{"id":3006,"date":"2016-09-02T05:17:04","date_gmt":"2016-09-02T08:17:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3006"},"modified":"2016-09-02T00:21:06","modified_gmt":"2016-09-02T03:21:06","slug":"coluna-no-correio-alivio-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-alivio-vista\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Al\u00edvio \u00e0 vista"},"content":{"rendered":"<p>T\u00e9cnicos do Banco Central acreditam que o corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) est\u00e1 a caminho, mas ressaltam que o mercado deve manter o p\u00e9 no freio nas apostas de mudan\u00e7a na pol\u00edtica monet\u00e1ria em outubro. Ele dizem que as condi\u00e7\u00f5es para que o time comandado por Ilan Goldfajn d\u00ea o al\u00edvio que todos esperam est\u00e3o criadas, mas tudo depender\u00e1 de como o governo encaminhar\u00e1 no Congresso Nacional a aprova\u00e7\u00e3o da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento de gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior e a reforma da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o projeto for aprovado pela C\u00e2mara dos Deputados at\u00e9 as v\u00e9speras da pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), marcada para 18 e 19 de outubro, as chances de queda da Selic aumentar\u00e3o muito. Nesse caso, acreditam os t\u00e9cnicos, o BC nem esperaria a converg\u00eancia das proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o para 4,5%, como vem pregando o comando da institui\u00e7\u00e3o. Ilan e companhia teriam a justificativa de que o t\u00e3o esperado ajuste fiscal ficaria mais pr\u00f3ximo de sair do campo das promessas para se tornar realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos do BC, as expectativas de infla\u00e7\u00e3o ca\u00edram bem nas \u00faltimas semanas, refletindo a maior confian\u00e7a na equipe econ\u00f4mica. Mas a estimativa de 5,1% para 2017 ainda est\u00e1 contaminada pelo risco fiscal. Quer dizer: os especialistas incluem nas proje\u00e7\u00f5es a hip\u00f3tese de o ajuste das contas p\u00fablicas n\u00e3o sair, com o governo sendo derrotado no Congresso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 PEC dos gastos. \u201cUma vit\u00f3ria na C\u00e2mara com a PEC certamente jogar\u00e1 a expectativa de infla\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo ano para mais pr\u00f3ximo de 4,5%. N\u00e3o temos d\u00favidas disso\u201d, diz um conceituado funcion\u00e1rio da autoridade monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele ressalta que outra condicionante imposta pelo time de Ilan para o corte dos juros, a queda dos pre\u00e7os dos alimentos, j\u00e1 est\u00e1 se materializando. Os recentes \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o t\u00eam ficado muito pr\u00f3ximos de zero, justamente porque os reajustes da comida perderam for\u00e7a e n\u00e3o se vislumbra, pelo menos no curto prazo, uma recupera\u00e7\u00e3o. \u201cO BC j\u00e1 percorreu pelo menos metade do caminho que tra\u00e7ou para reduzir os juros. \u00c9 verdade que a outra metade exigir\u00e1 um esfor\u00e7o muito maior, pois depende, sobretudo, da resposta do Congresso. Mas estamos confiantes\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Simbolismo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se come\u00e7ar, por\u00e9m, a derrubar a Selic em outubro, o BC o far\u00e1 de forma muito lenta, come\u00e7ando com 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. Ser\u00e1 mais um corte simb\u00f3lico. Caso a op\u00e7\u00e3o seja pela baixa a partir de reuni\u00e3o de novembro do Copom, a\u00ed, sim, o tombo ser\u00e1 maior: de 0,5 ponto. Tudo isso, claro, condicionado ao avan\u00e7o da agenda fiscal no Congresso \u2014 a meta do Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9 liquidar a fatura da PEC dos gastos no Senado at\u00e9 o fim do ano \u2014 e ao comportamento mais benigno da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso deixar claro que n\u00e3o h\u00e1 aventureiros no comando do BC. Da mesma forma que todos cobram uma pol\u00edtica fiscal respons\u00e1vel, o banco age para que a pol\u00edtica