{"id":3183,"date":"2016-09-16T05:32:35","date_gmt":"2016-09-16T08:32:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3183"},"modified":"2016-09-16T07:36:58","modified_gmt":"2016-09-16T10:36:58","slug":"coluna-no-correio-caminhos-de-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-caminhos-de-incertezas\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Caminhos de incertezas"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o se trata de motivo para alarde, mas o Banco Central acendeu o sinal de alerta diante da instabilidade que se instalou nos mercados internacionais e que transformaram a bolsa de valores e o d\u00f3lar em verdadeiras gangorras. Se, h\u00e1 quatro meses, havia a confian\u00e7a de que as taxas de juros nos Estados Unidos n\u00e3o subiriam mais neste ano, que os bancos centrais da Europa e do Jap\u00e3o estavam dispostos a injetar a quantidade necess\u00e1ria de dinheiro na economia para estimular a atividade e que a China havia conseguido equilibrar o ritmo de sua desacelera\u00e7\u00e3o, hoje, a incerteza \u00e9 grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O terreno se tornou t\u00e3o pantanoso, que o presidente do BC, Ilan Goldfjan, tem dedicado um bom par de horas de sua concorrida agenda para mapear at\u00e9 onde pode ir o nervosismo que tomou conta de parte significativa dos investidores. Ilan n\u00e3o quer ser surpreendido por um evento extraordin\u00e1rio, que possa dificultar o trabalho que vem fazendo para levar a infla\u00e7\u00e3o de 2017 ao centro da meta, de 4,5%. At\u00e9 R$ 3,30, a moeda norte-americana n\u00e3o \u00e9 um problema para o controle do custo de vida. A partir da\u00ed, por\u00e9m, a converg\u00eancia do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) para a meta se torna um problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As contas s\u00e3o do BC: a cada 10% de alta do d\u00f3lar, a infla\u00e7\u00e3o aumenta 0,5 ponto percentual. \u00c9 muito, sobretudo quando se est\u00e1 buscando, desesperadamente, conter a carestia e controlar as expectativas dos agentes econ\u00f4micos. Apesar de todo o esfor\u00e7o que j\u00e1 foi feito pela autoridade monet\u00e1ria, os analistas resistem em acreditar que o IPCA ceder\u00e1 at\u00e9 os 4,5% no ano que vem. Os especialistas mant\u00eam firme a proje\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 5,1%. Isso, mesmo com o d\u00f3lar tendo chegado a quase R$ 3,10 recentemente. Ou seja, o c\u00e2mbio se tornou uma vari\u00e1vel important\u00edssima neste momento para a infla\u00e7\u00e3o, mais at\u00e9 que o ajuste fiscal, que s\u00f3 ter\u00e1 efeito a mais longo prazo, se aprovado pelo Congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Bolha imobili\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m no BC acredita \u2014 n\u00e3o neste momento \u2014 em uma arrancada brusca do d\u00f3lar a curto prazo. Primeiro, porque \u00e9 m\u00ednima a chance de o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, aumentar os juros na reuni\u00e3o da pr\u00f3xima semana. Em dezembro, por\u00e9m, tudo pode acontecer. Os alertas que alguns dirigentes da institui\u00e7\u00e3o t\u00eam dado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 alta da taxa b\u00e1sica v\u00eam se tornando mais frequentes, o que elevou o n\u00edvel de estresse dos mercados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para um t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica, como o aumento dos juros nos EUA ser\u00e1 m\u00ednimo e feito gradualmente, os efeitos no Brasil ser\u00e3o sentidos na margem. Mas \u00e9 preciso cuidado, pois outras amea\u00e7as est\u00e3o no horizonte, como um poss\u00edvel estouro da bolha imobili\u00e1ria da China. Os pre\u00e7os dos im\u00f3veis subiram tanto em Pequim e em Shangai, que apartamentos j\u00e1 est\u00e3o sendo vendidos por valores muito pr\u00f3ximos aos de Manhattan, em Nova York. \u00c9 imposs\u00edvel isso se manter de p\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. O governo do pa\u00eds asi\u00e1tico ainda n\u00e3o conseguiu encontrar um ponto de equil\u00edbrio para a transi\u00e7\u00e3o do modelo de crescimento baseado no investimento e na exporta\u00e7\u00e3o para aquele sustentado pelo consumo interno. Fam\u00edlias e empresas est\u00e3o sendo incentivadas ao endividamento, como fez o Brasil em 2008 e 2009. Para se ter uma ideia disso, somando todas as d\u00edvidas, inclusive as concedidas no mercado paralelo, o tal do shadow bank, chega-se a quase 300% do Produto Interno Bruto (PIB). \u00c9 verdade que a China tem poupan\u00e7a para um eventual colapso do cr\u00e9dito, mas o estrago ser\u00e1 grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Calma com os juros<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse quadro de incerteza externa, com os bancos centrais da Europa e do Jap\u00e3o menos dispostos a ampliar o volume de dinheiro despejado na economia, n\u00e3o d\u00e1 para ser t\u00e3o firme nas apostas de que o BC come\u00e7ar\u00e1 a cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em outubro. Para que isso ocorra, ser\u00e1 preciso que o mercado externo d\u00ea uma acalmada e que o C\u00e2mara dos Deputados aprove, em dois turnos, a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento de gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. Poucos acreditam nisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sendo assim, \u00e9 melhor esperar novembro chegar. Que o BC de Ilan quer cortar juros, ningu\u00e9m tem d\u00favidas. Mas ele sabe que n\u00e3o pode se precipitar, pois qualquer derrapada custar\u00e1 a destrui\u00e7\u00e3o de toda reputa\u00e7\u00e3o do banco constru\u00edda desde que a atual diretoria tomou posse. Para t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o, Ilan prefere sacrificar um pouco mais a economia com juros mais altos, do que ser comparado a seu antecessor, Alexandre Tombini, que minou a credibilidade da pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO desejo de reduzir os juros \u00e9 vis\u00edvel entre os diretores do BC\u201d, diz um t\u00e9cnico. \u201cMas ainda h\u00e1 alguns sen\u00f5es importantes no meio do caminho, um deles, o d\u00f3lar\u201d, acrescenta. O momento, portanto, exige paci\u00eancia e sabedoria. Pelo menos, at\u00e9 agora, a diretoria de Ilan n\u00e3o tem decepcionado. Resta saber se o restante do governo ter\u00e1 o mesmo tipo de comportamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h32min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se trata de motivo para alarde, mas o Banco Central acendeu o sinal de alerta diante da instabilidade que se instalou nos mercados internacionais e que transformaram a bolsa de valores e o d\u00f3lar em verdadeiras gangorras. 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