{"id":3105,"date":"2016-09-08T07:10:34","date_gmt":"2016-09-08T10:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3105"},"modified":"2016-09-08T08:11:04","modified_gmt":"2016-09-08T11:11:04","slug":"coluna-no-correio-apostas-na-mesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-apostas-na-mesa\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Apostas na mesa"},"content":{"rendered":"<p>Apesar do clima nada amistoso na base aliada do governo, o que pode atrasar a vota\u00e7\u00e3o de projetos important\u00edssimos para o ajuste fiscal, os investidores, sobretudo os estrangeiros, est\u00e3o pagando para ver. Desde a defini\u00e7\u00e3o do impeachment definitivo de Dilma Rousseff, os donos do dinheiro intensificaram as apostas de que o presidente Michel Temer conseguir\u00e1 aprovar pelo menos a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita ao aumento de gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. Se ele tiver sucesso apenas nesse ponto, avaliam os investidores, ser\u00e1 poss\u00edvel esperar crescimento maior da economia em 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Boa parte desse otimismo est\u00e1 sustentado pelos ventos que v\u00eam do exterior, acredita o economista Carlos Thadeu Filho, s\u00f3cio da consultoria MacroAgro. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, est\u00e1 cada vez mais claro que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, n\u00e3o aumentar\u00e1 as taxas de juros neste ano. Com isso, os pa\u00edses emergentes tendem a atrair um volume maior de capitais, especialmente aqueles que conseguirem levar adiante projetos de reformas. O Brasil, ainda que com anos de atraso, \u00e9 um dos poucos que, atualmente, est\u00e1 prevendo mudan\u00e7as estruturais, como a da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Thadeu ressalta que, num quadro de alta dos juros nos EUA, certamente o Brasil sentiria o impacto, uma vez que os investidores sempre preferem aplicar o dinheiro na maior economia no planeta, mesmo que a taxas menores que as pagas por na\u00e7\u00f5es emergentes. \u201cComo esse movimento ser\u00e1 adiado, podemos tirar proveito. Basta que o governo avance um pouco no ajuste, com a aprova\u00e7\u00e3o da PEC ainda neste ano. A reforma de Previd\u00eancia, a despeito de ser muito importante, pode ficar para um pouco mais adiante, para 2017. Todos v\u00e3o entender\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Thadeu, independentemente das recentes amea\u00e7as do Fed de alta nos juros, a institui\u00e7\u00e3o ter\u00e1 que se render \u00e0 queda dos lucros das empresas nos EUA, ao menor volume de empregos criados e ao enfraquecimento da atividade, demonstrado, principalmente, pelo setor de servi\u00e7os. \u201cO Fed n\u00e3o conseguir\u00e1 encontrar justificativa para um aperto monet\u00e1rio neste momento, nem mesmo diante da ligeira alta da infla\u00e7\u00e3o, que \u00e9 tempor\u00e1ria\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Otimismo no BC<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se confirmado esse ambiente mais favor\u00e1vel, com andamento do ajuste fiscal, o s\u00f3cio da MacroAgro cr\u00ea que o Banco Central far\u00e1 o que tanto deseja: reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 14,25% ao ano. O corte no custo do dinheiro pode ocorrer, inclusive, em outubro. H\u00e1 diretores do BC defendendo que a institui\u00e7\u00e3o deve se antecipar ao movimento consistente de baixa da infla\u00e7\u00e3o, que caminha para o centro da meta em 2017 e para abaixo de 4,5% em 2018. A aposta de queda da Selic no m\u00eas que vem \u00e9 bancada, especialmente, pelos dois maiores bancos privados do Brasil, o Ita\u00fa Unibanco e o Bradesco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O clima no BC, por sinal, \u00e9 bastante positivo. Os diretores acreditam que o discurso adotado ap\u00f3s a posse de Ilan Goldfajn na presid\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o convenceu a grande maioria do mercado de que n\u00e3o h\u00e1 mais complac\u00eancia com a infla\u00e7\u00e3o. Isso que dizer que, mesmo com todas as portas abertas para a redu\u00e7\u00e3o da Selic, a tesoura s\u00f3 vai funcionar quando todas as garantias estiverem \u00e0s m\u00e3os.<br \/>\n\u201cO BC n\u00e3o quer come\u00e7ar a cortar juros e, no meio do caminho, ser obrigado a suspender o movimento porque algo deu errado. Quer um processo consistente, at\u00e9 que se tenha uma Selic que, ao mesmo tempo, mantenha a infla\u00e7\u00e3o sob controle e estimule o crescimento\u201d, diz um integrante da equipe econ\u00f4mica. \u201cMas isso exige infla\u00e7\u00e3o na meta e ajuste fiscal consistente\u201d, acrescenta. Para esse t\u00e9cnico, o importante \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o dadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Miss\u00e3o dif\u00edcil<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto o t\u00e9cnico do governo quanto Thadeu Filho n\u00e3o descartam a possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) encerrar 2017 com avan\u00e7o entre 2% e 3%. Eles ressaltam que essa perspectiva est\u00e1 contemplada pelos atuais indicadores do mercado: d\u00f3lar na casa dos R$ 3,20 e bolsa de valores acima dos 60 mil pontos. \u201cOs investidores est\u00e3o se antecipando a uma retomada mais forte da atividade\u201d, refor\u00e7a o s\u00f3cio da MacroAgro. N\u00e3o se pode esquecer, segundo ele, que a base de compara\u00e7\u00e3o ajudar\u00e1 estatisticamente a se ter um saldo melhor da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas que fique claro: tudo est\u00e1 nas m\u00e3os do governo. Se realmente houver empenho de Temer para fazer o ajuste fiscal andar, os resultados a serem colhidos podem surpreender para melhor. \u00c9 esse discurso que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vem usando nas conversas com o presidente para convenc\u00ea-lo a n\u00e3o recorrer a sa\u00eddas f\u00e1ceis como, muitas vezes, defende a ala pol\u00edtica do Planalto. \u201cA miss\u00e3o de Meirelles \u00e9 dar a real, despolitizar toda a discuss\u00e3o sobre a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas\u201d, afirma um defensor do ministro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As pr\u00f3ximas duas semanas ser\u00e3o decisivas para saber se o que diz Temer est\u00e1 mais no campo das promessas ou do desejo efetivo de tirar o pa\u00eds do atoleiro. Nesse per\u00edodo, j\u00e1 como presidente efetivo, ele ter\u00e1 que destravar a pauta do Congresso, aprovar o projeto de renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas dos estados na C\u00e2mara, segurar o aumento dos sal\u00e1rios dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no Senado e se desvincular do processo de cassa\u00e7\u00e3o do deputado Eduardo Cunha. N\u00e3o \u00e9 pouco para uma pessoa que, a todo momento, precisa ressaltar sua lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 07h10min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar do clima nada amistoso na base aliada do governo, o que pode atrasar a vota\u00e7\u00e3o de projetos important\u00edssimos para o ajuste fiscal, os investidores, sobretudo os estrangeiros, est\u00e3o pagando para ver. 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