{"id":3347,"date":"2016-10-01T10:10:00","date_gmt":"2016-10-01T13:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3347"},"modified":"2016-10-01T23:46:42","modified_gmt":"2016-10-02T02:46:42","slug":"economistas-em-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/economistas-em-guerra\/","title":{"rendered":"Economistas em guerra"},"content":{"rendered":"<p>Por tr\u00e1s das an\u00e1lises nada animadoras sobre a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, uma guerra vem sendo travada entre os economistas por causa dos rumos tomados pelo Conselho Federal que representa a categoria. H\u00e1 acusa\u00e7\u00f5es de todos os lados, sobretudo de aparelhamento e de desvio \u00e9tico. Integrantes do \u00f3rg\u00e3o acusam, sobretudo, a regional do Rio de Janeiro de estar cometendo irregularidades para perpetuar um grupo restrito no poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A disputa aumentou nos \u00faltimos dias, diante da proximidade das elei\u00e7\u00f5es regionais, marcadas para o fim de outubro. Como se tornou rotina, o Rio ter\u00e1 chapa \u00fanica. A inten\u00e7\u00e3o, segundo economistas, \u00e9 garantir mais seis anos de mandato para Wellington Leonardo Silva \u2014 h\u00e1 possibilidade de reelei\u00e7\u00e3o a cada tr\u00eas anos. Ele \u00e9 funcion\u00e1rio da regional fluminense e foi vice-presidente do sistema federal. Para muitos, isso caracteriza conflito de interesse, pois Silva se tornou fiscal dele mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A maior queixa de associados da regional do Rio est\u00e1 relacionada \u00e0 falta de transpar\u00eancia na gest\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. H\u00e1 uma regra que obriga todas as regionais a repassarem mensalmente para o Conselho Federal 20% das anuidades pagas pelos filiados. No Rio, por\u00e9m, isso ocorre, na melhor das hip\u00f3teses, a cada tr\u00eas meses. Esse atraso teria como objetivo maquiar o n\u00famero de associados, que garante assento no sistema nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Defesa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Presidente do Conselho Federal, J\u00falio Miragaya rebate todas as acusa\u00e7\u00f5es. Ele ressalta que os conflitos s\u00e3o pol\u00edticos e recomenda aos descontentes que recorram \u00e0 Justi\u00e7a para fazer valer suas posi\u00e7\u00f5es. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, n\u00e3o h\u00e1 nada que impe\u00e7a Wellington Leonardo Silva de, ao mesmo tempo, ser funcion\u00e1rio da regional do Rio e de ocupar um posto no sistema federal. \u201cO conflito de interesse s\u00f3 se confirmaria se ele ocupasse um cargo de comando no \u00f3rg\u00e3o do qual \u00e9 empregado\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Miragaya diz ainda que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o obriga as regionais a repassarem parte das anuidades ao Conselho Federal imediatamente. O prazo \u00e9 definido por regional. Ele afirma ainda que o Rio tem o tamanho que merece no sistema nacional. \u201cHoje, s\u00e3o dois representantes, pois conta com pouco mais de 9,5 mil associados\u201d, frisa. As regionais com at\u00e9 5 mil integrantes t\u00eam direito a um assento no Conselho Federal. Entre 5 mil e 10 mil, s\u00e3o dois assentos; acima de 10 mil, tr\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPortanto, tudo est\u00e1 estritamente dentro da lei\u201d, frisa Miragaya. Para ele, os ru\u00eddos s\u00e3o desnecess\u00e1rios. Seus opositores, contudo, dizem que, por causa do aparelhamento do Conselho, o \u00f3rg\u00e3o perdeu import\u00e2ncia no debate nacional. O esvaziamento est\u00e1 se acelerando, tamb\u00e9m, por causa do fechamento dos cursos de economia. Por lei, s\u00f3 podem se filiar aos conselhos pessoas com gradua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o aceitos aqueles que s\u00f3 t\u00eam p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ou doutorado na \u00e1rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ostracismo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos grandes bancos, boa parte dos atuais profissionais que atuam nos departamentos econ\u00f4micos n\u00e3o t\u00eam gradua\u00e7\u00e3o em economia. S\u00e3o engenheiros, f\u00edsicos, matem\u00e1ticos com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em economia. Todas essas pessoas, mesmo dando as cartas no debate econ\u00f4mico, est\u00e3o alijados dos conselhos regionais e do federal. H\u00e1 um projeto de lei tramitando no Congresso para retirar essa barreira. Mas ningu\u00e9m espera uma decis\u00e3o para breve. Muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com isso, os conselhos de economia tender\u00e3o a encolher ano ap\u00f3s ano. O maior deles, o de S\u00e3o Paulo, chegou a ter 15 mil associados at\u00e9 bem pouco tempo. Hoje, j\u00e1 s\u00e3o 12 mil. N\u00e3o est\u00e1 havendo renova\u00e7\u00e3o dos quadros, porque as universidades est\u00e3o fechando os cursos de economia e a profiss\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o desperta mais tanto glamour. Empresas e bancos que demandam pessoas para os departamentos econ\u00f4micos preferem profissionais com conhecimentos mais amplos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 10h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por tr\u00e1s das an\u00e1lises nada animadoras sobre a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, uma guerra vem sendo travada entre os economistas por causa dos rumos tomados pelo Conselho Federal que representa a categoria. H\u00e1 acusa\u00e7\u00f5es de todos os lados, sobretudo de aparelhamento e de desvio \u00e9tico. 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