{"id":326,"date":"2015-12-09T08:30:20","date_gmt":"2015-12-09T10:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=326"},"modified":"2015-12-09T15:56:08","modified_gmt":"2015-12-09T17:56:08","slug":"326","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/326\/","title":{"rendered":"CUSTO EFETIVO DA D\u00cdVIDA FEDERAL CHEGA A 41,4%"},"content":{"rendered":"<p>A desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presidente Dilma Rousseff est\u00e1 matando as finan\u00e7as do pa\u00eds. O custo efetivo da d\u00edvida p\u00fablica do governo federal e do Banco Central chegou a inacredit\u00e1veis 41,4% nos 12 meses terminados em outubro. \u00c9 quase tr\u00eas vezes a taxa b\u00e1sica da economia (Selic), de 14,25% ao ano, j\u00e1 apontada como uma aberra\u00e7\u00e3o num mundo em que os juros m\u00e9dios est\u00e3o pr\u00f3ximos de zero. Quanto mais o Brasil demorar para sair do maremoto pol\u00edtico, agora agigantado pelo pedido de impeachment de Dilma, mais caro ficar\u00e1 o financiamento do setor p\u00fablico. O risco de insolv\u00eancia do pa\u00eds ficar\u00e1 latente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O custo efetivo da d\u00edvida est\u00e1 camuflado nas estat\u00edsticas do Banco Central. N\u00e3o h\u00e1 interesse em revel\u00e1-lo para evitar cr\u00edticas mais pesadas ao governo. Mas a situa\u00e7\u00e3o chegou a um ponto t\u00e3o preocupante, que os especialistas passaram a acompanhar o indicador com lupa, sobretudo pela velocidade com que vem aumentando. Em abril, o custo estava em 30,9%, ou seja, em apenas seis meses, saltou 11,4 pontos percentuais, algo sem precedente para um espa\u00e7o t\u00e3o curto de tempo em mais de uma d\u00e9cada. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como sustentar uma taxa t\u00e3o elevada por muito mais tempo\u201d, diz Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do BC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do estrago que o custo efetivo da d\u00edvida est\u00e1 fazendo nas finan\u00e7as p\u00fablicas, os 41,4% resultaram em uma despesa de R$ 506,9 bilh\u00f5es com juros, o equivalente a 9% do Produto Interno Bruto (PIB). Nunca, na hist\u00f3ria do pa\u00eds, se pagou tanto aos credores. Mas ou era isso ou governo enfrentaria problemas para se financiar no mercado. Os investidores n\u00e3o perdoam. Diante do desajuste fiscal do pa\u00eds e das dificuldades de se fechar as contas, eles sabem que t\u00eam poder de sobra para exigir taxas cada vez maiores do Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Descalabro fiscal<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O custo efetivo da d\u00edvida inclui as perdas do Banco Central no mercado de c\u00e2mbio. Desde agosto de 2013, quando o descalabro fiscal se tornou p\u00fablico e os especialistas passaram a alardear sobre os erros da pol\u00edtica econ\u00f4mica da petista, o BC foi obrigado a intervir diariamente nas negocia\u00e7\u00f5es para tentar segurar o d\u00f3lar. Usou um instrumento complexo para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, os contratos de swap cambial, uma esp\u00e9cie de venda futura da moeda norte-americana. Mesmo totalizando mais de US$ 100 bilh\u00f5es, as opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o impediram que o d\u00f3lar saltasse dos R$ 2,40 para quase R$ 4.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A justificativa do governo \u00e9 de que, n\u00e3o fossem os contratos de swap, com os quais o BC perde a cada alta do d\u00f3lar, o pa\u00eds teria mergulhado em uma grave crise cambial, cujas consequ\u00eancias seriam dram\u00e1ticas, diante da possibilidade de quebra de grandes empresas. Alega, ainda, que, mais do que a desconfian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica de Dilma, foram os sinais emitidos pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, de que poderia elevar as taxas de juros, os principais respons\u00e1veis pela arrancada da moeda norte-americana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O aumento dos juros nos EUA realmente entrou no radar. Contudo, o Brasil pagou muito caro por seus desajustes internos. Devido \u00e0s escolhas erradas de Dilma, os investidores viam o pa\u00eds como um dos cinco mais fr\u00e1geis do mundo \u00e0s mudan\u00e7as na pol\u00edtica monet\u00e1ria da maior economia do planeta. Ela promoveu uma gastan\u00e7a desenfreada com o intuito de estimular o consumo, que resultou nos chamados deficits g\u00eameos, o fiscal e o externo. N\u00e3o satisfeita, permitiu a volta da infla\u00e7\u00e3o, que, nos \u00faltimos 12 meses at\u00e9 novembro, chegou a 10,4% \u2014 o dado oficial ser\u00e1 divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Intrigas e corrup\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, n\u00e3o h\u00e1 como esperar uma revers\u00e3o no custo da d\u00edvida t\u00e3o cedo. Al\u00e9m de a equipe econ\u00f4mica n\u00e3o ter um plano efetivo para o ajuste fiscal, a crise pol\u00edtica roubou de vez a cena. A perspectiva de impeachment de Dilma e a desintegra\u00e7\u00e3o do governo com o claro desembarque do vice-presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer, minaram qualquer chance de se aprovarem medidas que possam reverter a grave recess\u00e3o na qual o Brasil est\u00e1 mergulhado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em sua maioria, investidores e empres\u00e1rios veem a sa\u00edda de Dilma como o melhor que pode ocorrer para a economia, pois n\u00e3o h\u00e1 mais como ela agregar for\u00e7a para dar a virada pela qual todos torcem. H\u00e1, por\u00e9m, muita preocupa\u00e7\u00e3o com o que vir\u00e1 no caso de o impeachment da presidente ser aprovado pelo Congresso Nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil mergulhou num mar de incertezas que transformou o ano de 2015 no pior em 25 anos para o pa\u00eds. A possibilidade de 2016 ser ainda mais desastroso ganhou for\u00e7a. E que ningu\u00e9m estranhe se, tamb\u00e9m, em 2017 houver retra\u00e7\u00e3o da atividade. Nesse quadro perverso, a popula\u00e7\u00e3o, desprotegida, assiste at\u00f4nita ao mundo ruir \u00e0 sua volta. Para onde quer que olhe, s\u00f3 v\u00ea decep\u00e7\u00e3o. A esperan\u00e7a se esvai em meio \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, \u00e0s intrigas, \u00e0s trai\u00e7\u00f5es. Que pa\u00eds \u00e9 esse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presidente Dilma Rousseff est\u00e1 matando as finan\u00e7as do pa\u00eds. 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