{"id":3175,"date":"2016-09-14T05:30:33","date_gmt":"2016-09-14T08:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3175"},"modified":"2016-09-14T06:38:48","modified_gmt":"2016-09-14T09:38:48","slug":"coluna-no-correio-plano-de-intencoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-plano-de-intencoes\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Plano de inten\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Faz parte do jogo o governo assumir o papel de animador da economia, sobretudo depois de anos de profunda recess\u00e3o, desemprego em alta e infla\u00e7\u00e3o que n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua. Mas acreditar que o programa de concess\u00f5es anunciado ontem pelo presidente Michel Temer impulsionar\u00e1 rapidamente o ritmo da atividade \u00e9 outra coisa. Por enquanto, o que o Pal\u00e1cio do Planalto colocou nas ruas \u00e9 um grande plano de inten\u00e7\u00f5es, cujos resultados s\u00f3 come\u00e7ar\u00e3o a ser sentidos no fim de 2017. \u00c9 quando os investimentos esperados em obras de expans\u00e3o da infraestrutura come\u00e7ar\u00e3o a dar as caras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos n\u00f3s a serem desatados. Os investidores precisam ter a confian\u00e7a de que as regras fixadas pelo governo n\u00e3o ser\u00e3o mudadas no meio do caminho. Os juros ter\u00e3o de cair e o cr\u00e9dito voltar a jorrar. O governo anunciou linhas de R$ 30 bilh\u00f5es que vir\u00e3o dos bancos p\u00fablicos e do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). N\u00e3o especificou as taxas desses financiamentos, mas, para estimular o capital a assumir riscos, elas n\u00e3o podem ser muito maiores do que os 14,25% ao ano fixados pelo Banco Central \u2014 a taxa real, descontada a infla\u00e7\u00e3o, est\u00e1 em 7%, algo sem precedentes no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as tradicionais operadoras dessas obras, as empreiteiras, est\u00e3o enroladas at\u00e9 o pesco\u00e7o com a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, que desvendou o esquema de corrup\u00e7\u00e3o que saqueou a Petrobras. Aquelas que n\u00e3o entraram em recupera\u00e7\u00e3o judicial est\u00e3o prestes a faz\u00ea-lo. Para que o pa\u00eds atraia players estrangeiros, precisa mudar, rapidamente, a regra que determina um limite de conte\u00fado nacional nas obras. Isso n\u00e3o ocorrer\u00e1 da noite para o dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 importante que, neste momento t\u00e3o dif\u00edcil pelo qual passa o pa\u00eds, o governo admita a sua incapacidade de tocar obras vitais para o crescimento e o aumento da competitividade da economia. Obras de infraestrutura devem ser responsabilidade da iniciativa privada. Mas, nos \u00faltimos anos, o capital foi machucado. Neste momento, est\u00e1 lambendo as feridas, \u00e0 espera de uma administra\u00e7\u00e3o mais ativa, realmente comprometida com o ajuste fiscal e com a estabilidade econ\u00f4mica. Sem previsibilidade, n\u00e3o h\u00e1 como se falar em investimentos de prazos t\u00e3o longos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Anos de decep\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para t\u00e9cnicos conceituados do governo, o plano de concess\u00f5es que envolve 25 projetos, entre aeroportos, rodovias e ferrovias, \u00e9 um passo importante, principalmente para mostrar que h\u00e1 uma dire\u00e7\u00e3o na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Depois do impeachment de Dilma Rousseff e da cassa\u00e7\u00e3o de Eduardo Cunha, a hora \u00e9 de priorizar a economia, sem a qual Temer n\u00e3o conseguir\u00e1 ir muito adiante. Os t\u00e9cnicos dizem que, para o programa n\u00e3o sair do zero, a op\u00e7\u00e3o foi por usar parte dos projetos elaborados no governo passado, especialmente o que concede os aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Florian\u00f3polis e Fortaleza \u00e0 iniciativa privada. \u201cEra o que t\u00ednhamos de mais bem