{"id":328,"date":"2015-12-05T08:30:01","date_gmt":"2015-12-05T10:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=328"},"modified":"2015-12-09T13:20:39","modified_gmt":"2015-12-09T15:20:39","slug":"pobre-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pobre-brasil\/","title":{"rendered":"POBRE BRASIL"},"content":{"rendered":"<p>O crescimento econ\u00f4mico sustentado \u00e9 a melhor forma de uma na\u00e7\u00e3o proporcionar bem-estar a seus habitantes. O retrato social do Brasil que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou ontem d\u00e1 a exata dimens\u00e3o disso. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) se expandiu com a infla\u00e7\u00e3o sob controle, os brasileiros puderam tirar proveiro das riquezas acumuladas pelo pa\u00eds. Mas bastou a atividade engasgar para que conquistas importantes come\u00e7assem a se esvair.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre 2004 e 2014, a formaliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho aumentou 26,3%, atingindo 57,7% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa (PEA). Com carteira assinada, milh\u00f5es de pessoas puderam ter acesso a cr\u00e9dito para satisfazer necessidades contidas h\u00e1 d\u00e9cadas, como a casa pr\u00f3pria. Diante da melhoria de renda dos pa\u00eds, os jovens passaram a dedicar mais tempo aos estudos, qualificando-se para um quadro de maior competi\u00e7\u00e3o. As desigualdades nos rendimentos entre homens e mulheres, ainda gritantes, diminu\u00edram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2014, especificamente, quando come\u00e7ou o processo de recess\u00e3o do pa\u00eds, o quadro social come\u00e7ou a se deteriorar. Em vez de crescer, a formaliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores diminuiu. Quase 550 mil jovens tiveram que buscar emprego, pois os pais j\u00e1 n\u00e3o conseguiam mais bancar as despesas de casa. Maior conquista do Brasil, difundida mundo afora, a da redu\u00e7\u00e3o das desigualdades estagnou. Daqui por diante, a tend\u00eancia \u00e9 de aumento do fosso que separa ricos e pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O quadro captado pelo IBGE s\u00f3 n\u00e3o se tornou mais dram\u00e1tico, devido \u00e0 rede de prote\u00e7\u00e3o social que se criou no Brasil na \u00faltima d\u00e9cada. Como a economia cresceu a passos largos, de forma cont\u00ednua, o governo pode usar o aumento da arrecada\u00e7\u00e3o para corrigir distor\u00e7\u00f5es que envergonhavam o pa\u00eds. \u00c0 medida, por\u00e9m, que o PIB foi minguando, a capacidade do Estado de fazer pol\u00edticas sociais tamb\u00e9m diminuiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem perspectivas de recupera\u00e7\u00e3o da atividade pelo menos at\u00e9 o fim de 2016, a tend\u00eancia \u00e9 de que o quadro social se agrave de forma consider\u00e1vel. Na avalia\u00e7\u00e3o de um conceituado t\u00e9cnico do governo, n\u00e3o h\u00e1 como fazer m\u00e1gica. Ele reconhece que, diante de uma queda t\u00e3o brutal do PIB, ser\u00e1 inevit\u00e1vel que os mais pobres e os menos qualificados sejam os principais prejudicados. Felizmente, ressalta ele, boa parte dessas pessoas ainda est\u00e1 protegida por programas sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fosse a estrutura de combate \u00e0 pobreza e \u00e0 mis\u00e9ria criada nos tempos de bonan\u00e7a, j\u00e1 estar\u00edamos vendo as ruas tomadas por protestos\u201d, diz o mesmo t\u00e9cnico. Mas, refor\u00e7a ele, nem mesmo toda a rede de prote\u00e7\u00e3o social impedir\u00e1 que mais de 3 milh\u00f5es de pessoas que tinham ascendido socialmente sejam empurradas para as classes D e E at\u00e9 o fim deste ano. \u201cO crescimento econ\u00f4mico \u00e9 a melhor forma de se fazer distribui\u00e7\u00e3o de renda. Infelizmente, veremos tempos dif\u00edceis\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cNingu\u00e9m come PIB\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, a presidente Dilma Rousseff rebateu os cr\u00edticos que a acusava de