{"id":324,"date":"2015-12-08T08:30:28","date_gmt":"2015-12-08T10:30:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=324"},"modified":"2015-12-08T13:19:31","modified_gmt":"2015-12-08T15:19:31","slug":"impeachment-na-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/impeachment-na-economia\/","title":{"rendered":"IMPEACHMENT NA ECONOMIA"},"content":{"rendered":"<p>Se fosse apenas pela economia, a presidente Dilma Rousseff j\u00e1 teria sofrido o impeachment h\u00e1 muito tempo. A cada dia, um novo indicador confirma a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas do pa\u00eds. E, pior: n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o \u00e0 vista. Com o Congresso concentrado nas discuss\u00f5es sobre o poss\u00edvel afastamento da petista, medidas que vinham sendo analisadas por deputados e senadores ser\u00e3o postergadas. O buraco ser\u00e1 muito mais fundo que o imaginado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como sempre acontece, s\u00e3o os mais pobres os que mais sofrem com o descalabro da economia. A infla\u00e7\u00e3o medida entre aqueles que ganham at\u00e9 2,5 sal\u00e1rios m\u00ednimos por m\u00eas atingiu, em 12 meses, inacredit\u00e1veis 11,22%. Os alimentos, que consomem quase 80% do or\u00e7amento desse grupo, est\u00e3o em disparada e desaparecendo das mesas de muitas fam\u00edlias. Do total de demitidos neste ano, quase 70% s\u00e3o trabalhadores menos qualificados, que n\u00e3o se recolocar\u00e3o t\u00e3o cedo no mercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando assumiu o mandato, em 2011, Dilma prometeu fazer um governo para os mais desfavorecidos. Garantiu que manteria o programa de inclus\u00e3o social que, nos oito anos anteriores, havia agregado mais de 40 milh\u00f5es de pessoas ao mercado de consumo. Passados cinco anos, por\u00e9m, o quadro \u00e9 totalmente o inverso. Dilma empobreceu os brasileiros, inviabilizou sonhos de muitas fam\u00edlias, frustrou aqueles que acreditaram em um futuro melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A petista, por arrog\u00e2ncia e incompet\u00eancia, deixou a infla\u00e7\u00e3o chegar de mansinho, como se fosse uma sa\u00edda para que o n\u00edvel de atividade ganhasse f\u00f4lego. Para ela, bastaria o governo continuar transferindo renda aos mais pobres que ningu\u00e9m sentiria o peso da carestia. A infla\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 pe\u00e7onhenta. Quando chega, destr\u00f3i o que v\u00ea pela frente. Acaba com o poder de compra dos trabalhadores e tira o horizonte de planejamento das empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com essa velha senhora n\u00e3o se brinca. Ela provoca a desconfian\u00e7a. Para onde quer que se corra, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda. Somente os mais ricos, aqueles que t\u00eam dinheiro para aplicar, conseguem amenizar o impacto da alta do custo de vida. O resultado \u00e9 o aumento das desigualdades sociais, a volta de pessoas que migraram para a classe m\u00e9dia \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Destrui\u00e7\u00e3o em massa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil perdeu duas d\u00e9cadas \u2014 os anos de 1980 e 1990 \u2014 porque foi derrotado pela infla\u00e7\u00e3o. Com a estabiliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os a partir da segunda metade de 1994, foi-se construindo uma base s\u00f3lida para que, a partir de 2003, o Brasil pudesse viver um longo processo de inclus\u00e3o social. Dilma, contudo, dinamitou todas as pontes que nos levariam a dar um salto espetacular na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Reconstru\u00ed-las levar\u00e1 tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A petista sabe que o pior da economia ainda est\u00e1 por vir. Em 2016, al\u00e9m de a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o dar tr\u00e9gua, as demiss\u00f5es v\u00e3o se acelerar com o aprofundamento