{"id":2957,"date":"2016-08-31T07:22:48","date_gmt":"2016-08-31T10:22:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2957"},"modified":"2016-08-31T08:27:25","modified_gmt":"2016-08-31T11:27:25","slug":"coluna-no-correio-historia-de-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-historia-de-dilma\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: A hist\u00f3ria de Dilma"},"content":{"rendered":"<p>A petista Dilma Rousseff se despede hoje da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e entrar\u00e1 para a hist\u00f3ria de uma forma melanc\u00f3lica. Ela, que chegou ao Pal\u00e1cio do Planalto movida por um sopro de renova\u00e7\u00e3o, com fama de gerentona e carregando a vassoura anticorrup\u00e7\u00e3o, deixar\u00e1 ao pa\u00eds um legado desastroso: recess\u00e3o, desemprego recorde, infla\u00e7\u00e3o distante do centro da meta, taxa de juros nas alturas e contas p\u00fablicas em frangalhos. Nada ser\u00e1 resolvido a curto prazo. Muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00fameros divulgados ontem d\u00e3o a exata dimens\u00e3o do tamanho da heran\u00e7a maldita de Dilma. Desde janeiro de 2015, quando o Brasil mergulhou de vez na crise em que est\u00e1 atolado, 5,4 milh\u00f5es de trabalhadores engrossaram o ex\u00e9rcito de desempregados. A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o saltou de 4,8% para 11,6%, um recorde da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Os 11,8 milh\u00f5es de brasileiros sem trabalho representam um contingente maior do que a popula\u00e7\u00e3o de Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como foi o \u00faltimo a sentir o impacto da crise, o emprego ser\u00e1 o \u00faltimo a reagir \u00e0 retomada da economia. Ainda veremos a taxa de desemprego crescendo pelo menos at\u00e9 a primeira metade de 2017, um tormento para as fam\u00edlias, que foram obrigadas a cortar itens imprescind\u00edveis do or\u00e7amento, como planos de sa\u00fade. Mesmo que os investimentos produtivos voltem, num primeiro momento, n\u00e3o v\u00e3o resultar em abertura de vagas. As empresas usar\u00e3o a capacidade ociosa das f\u00e1bricas antes de refor\u00e7arem o quadro de pessoal. Hoje, em m\u00e9dia, 30% do parque fabril est\u00e1 parado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas contas p\u00fablicas, todos os n\u00fameros analisados s\u00e3o os piores da hist\u00f3ria. Entre janeiro e julho deste ano, o rombo chegou a R$ 51,1 bilh\u00f5es, um aumento de 474% em rela\u00e7\u00e3o ao buraco computado no mesmo per\u00edodo de 2015. Esse salto assustador incorpora todas as despesas que vinham sendo adiadas ou maquiadas pela equipe de Dilma. Tanto o governo quanto os analistas dizem que, na melhor das hip\u00f3teses, apenas em 2019 o Tesouro Nacional voltar\u00e1 a registrar saldo positivo. Nesse contexto, a d\u00edvida p\u00fablica s\u00f3 dever\u00e1 parar de crescer em propor\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desarranjo<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por causa desse desarranjo fiscal, a infla\u00e7\u00e3o resiste a cair. Em qualquer pa\u00eds normal, com a recess\u00e3o que estamos vivendo, os \u00edndices de pre\u00e7os estariam negativos. Aqui, por\u00e9m, a carestia se mant\u00e9m firme e forte porque o governo \u00e9 um gastador contumaz. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) est\u00e1 em quase 9%, o dobro dos 4,5% fixados como meta, que, por sinal, n\u00e3o \u00e9 cumprida desde 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a infla\u00e7\u00e3o t\u00e3o alta, o Banco Central n\u00e3o pode cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano. \u00c9 o n\u00edvel mais elevado desde agosto de 2006. Al\u00e9m de n\u00e3o reduzirem o IPCA na velocidade esperada, os juros agravam a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas e alimentam a recess\u00e3o, pois restringe o cr\u00e9dito. \u00c9 um n\u00f3 que somente uma pol\u00edtica econ\u00f4mica respons\u00e1vel conseguir\u00e1 desatar. Hoje, no dia em que o Senado sacramentar\u00e1 o impeachment de Dilma, o BC, mais uma vez, manter\u00e1 a Selic inalterada, sem a garantia de queda neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todo esse quadro perturbador ser\u00e1 coroado com a divulga\u00e7\u00e3o do PIB do segundo trimestre. Os especialistas veem mais uma contra\u00e7\u00e3o. O per\u00edodo reflete as \u00faltimas medidas tomadas por Dilma na economia. Fala-se em retra\u00e7\u00e3o de at\u00e9 0,7%. A boa not\u00edcia \u00e9 que este pode ser o \u00faltimo suspiro da recess\u00e3o. No acumulado do ano, por\u00e9m, n\u00e3o haver\u00e1 escapat\u00f3ria. A queda do PIB ser\u00e1 superior a 3%. Ser\u00e1 o segundo ano seguido de queda da atividade, o que n\u00e3o se v\u00ea desde 1930 e 1931.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o da economia, se vier, s\u00f3 ficar\u00e1 clara nos \u00faltimos tr\u00eas meses de 2016. Mas que ningu\u00e9m espere um grande salto. Tudo se dar\u00e1 de forma lenta, pois o desastre dos \u00faltimos anos foi enorme. Daqui por diante, o pa\u00eds juntar\u00e1 os cacos, para reconstruir o futuro que foi hipotecado pela primeira mulher a assumir a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e que tinha tudo para fazer um governo maravilhoso. Dilma preferiu, contudo, construir uma outra hist\u00f3ria, da qual, em s\u00e3 consci\u00eancia, n\u00e3o ter\u00e1 nada do que se orgulhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>M\u00e3os \u00e0 obra<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A torcida, daqui por diante, \u00e9 para que, efetivado no governo, Michel Temer n\u00e3o fique se prendendo ao discurso de que est\u00e1 sendo obrigado a administrar o caos. Os tr\u00eas meses de interinidade foram suficientes para todas as lamenta\u00e7\u00f5es. Temer sabe que, ao menor vacilo, ser\u00e1 jogado aos le\u00f5es. Depois do trauma do impeachment, o pa\u00eds quer o crescimento de volta. Foi a forte expans\u00e3o do PIB no per\u00edodo anterior a Dilma que permitiu o maior processo de distribui\u00e7\u00e3o de renda que se tem not\u00edcia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As cartas est\u00e3o na mesa. A maior parte dos investidores acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel dar uma guinada no pa\u00eds. A for\u00e7a com que isso ocorrer\u00e1, no entanto, depender\u00e1 da vontade do governo de comprar brigas e de n\u00e3o se deixar chantagear pela base aliada que, como todos sabem, \u00e9 podre. O governo mudou, mas o Congresso continua o mesmo. Encontrar um ponto de equil\u00edbrio ser\u00e1 um trabalho herc\u00faleo. Portanto, m\u00e3os \u00e0s obras, Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 07h22min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A petista Dilma Rousseff se despede hoje da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e entrar\u00e1 para a hist\u00f3ria de uma forma melanc\u00f3lica. 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