{"id":2904,"date":"2016-08-28T10:01:04","date_gmt":"2016-08-28T13:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2904"},"modified":"2016-08-28T17:03:46","modified_gmt":"2016-08-28T20:03:46","slug":"pib-do-2o-trimestre-mostrara-os-ultimos-suspiros-da-recessao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pib-do-2o-trimestre-mostrara-os-ultimos-suspiros-da-recessao\/","title":{"rendered":"PIB do 2\u00ba trimestre mostrar\u00e1 os \u00faltimos suspiros da recess\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO E ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A recess\u00e3o que o pa\u00eds atravessa, a maior de sua hist\u00f3ria, \u00e9 o sujeito oculto do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Se n\u00e3o fosse o atual quadro de desemprego recorde e de redu\u00e7\u00e3o da renda, haveria menos combust\u00edvel pol\u00edtico para remov\u00ea-la do Pal\u00e1cio do Planalto. E, sem a queda de arrecada\u00e7\u00e3o do ano passado, n\u00e3o seria poss\u00edvel conden\u00e1-la pelos decretos de suplementa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por uma coincid\u00eancia que talvez historiadores registrem um dia com \u00eanfase, a recess\u00e3o entrar\u00e1 novamente em cena poucas horas depois do ep\u00edlogo do impeachment. Est\u00e1 prevista para a madrugada de quarta-feira a vota\u00e7\u00e3o que, segundo os progn\u00f3sticos, encerrar\u00e1 o mandato de Dilma. E, \u00e0s 9h em ponto, na sede do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), ser\u00e1 anunciada a varia\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano.<\/p>\n<p>Para quase todos os analistas de mercado, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o n\u00famero ser\u00e1 ruim. Espera-se queda de pelo menos 0,3% em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros tr\u00eas meses do ano, o que, se ocorrer, ser\u00e1 o mesmo resultado registrado no per\u00edodo anterior. Os progn\u00f3sticos mais graves v\u00e3o at\u00e9 um tombo de 0,7%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, por pior que seja o resultado, ele n\u00e3o assusta o Planalto e o Minist\u00e9rio da Fazenda. J\u00e1 existe uma explica\u00e7\u00e3o pronta no governo que, quando sair o PIB, poder\u00e1 n\u00e3o ser mais interino. O que se vai dizer \u00e9 que o n\u00famero mostra um passado agora distante. Afinal, estar\u00e1 ainda contaminado pelo desempenho econ\u00f4mico de abril. E ser\u00e1, possivelmente, a \u00faltima cena da recess\u00e3o. No per\u00edodo em que estamos hoje, o terceiro trimestre, espera-se resultado igual a zero. Nos \u00faltimos tr\u00eas meses, a tend\u00eancia \u00e9 de que o saldo seja positivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poucos duvidam, por\u00e9m, de que a varia\u00e7\u00e3o a ser divulgada na pr\u00f3xima quarta-feira seja assustadora. Na estimativa do economista Rodrigo Miyamoto, do Ita\u00fa Unibanco, o PIB recuou pela sexta vez consecutiva no segundo trimestre. Pela \u00f3tica da oferta, ele projeta nova queda em servi\u00e7os e a interrup\u00e7\u00e3o da sequ\u00eancia de contra\u00e7\u00f5es na ind\u00fastria; pelo lado da demanda, v\u00ea retra\u00e7\u00e3o no consumo das fam\u00edlias. Miyamoto espera retra\u00e7\u00e3o de 0,6% no segundo trimestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra, prev\u00ea algo ainda pior: 0,7% de queda no trimestre, na extremidade mais pessimista dos progn\u00f3sticos. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, a queda no setor de servi\u00e7os, especialmente no com\u00e9rcio, que demorou mais para sentir a recess\u00e3o, ser\u00e1 o principal respons\u00e1vel pelo resultado ruim. Ele discorda dos que veem o segundo trimestre como o fundo do po\u00e7o da economia brasileira \u2014 estima que a queda do PIB tenha contaminado tamb\u00e9m o per\u00edodo seguinte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a da resposta do governo a esses resultados desalentadores est\u00e1 no fato de que, desde maio, quando foi aprovado o impeachment, caiu quase \u00e0 metade o risco associado ao pa\u00eds no mercado global, medido pelo CDS, os credit default swaps, opera\u00e7\u00f5es financeiras que servem de prote\u00e7\u00e3o aos investidores. A confian\u00e7a dos empres\u00e1rios e consumidores se recuperou fortemente \u2014 no caso dos industriais, o \u00edndice passou do campo negativo para o positivo. Os \u00edndices que sugerem o in\u00edcio do processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia, que s\u00f3 se traduzir\u00e1 em sinal positivo no PIB do quarto trimestre, segundo a expectativa oficial do Minist\u00e9rio da Fazenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Analistas de mercado chamam a aten\u00e7\u00e3o para os primeiros sinais de retomada dos investimentos. \u201cA produ\u00e7\u00e3o de bens de capital \u00e9 um sinal importante, porque mostra que algumas empresas j\u00e1 come\u00e7aram a comprar m\u00e1quinas para melhorar ou ampliar a produ\u00e7\u00e3o\u201d, nota Eduardo Velho, economista-chefe da A2A INVX Global, que v\u00ea queda de 0,3% no PIB no segundo trimestre. Ele lembra que, de maio para junho, a produ\u00e7\u00e3o industrial cresceu 1,1%. \u00c9 um aumento ainda t\u00edmido, mas alentador diante da pasmaceira que se via desde 2014. No caso dos produtores de m\u00e1quinas e equipamentos, o aumento foi bem maior, de 2,1%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ventos mudaram<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Analistas usam diferentes modelos para fazer progn\u00f3sticos. Na f\u00f3rmula usada por Andr\u00e9 Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, a alta da ind\u00fastria resultou at\u00e9 mesmo em alta do PIB do segundo trimestre, de 0,6%. Ainda que esteja em discord\u00e2ncia da m\u00e9dia, \u00e9 um sinal expressivo de que os ventos mudaram, mesmo que n\u00e3o se saiba com que intensidade e por quanto tempo. \u201cN\u00e3o se trata de otimismo. Tanto que eu acho que, no terceiro trimestre, haver\u00e1 nova queda, devido \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar. Isso deve tirar o f\u00f4lego das exporta\u00e7\u00f5es,\u00a0 respons\u00e1veis pelo impulso dos \u00faltimos meses\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do mercado interno, que foi o motor do crescimento antes de o pa\u00eds mergulhar na recess\u00e3o, n\u00e3o se pode esperar muito, por enquanto. \u201c\u00c9 dif\u00edcil prever uma alta forte do consumo quando se considera que as pessoas est\u00e3o endividadas e, em muitos casos, desempregadas\u201d, nota o economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont. Ele prev\u00ea queda de 0,3% no\u00a0 2\u00ba trimestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil de acreditar que algumas empresas j\u00e1 estejam aplicando recursos em meio a tantas dificuldades e incertezas. Mas, em muitos casos, isso est\u00e1 acontecendo. \u201cO investimento sai na frente do consumo\u201d, nota o economista-chefe do Bradesco, Oct\u00e1vio de Barros. Ele explica que empresas de setores mais din\u00e2micos se preparam antecipadamente para a alta da demanda. \u201cA vari\u00e1vel-chave \u00e9 a confian\u00e7a, que tem subido\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o governo, a retomada dos investimentos ser\u00e1 o motor do crescimento. \u201cMuitos projetos que estavam na gaveta ser\u00e3o retomados. Quando a economia vai mal, o investimento cai mais do que a m\u00e9dia.Quando vai bem, sobe mais do que os outros itens\u201d, afirma um integrante da equipe econ\u00f4mica. Quanto ao pr\u00f3ximo ano, a Fazenda elevou a expectativa de crescimento de 1,2% para 1,6%. Ainda \u00e9 um n\u00famero mais alto que a m\u00e9dia do mercado, de 1,2%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 10h01min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO E ANTONIO TEM\u00d3TEO &nbsp; A recess\u00e3o que o pa\u00eds atravessa, a maior de sua hist\u00f3ria, \u00e9 o sujeito oculto do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. 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