{"id":298,"date":"2015-11-28T08:30:28","date_gmt":"2015-11-28T10:30:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=298"},"modified":"2015-11-28T18:51:49","modified_gmt":"2015-11-28T20:51:49","slug":"remendos-e-improvisos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/remendos-e-improvisos\/","title":{"rendered":"REMENDOS E IMPROVISOS"},"content":{"rendered":"<p>O pa\u00eds est\u00e1 \u00e0 beira do colapso fiscal. A presidente Dilma Rousseff, que embarcou para Paris, tanto fez que conseguiu levar o governo \u00e0 paralisia. Sem meta fiscal para este ano, o Tesouro Nacional ser\u00e1 obrigado a suspender, a partir de 1\u00ba de dezembro, uma s\u00e9rie de pagamentos. Apenas o que \u00e9 considerado essencial para o funcionamento da m\u00e1quina ser\u00e1 honrado. O chamado shutdown seria um problema menor se Dilma e o Congresso tivessem entendido a dimens\u00e3o do caos que pode se instalar no Brasil. Infelizmente, a petista e a maior parcela de parlamentares s\u00f3 est\u00e3o preocupadas em garantir os mandatos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A crise fiscal n\u00e3o vem de hoje. Veio sendo constru\u00edda com disposi\u00e7\u00e3o, como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3. De olho na reelei\u00e7\u00e3o da presidente Dilma e no projeto de poder do PT, o Tesouro Nacional deu in\u00edcio a uma farra com o dinheiro p\u00fablico, que levou o pa\u00eds a um salto espetacular no seu endividamento. Para esconder a gastan\u00e7a, o Minist\u00e9rio da Fazenda usou de todos os tipos de artif\u00edcios a fim de maquiar as contas. Pedalou tanto as despesas, que criou um passivo com os bancos p\u00fablicos de mais de R$ 50 bilh\u00f5es, que n\u00e3o se sabe como e quando ser\u00e1 pago.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos alertas de que a situa\u00e7\u00e3o fiscal poderia sair do controle, inclusive do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), que recomendou a rejei\u00e7\u00e3o das contas de 2014 e abriu precedente para o impeachment de Dilma, nem o governo nem o Congresso tiveram a preocupa\u00e7\u00e3o de conter os estragos. N\u00e3o \u00e0 toa, hoje, em vez de o pa\u00eds estar discutindo medidas para a retomada do crescimento econ\u00f4mico, teme-se o risco de o governo decretar calote na d\u00edvida p\u00fablica e de a praga da hiperinfla\u00e7\u00e3o voltar. \u201cEstamos diante de um quadro dram\u00e1tico\u201d, admite Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Depress\u00e3o econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fatura da desconfian\u00e7a provocada pelo desajuste fiscal \u00e9 assustadora. Na avalia\u00e7\u00e3o de Zeina, j\u00e1 n\u00e3o se pode mais falar em recess\u00e3o, mas, sim, em depress\u00e3o econ\u00f4mica. Enquanto o mundo crescer\u00e1 entre 3% e 3,5% neste ano e nos pr\u00f3ximos, o Brasil ter\u00e1 quedas superiores a 3% em 2015 e em 2016. Dependendo do que est\u00e1 por vir, tamb\u00e9m 2017 poder\u00e1 ser dado como perdido. Com esse encolhimento da atividade, o desemprego vai disparar e conflitos sociais poder\u00e3o tomar as ruas. Para ela, o Brasil perdeu a oportunidade de fazer o mais f\u00e1cil, uma ajuste r\u00e1pido e profundo, pois tinha o ministro certo para a miss\u00e3o, Joaquim Levy, que, infelizmente, s\u00f3 colecionou derrotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que mais perturba diante da incapacidade do governo de arrumar as finan\u00e7as do pa\u00eds \u00e9 a trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica. Quando Dilma chegou ao Pal\u00e1cio do Planalto, em 2011, o endividamento correspondia a 53% do Produto Interno Bruto (PIB). Dado o que se viu at\u00e9 agora \u2014 o rombo nas contas de outubro passou de R$ 12 bilh\u00f5es \u2014, \u00e9 poss\u00edvel esperar que a rela\u00e7\u00e3o entre a d\u00edvida e o PIB crave os 68 em dezembro%. Ao fim de 2016, encostar\u00e1 nos 75%, pois n\u00e3o se acredita que Levy conseguir\u00e1 entrega a meta de superavit prim\u00e1rio de 0,7% do PIB. