{"id":334,"date":"2015-12-11T08:30:17","date_gmt":"2015-12-11T10:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=334"},"modified":"2015-12-11T13:42:41","modified_gmt":"2015-12-11T15:42:41","slug":"a-pior-opcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-pior-opcao\/","title":{"rendered":"A PIOR OP\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil n\u00e3o se cansa de remar contra a mar\u00e9. Em qualquer economia do mundo, com a recess\u00e3o que estamos vivendo, o primeiro rem\u00e9dio adotado seria a redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros, como forma de se estimular a atividade. Foi o que se viu em todas as crises mais recentes, seja nos Estados Unidos, seja na Europa. Aqui, por\u00e9m, mesmo com o Produto Interno Bruto (PIB) desabando quase 4% neste ano e outros 3% em 2016, o Banco Central ser\u00e1 obrigado a elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que j\u00e1 est\u00e1 em abusivos 14,25% ao ano, para algo pr\u00f3ximo a 16%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos questionamentos entre os especialistas sobre a efic\u00e1cia desse poss\u00edvel arrocho. O argumento mais forte dos que s\u00e3o contra o aumento dos juros \u00e9 o de que a economia enfrentar\u00e1, no primeiro trimestre do ano que vem, o seu pior momento. O desemprego deve atingir n\u00edveis alarmantes, chegando aos 10%, e, endividadas, as fam\u00edlias tender\u00e3o a decretar calote em boa parte das d\u00edvidas. Os mais pessimistas j\u00e1 falam na hip\u00f3tese de convuls\u00e3o social, o que, para o governo, ser\u00e1 um problema enorme se o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff se estender at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o veem outra alternativa ao BC, a n\u00e3o ser pesar a m\u00e3o na Selic, a justificativa principal \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o. Mesmo que, no in\u00edcio de 2016, j\u00e1 se vejam indicadores mensais melhores, no acumulado de 12 meses, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) continuar\u00e1 rodando na casa dos 9%, muito distante do limite de toler\u00e2ncia definido em lei, de 6,5%. O entendimento \u00e9 de que, ao n\u00e3o fazer nada para for\u00e7ar a queda da carestia, o BC estar\u00e1 se rendendo \u00e0 vis\u00e3o que prevalece no mercado financeiro de que est\u00e1 de m\u00e3os atadas para agir, especialmente por causa da tal domin\u00e2ncia fiscal, que tira todo o efeito da pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Intrigas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Independentemente do ponto de vista, h\u00e1 um fator de converg\u00eancia entre os especialistas: mais uma vez, a economia ter\u00e1 de pagar o pre\u00e7o dos erros cometidos pelo governo, parte deles j\u00e1 no segundo mandato de Dilma. Assim que teve a reelei\u00e7\u00e3o consagrada pelas urnas, a petista indicou que faria um ajuste fiscal consistente para que a infla\u00e7\u00e3o entrasse nos eixos. Surpreendentemente, nomeou Joaquim Levy para o Minist\u00e9rio da Fazenda, sinalizando que, a partir daquele momento, tudo seria diferente em rela\u00e7\u00e3o aos quatro anos anteriores. Ao mesmo tempo, o BC passou a elevar os juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ajuste fiscal prometido com tanta \u00eanfase, entretanto, n\u00e3o veio. E n\u00e3o aconteceu por causa do pr\u00f3prio governo. Em vez da concilia\u00e7\u00e3o para o bem do pa\u00eds, prevaleceram as diverg\u00eancias. O primeiro sinal claro de que n\u00e3o havia um real comprometimento do Pal\u00e1cio do Planalto com a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas foi a redu\u00e7\u00e3o da meta de superavit prim\u00e1rio de 2015 de 1,1% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) e dos anos seguintes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O \u00e1pice do descompromisso com o ajuste fiscal, contudo, foi o envio, para o Congresso, do projeto de Or\u00e7amento de 2016 com previs\u00e3o de deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es. O mais gritante \u00e9 que, at\u00e9 hoje, mesmo com Levy prometendo economizar 0,7% do PIB para pagar os juros da d\u00edvida, ainda n\u00e3o h\u00e1 meta definida para o ano que vem. O ajuste fiscal continua sendo uma promessa, regada \u00e0 muita intriga na equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de estar expl\u00edcito que o governo n\u00e3o faria o ajuste fiscal necess\u00e1rio \u2014 o rombo nas contas deste ano pode atingir R$ 119,9 bilh\u00f5es \u2014, o Banco Central resolveu dar um voto de confian\u00e7a ao governo. Tanto que, desde setembro, vem mantendo a Selic inalterada, mesmo com o IPCA caminhando rapidamente para mais de 10%, como confirmou, na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Agora, frustrado, o BC decidiu agir. O rem\u00e9dio ser\u00e1 muito mais amargo se n\u00e3o tivesse se prendido a promessas que se mostravam imposs\u00edveis de serem cumpridas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Frustra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente do BC, Alexandre Tombini, sabe que a institui\u00e7\u00e3o tem sua parcela de culpa pelo p\u00e9ssimo momento econ\u00f4mico, que combina infla\u00e7\u00e3o \u00e0 beira do descontrole com desemprego e recess\u00e3o. Em discurso ontem na sede da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos, (Febraban), ele admitiu que o atraso na ado\u00e7\u00e3o de medidas que resgatem a confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores s\u00f3 afunda mais no pa\u00eds no atoleiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cRessalto que uma eventual posterga\u00e7\u00e3o dos ajustes somente adiaria o in\u00edcio da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, ampliando um c\u00edrculo vicioso de incerteza, perda de confian\u00e7a, adiamento de investimentos e reprecifica\u00e7\u00e3o de ativos, aprofundando a queda da atividade econ\u00f4mica e tornando o pr\u00f3prio ajuste mais prolongado e custoso. No limite, esse c\u00edrculo vicioso poderia comprometer fundamentos ainda s\u00f3lidos da economia brasileira\u201d, enfatizou Tombini. E acrescentou: \u201cClareza e determina\u00e7\u00e3o s\u00e3o elementos essenciais para o sucesso desse processo, inclusive para reduzir sua dura\u00e7\u00e3o e seus custos econ\u00f4micos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infelizmente, entre as palavras e a a\u00e7\u00e3o, o presidente do BC e o governo est\u00e3o devendo muito. H\u00e1 um bate-cabe\u00e7a inaceit\u00e1vel entre integrantes da equipe econ\u00f4mica. Enquanto Levy insiste no cumprimento da meta de 0,7% do PIB em 2016, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, trabalha no Congresso para que o superavit prim\u00e1rio seja reduzido, provavelmente,\u00a0 zerado. Tombini, por sua vez, assiste a tudo de forma impass\u00edvel. Ou seja, aqueles que deveriam resgatar a credibilidade do governo, estimulam as incertezas. E o ajuste, como frisou o presidente do BC, quando vier, ser\u00e1 mais prolongado e custoso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil n\u00e3o se cansa de remar contra a mar\u00e9. Em qualquer economia do mundo, com a recess\u00e3o que estamos vivendo, o primeiro rem\u00e9dio adotado seria a redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros, como forma de se estimular a atividade. 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