da recess\u00e3o. O Produto Interno Bruto (PIB) deste ano cair\u00e1 quase 4%. Em 2016, tombar\u00e1 mais 3%. Nesse ambiente, n\u00e3o h\u00e1 como uma presidente conseguir apoio para evitar o impeachment. Por isso, ela corre contra o tempo afim de resolver a peleja logo, enquanto as ruas ainda n\u00e3o foram tomadas. Diante do clamor pela interrup\u00e7\u00e3o do mandato da petista, n\u00e3o h\u00e1 base aliada que resista. Ser\u00e1 muito dif\u00edcil salvar uma presidente com tanta rejei\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A forma como Dilma destruiu a economia esvazia qualquer argumento de que o pa\u00eds caminha para o golpismo, caso o processo de impeachment siga adiante. N\u00e3o h\u00e1 como as pessoas aceitarem que a na\u00e7\u00e3o que se apresenta como a s\u00e9tima do planeta continue afundando no atoleiro. A sobreviv\u00eancia de governantes despreparados para os cargos se sustenta at\u00e9 que a parte mais sens\u00edvel do corpo humano, o bolso, seja atingida em cheio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ministro poliana<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O impeachment da petista pode ser inflado pelos ventos que varreram a fam\u00edlia Kirchner do poder na Argentina e est\u00e1 prestes a p\u00f4r fim ao Chavismo que empurrou a Venezuela para o caos social e econ\u00f4mico. Dilma est\u00e1 tentando se sustentar no argumento de que n\u00e3o \u00e9 ladra e nada tem a ver com a corrup\u00e7\u00e3o que devastou o caixa a Petrobras. Realmente, n\u00e3o h\u00e1 nada que comprove o envolvimento dela com malfeitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, para a popula\u00e7\u00e3o, corrupta ou n\u00e3o, Dilma cometeu erros imperdo\u00e1veis na economia. Os brasileiros que puderam saborear as benesses da estabilidade n\u00e3o se conformam de ver a atividade se deteriorando de uma forma t\u00e3o violenta. Recess\u00f5es, o Brasil viveu aos montes. Sempre, com a perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Agora, as previs\u00f5es s\u00e3o de pelo menos mais quatro trimestres de contra\u00e7\u00e3o de PIB. Se confirmada tal estimativa, ser\u00e3o 10 trimestres seguidos de retra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Manter a tranquilidade nesse clima \u00e9 quase imposs\u00edvel. Por isso, a cada dia, a cada novo indicador mostrando a economia afundando, o impeachment fica mais pr\u00f3ximo. E de nada adiantar\u00e1 o discurso bonito do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que o governo pode usar o momento adverso para aprovar as reformas adiadas por tanto tempo. Se, quando estava no auge da popularidade, Dilma n\u00e3o conseguiu fazer a revolu\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds tanto precisa, n\u00e3o ser\u00e1, neste momento, com a corda no pesco\u00e7o, que ter\u00e1 apoio para medidas t\u00e3o impopulares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Levy, com seu discurso poliana, s\u00f3 confirma o fracasso em que se transformou desde que assumiu o comando da economia. H\u00e1 um ano no posto, ele, no m\u00e1ximo, conseguiu a unanimidade de ser odiado pelo PT, o partido de Dilma. Com o impeachment ganhando for\u00e7a, o ministro deve se preparar para pegar o banquinho e sair de mansinho. Sobre os ombros dele est\u00e3o recordes dos quais n\u00e3o h\u00e1 o que se orgulhar: a maior infla\u00e7\u00e3o em 12 anos, a pior recess\u00e3o em quase tr\u00eas d\u00e9cadas e um rombo fiscal sem precedentes desde que o pa\u00eds abra\u00e7ou a responsabilidade fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se fosse apenas pela economia, a presidente Dilma Rousseff j\u00e1 teria sofrido o impeachment h\u00e1 muito tempo. A cada dia, um novo indicador confirma a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas do pa\u00eds. E, pior: n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o \u00e0 vista. 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