monet\u00e1ria cumpra seu papel\u201d, destaca um outro t\u00e9cnico da institui\u00e7\u00e3o. Para ele, a preocupa\u00e7\u00e3o do BC \u00e9 que tudo seja definido de forma muito t\u00e9cnica. Os diretores n\u00e3o querem que fique a impress\u00e3o de que bastou Michel Temer ser efetivado na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica para os juros ca\u00edrem. \u201cIsso n\u00e3o existe. Mas n\u00e3o basta dizer. \u00c9 preciso comprovar com fatos. E o BC est\u00e1 pronto para responder a todos os questionamentos\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os t\u00e9cnicos, ningu\u00e9m descarta que, caso o Copom decida manter os juros em 14,25% em outubro, haja dissid\u00eancia entre os diretores, com dois ou tr\u00eas deles votando por um corte de 0,25 ponto. Seria a senha para que, no m\u00eas seguinte, a Selic ca\u00edsse. \u201cEssa estrat\u00e9gia j\u00e1 foi usada v\u00e1rias vezes pela autoridade monet\u00e1ria. Resta saber se o atual comando do BC est\u00e1 disposto a repeti-la. Sabemos que tudo o que o time de Ilan n\u00e3o quer \u00e9 ficar parecido com a gest\u00e3o anterior, liderada por Alexandre Tombini\u201d, diz um funcion\u00e1rio com tr\u00e2nsito na diretoria do banco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ilan e subordinados j\u00e1 deixaram claro, em conversas dentro do BC, que reputa\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo. Sendo assim, todos os passos est\u00e3o sendo dados de forma calculada. Num primeiro momento, a op\u00e7\u00e3o foi por falar grosso, at\u00e9 para separar bem o Ilan economista-chefe do Ita\u00fa Unibanco, que defendia corte de dois pontos na Selic neste ano, do Ilan presidente do BC. A retirada de um trecho do mais recente comunicado do Copom \u2014 \u201cn\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para flexibiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria\u201d \u2014 j\u00e1 mostra um BC mais dono de si, confiante de que os agentes econ\u00f4micos n\u00e3o vislumbram nenhum tipo de estripulia. O corte da Selic ser\u00e1 a coroa\u00e7\u00e3o do trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o da credibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que vem na ata<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No mercado, que, em boa parte, prev\u00ea baixa dos juros em outubro, aumentou a expectativa quanto \u00e0 ata da reuni\u00e3o do Copom de anteontem, que ser\u00e1 divulgada na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira. Os economistas se perguntam se o BC tender\u00e1 a usar uma linguagem mais firme que a do comunicado p\u00f3s-manuten\u00e7\u00e3o da Selic em 14,25% para p\u00f4r fim \u00e0s expectativas de afrouxamento da pol\u00edtica monet\u00e1ria no pr\u00f3ximo m\u00eas. Os t\u00e9cnicos do banco dizem que a tend\u00eancia \u00e9 de o BC manter a coer\u00eancia. Alegam que n\u00e3o h\u00e1 por que ficar criando ru\u00eddos com um vaiv\u00e9m de posi\u00e7\u00f5es. A institui\u00e7\u00e3o s\u00f3 perde com isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o Planalto, o novo discurso do BC soou como m\u00fasica. A orienta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 n\u00e3o jogar press\u00e3o sobre o banco. Um assessor de Temer afirma que, quanto menos o governo politizar as decis\u00f5es de pol\u00edtica monet\u00e1ria, mais o Copom se sentir\u00e1 confort\u00e1vel para entregar a redu\u00e7\u00e3o da Selic. \u201cO que temos que fazer, neste momento, \u00e1 ajudar o BC. E isso significa aprovar a PEC dos gastos ainda neste ano e fazer andar a reforma da Previd\u00eancia. Temos dois ter\u00e7os do Congresso para garantir a vit\u00f3ria\u201d, destaca. Tomara que esse discurso n\u00e3o seja propaganda enganosa.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 05h17min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e9cnicos do Banco Central acreditam que o corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) est\u00e1 a caminho, mas ressaltam que o mercado deve manter o p\u00e9 no freio nas apostas de mudan\u00e7a na pol\u00edtica monet\u00e1ria em outubro. 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