ter destru\u00eddo a capacidade do Brasil de crescer com um argumento tosco: \u201cNingu\u00e9m come PIB\u201d. Na vis\u00e3o dela, mais importante do que a expans\u00e3o da atividade, que permite a cria\u00e7\u00e3o de empregos e a melhoria da renda, era a capacidade do governo de usar o caixa para bancar programas sociais. Ela s\u00f3 esqueceu de dizer que, sem dinheiro, n\u00e3o haveria como cumprir o que prometia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim que come\u00e7ou o segundo mandato, Dilma foi obrigada a ser render \u00e0 realidade para a qual ela havia contribu\u00eddo \u2014 e muito. O derretimento do PIB fez a arrecada\u00e7\u00e3o despencar. O rombo nas contas p\u00fablicas se tornou assustador. A presidente se deu conta de que o Estado n\u00e3o pode tudo, especialmente num pa\u00eds em que a economia vai se retrair quase 7% em apenas dois anos. S\u00f3 restou a petista cortar programas sociais, ainda que ela insista em dizer que todos continuam intactos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os problemas sociais v\u00e3o se agigantar nessa recess\u00e3o brutal porque a infla\u00e7\u00e3o continua alta \u2014 acima de 10%. Em pa\u00edses em que n\u00e3o h\u00e1 distor\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, quando o PIB cai, a carestia vai junto. Os Estados Unidos e as na\u00e7\u00f5es europeias est\u00e3o a\u00ed para comprovar essa tese. L\u00e1, o problema \u00e9 a expressiva queda de pre\u00e7os, a defla\u00e7\u00e3o. O custo de vida se mant\u00e9m persistente no Brasil porque Dilma nunca acreditou que o controle inflacion\u00e1rio fosse vital para o bom funcionamento da economia e, sobretudo, que \u00e9 maior prote\u00e7\u00e3o que a popula\u00e7\u00e3o de menor renda pode ter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que a presidente se prepare. Diante da piora dos indicadores sociais que o IBGE prenuncia, h\u00e1 um risco enorme de a popula\u00e7\u00e3o mais pobre, que ainda apoia o PT, passar a sustentar o processo de impeachment que come\u00e7ou a tramitar na C\u00e2mara dos Deputados. Se a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica est\u00e1 ruim hoje, quando 2016 chegar, o quadro se mostrar\u00e1 tr\u00e1gico. No fundo do po\u00e7o que o pa\u00eds ainda n\u00e3o encontrou est\u00e3o o desemprego, a quebradeira de empresas e o calote. \u00c9 esse o ano-novo que Dilma nos reservou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem manda no BC?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb O mercado financeiro n\u00e3o perdoa. A pergunta que mais intriga dos operadores hoje \u00e9 saber quem est\u00e1 mandando mais no Banco Central: o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, ou o diretor de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, que votou pela alta de 0,5 ponto percentual na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) na reuni\u00e3o deste m\u00eas do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) e desandou a falar sobre a necessidade do arrocho para controlar a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong> Tudo foi combinado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb No BC, pessoas pr\u00f3ximas a Tombini dizem que tudo o que se decide no banco tem o aval dele. Asseguram que a posi\u00e7\u00e3o divergente de Volpon e do diretor de Organiza\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro, Sidnei Corr\u00eaa Marques, quanto aos rumos dos juros, foi um acerto entre os integrantes do Copom para indicar ao mercado que o BC n\u00e3o titubear\u00e1 em elevar a Selic se as expectativas de infla\u00e7\u00e3o para 2016 continuarem acima do teto da meta, de 6,5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O crescimento econ\u00f4mico sustentado \u00e9 a melhor forma de uma na\u00e7\u00e3o proporcionar bem-estar a seus habitantes. O retrato social do Brasil que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou ontem d\u00e1 a exata dimens\u00e3o disso. 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