estruturado\u201d, diz um dos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo acredita que, depois de anos de decep\u00e7\u00e3o, os investidores v\u00e3o embarcar no programa mais cedo do que muitos imaginam. O engajamento, por\u00e9m, ser\u00e1 maior \u00e0 medida em que o Congresso foi dando o aval para arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. N\u00e3o por acaso, o Planalto decidiu escalar grupos para atuar em duas frentes. Na primeira, convencendo os donos do dinheiro de que vale a pena aplicar no Brasil devido ao seu potencial, j\u00e1 que a car\u00eancia de infraestrutura \u00e9 enorme e os juros l\u00e1 fora est\u00e3o pr\u00f3ximos de zero. Na segunda, unindo a base aliada para aprovar a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento dos gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida em que o ajuste fiscal for avan\u00e7ando, veremos as taxas de juros caindo e o empresariado liberando o esp\u00edrito animal\u201d, diz um auxiliar do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. \u201cMas, por enquanto, isso \u00e9 mais desejo do que realidade\u201d, admite. A equipe econ\u00f4mica est\u00e1 consciente de que o processo de ades\u00e3o ao programa de concess\u00f5es deslanchar\u00e1 quando as regras estiverem bem claras. N\u00e3o se ver\u00e1 nada parecido com o que prevaleceu na administra\u00e7\u00e3o de Dilma, em que o Planalto queria definir o tamanho do retorno do investimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Fundo do po\u00e7o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Corretora, a iniciativa do governo de estimular a economia por meio de concess\u00f5es \u00e9 louv\u00e1vel, mas est\u00e1 longe de provocar euforia ou otimismo. Ele diz que a atividade est\u00e1 ainda se debatendo para sair no fundo do po\u00e7o da recess\u00e3o, e n\u00e3o ser\u00e1 somente um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es que mudar\u00e1 o ritmo das coisas. Pelos c\u00e1lculos dele, o Produto Interno Bruto (PIB) crescer\u00e1 apenas 1% em 2017, depois de cair 7% nos dois anos anteriores. \u201cPara mudar a hist\u00f3ria, o pa\u00eds precisaria de um megaprograma de investimentos. N\u00e3o \u00e9 o que temos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fragilidade da economia, no entender de Silveira, pode ser medida pelos dados de julho do varejo. As vendas dos super e hipermercados, ou seja, de comida e de bebida, os \u00faltimos itens que os consumidores cortam, recuaram 0,1% depois de terem ca\u00eddo 0,4% em junho. J\u00e1 vestu\u00e1rios e cal\u00e7ados tombaram 5,8%. Os n\u00fameros confirmam que a renda dos trabalhadores continua encolhendo. Sem o restabelecimento do consumo das fam\u00edlias \u00e9 dif\u00edcil falar em uma economia forte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTalvez, na melhor das hip\u00f3teses, teremos, no terceiro trimestre do ano, uma varia\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de zero do PIB. O processo de recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, com ou sem plano de concess\u00f5es, ser\u00e1 muito mais lento que o desejado\u201d, assinala Silveira. Portanto, o governo n\u00e3o pode se apegar a pequenas coisas para dar um g\u00e1s na economia. O programa de concess\u00f5es \u00e9 apenas o primeiro passo para a retomada. Vamos ver como Temer se sair\u00e1 na reg\u00eancia da orquestra. Se desafinar, pagar\u00e1 muito caro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h30mim<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz parte do jogo o governo assumir o papel de animador da economia, sobretudo depois de anos de profunda recess\u00e3o, desemprego em alta e infla\u00e7\u00e3o que n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua. Mas acreditar que o programa de concess\u00f5es anunciado ontem pelo presidente Michel Temer impulsionar\u00e1 rapidamente o ritmo da atividade \u00e9 outra coisa. 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