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que o pr\u00f3ximo ano seja o terceiro seguido com deficit fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entender de Zeina, n\u00e3o \u00e9 exagero falar que o Brasil caminha para a desorganiza\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica, ficando cada vez mais parecido com a Argentina. \u201cEsse discurso de que n\u00e3o h\u00e1 como nos assemelharmos ao pa\u00eds vizinho porque temos institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas n\u00e3o se sustenta. As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o fazendo o que precisa ser feito para evitar o pior\u201d, acrescenta. Enquanto isso, a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 ganhando musculatura, o PIB, derretendo, e a d\u00edvida p\u00fablica, a caminho da explos\u00e3o. Nesse contexto, de nada adiantar\u00e1 o Banco Central elevar os juros. S\u00f3 agravar\u00e1 o quadro fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Press\u00e3o da sociedade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sa\u00edda para o pa\u00eds desatar n\u00f3 fiscal seria a sociedade pressionar governo e Congresso a enfrentar os desafios que est\u00e3o colocados. A lideran\u00e7a desse processo teria de ser ocupada pela presidente da Rep\u00fablica. Mas, infelizmente, ela n\u00e3o demonstra a menor capacidade para isso. Dilma n\u00e3o consegue aglutinar uma base parlamentar. Parte dos que poderiam dar suporte a ela est\u00e3o enredados pelas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o investigadas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. O l\u00edder do governo, Delc\u00eddio do Amaral, que deveria estar quebrando resist\u00eancias no Legislativo ao ajuste fiscal, est\u00e1 preso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado disso, avalia a economista da XP Investimentos, ser\u00e1 uma demora maior para o pa\u00eds se recuperar. \u201cN\u00e3o se est\u00e1 falando aqui da volta do crescimento sustentado. Mas de uma recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica, normal depois de uma recess\u00e3o profunda. N\u00e3o veremos nem isso t\u00e3o cedo\u201d, assinala. Pior para a popula\u00e7\u00e3o, que ter\u00e1 de arcar com todo o \u00f4nus provocado pelo colapso fiscal. Dilma, como de praxe, vai tentar minimizar os problemas. O certo, por\u00e9m, \u00e9 que o Brasil est\u00e1 sem governo, vivendo de remendos e improvisos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb A gestora de recursos Franklin Templeton est\u00e1 prevendo queda de 3,5% para o PIB deste ano e retra\u00e7\u00e3o de 4,3% em 2016. Com esses resultados, a economia voltar\u00e1 aos n\u00edveis de 2011, o primeiro ano de mandato de Dilma. Nos c\u00e1lculos da Templeton, somente a absor\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica recuar\u00e1 6% em 2015. Investimentos e consumo das fam\u00edlias ser\u00e3o decisivos para o tombo da atividade. N\u00e3o h\u00e1 perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o \u00e0 vista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PIB do desastre<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb A pr\u00f3xima semana dar\u00e1 o tom do que realmente ser\u00e1 o PIB deste ano. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgar\u00e1, na ter\u00e7a-feira, o resultado do terceiro trimestre. Pelos c\u00e1lculos do economista-chefe do banco Santander, Maur\u00edcio Molan, a retra\u00e7\u00e3o da atividade foi de 1,4% ante os tr\u00eas meses imediatamente anteriores. Em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo trimestre de 2014, o tombo chegou a 4,4%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds est\u00e1 \u00e0 beira do colapso fiscal. A presidente Dilma Rousseff, que embarcou para Paris, tanto fez que conseguiu levar o governo \u00e0 paralisia. Sem meta fiscal para este ano, o Tesouro Nacional ser\u00e1 obrigado a suspender, a partir de 1\u00ba de dezembro, uma s\u00e9rie de pagamentos. 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