais acelerado. Com isso, ele acreditava que teria um pouco mais de tranquilidade para tocar projetos extremamente impopulares, como a reforma da Previd\u00eancia Social. Na vis\u00e3o de Temer, a atividade mais aquecida ajudaria a frear as cr\u00edticas contra os limites que precisam ser impostos ao avan\u00e7o do rombo no sistema de aposentadoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, a consci\u00eancia \u00e9 que tanto a reforma da Previd\u00eancia, cuja proposta sequer foi enviada ao Congresso, quanto o teto para o aumento dos gastos, que ainda depende de aprova\u00e7\u00e3o do Senado, ser\u00e3o tocados num ambiente hostil, de fraca atividade econ\u00f4mica. A boa not\u00edcia, ressalta um dos t\u00e9cnicos da equipe econ\u00f4mica, \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 em queda, o que, mais cedo, mais tarde, permitir\u00e1 ao Banco Central acelerar o processo de queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), hoje de 14% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mesmo t\u00e9cnico ressalta que os resultados das elei\u00e7\u00f5es municipais, com derrota acachapante do PT e dos demais partidos de esquerda, refor\u00e7am a base aliada do governo no Legislativo. \u201cIsso ajuda muito o andamento do ajuste fiscal\u201d, frisa. Para ele, h\u00e1 uma convic\u00e7\u00e3o se formando na sociedade de que \u00e9 preciso ampliar a cota de sacrif\u00edcio agora para que, mais \u00e0 frente, a economia engrene sem a amea\u00e7a de ruir novamente v\u00edtima de escolhas erradas, baseadas no populismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Medo do fracasso<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Carlos Thadeu Filho, s\u00f3cio da consultoria MacroAgro, governo e especialistas da iniciativa privada subestimaram, em suas proje\u00e7\u00f5es, o estrago da crise econ\u00f4mica no consumo das fam\u00edlias e nas empresas. Por isso, a euforia inicial quanto \u00e0 possibilidade de um salto maior do PIB em 2017. Ele ressalta que a situa\u00e7\u00e3o no caixa das companhias, independentemente do porte, \u00e9 dram\u00e1tica. Muitas est\u00e3o \u00e0 beira da fal\u00eancia, restringindo os investimentos necess\u00e1rios para tirar a atividade do atoleiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do lado das fam\u00edlias, acrescenta Thadeu, o endividamento \u00e9 pesad\u00edssimo. Com muito custo, as pessoas est\u00e3o conseguindo amortizar os d\u00e9bitos, mas pouco sobra para o consumo que n\u00e3o seja o estritamente necess\u00e1rio. Al\u00e9m disso, os trabalhadores est\u00e3o receosos quanto ao desemprego e n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o se as demiss\u00f5es em massa v\u00e3o diminuir nos pr\u00f3ximos meses e se as incertezas pol\u00edticas se dissiparam por completo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para piorar, os bancos continuam cortando a oferta de cr\u00e9dito e estados e munic\u00edpios est\u00e3o quebrados, restringindo um impulso fiscal que aliviaria parte da contra\u00e7\u00e3o do setor privado. \u201cPelos meus c\u00e1lculos, o PIB do terceiro trimestre de 2016 teve queda de 0,8%, o quarto trimestre come\u00e7ou muito fraco e 2017 n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o bom como muitos imaginavam (na pesquisa semanal realizada pelo BC, a previs\u00e3o de crescimento caiu pela segunda vez consecutiva, para 1,21%)\u201d, afirma. \u201cA arrancada da economia n\u00e3o aconteceu ainda\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante desse quadro, assinala o economista da MacroAgro, o BC est\u00e1 sendo extremamente conservador na condu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic). \u201c\u00c9 o medo do fracasso\u201d, diz. Ou seja, no entender dele, a autoridade monet\u00e1ria poderia ter cortado os juros, no m\u00eas passado, em 0,5 ponto percentual em vez de 0,25 ponto. N\u00e3o o fez, porque teme repetir os erros da gest\u00e3o anterior, comandada por Alexandre Tombini\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele prev\u00ea que a infla\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo ano ser\u00e1 de 4,6%. Para 2018, as proje\u00e7\u00f5es apontam para 3,8%, isto \u00e9, abaixo dos 4,5% fixados como meta pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). \u201cO BC est\u00e1 com medo de ousar. Isso confirma que, entre ter um PIB maior ou uma infla\u00e7\u00e3o mais baixa, ficar\u00e1 com a segunda hip\u00f3tese\u201d, destaca Thadeu. O Banco Central sabe o quanto as estripulias cometidas nos \u00faltimos anos est\u00e3o custando caro ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h50min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A equipe econ\u00f4mica j\u00e1 se convenceu de que a retomada da economia n\u00e3o vir\u00e1 na velocidade esperada e que os cofres p\u00fablicos continuar\u00e3o castigados pela escassez de recursos. 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