{"id":2781,"date":"2016-08-23T05:18:36","date_gmt":"2016-08-23T08:18:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2781"},"modified":"2016-08-23T09:22:06","modified_gmt":"2016-08-23T12:22:06","slug":"coluna-no-correio-economia-no-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-economia-no-azul\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Economia no azul"},"content":{"rendered":"<p>O pa\u00eds saiu da recess\u00e3o, mas o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que ser\u00e1 divulgado no fim do m\u00eas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), ainda mostrar\u00e1 a economia em contra\u00e7\u00e3o. A equipe econ\u00f4mica gostaria de dar a boa not\u00edcia logo, mas reconhece que o ritmo da atividade entre abril e junho foi muito contaminado pela crise pol\u00edtica que culminou com o afastamento de Dilma Rousseff do poder. N\u00e3o se espera, por\u00e9m, um tombo expressivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos dados acumulados de julho em diante, \u00e9 poss\u00edvel que o PIB do terceiro trimestre seja ligeiramente positivo. Mas, por precau\u00e7\u00e3o, para evitar a acusa\u00e7\u00e3o de excesso de otimismo, o governo s\u00f3 admite que a economia voltar\u00e1 ao azul nos \u00faltimos tr\u00eas meses do ano. Um graduado t\u00e9cnico da equipe chefiada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, diz que o momento n\u00e3o \u00e9 de euforia, mas de realismo. \u201cQuanto mais conservadores formos neste momento, melhor\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A grande virada da economia, no entender dos t\u00e9cnicos do governo, se dar\u00e1 em setembro, quando o com\u00e9rcio come\u00e7ar\u00e1 a fazer as encomendas \u00e0 ind\u00fastria para as festas de fim de ano. Dali em diante, espera-se que o n\u00edvel de atividade mostre o PIB ganhando tra\u00e7\u00e3o para fechar 2017 com crescimento entre 1,5% e 2%. \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o otimismo voltou, o que d\u00e1 um g\u00e1s \u00e0 economia. Mas, com a aprova\u00e7\u00e3o definitiva do impeachment de Dilma, o salto ser\u00e1 maior\u201d, acrescenta um assessor do Pal\u00e1cio do Planalto. Para ele, ainda tem muita gente parada, \u00e0 espera de um governo efetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da Fazenda, para que os bons ventos continuem soprando, o impeachment de Dilma ter\u00e1 que ser acompanhado de um forte apoio do Congresso ao ajuste fiscal. Na conversa que teve nos \u00faltimos dias com l\u00edderes de partidos da base aliada, o presidente interino, Michel Temer, pediu total empenho \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da agenda econ\u00f4mica. Ele recebeu a garantia do presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia, de que projetos priorit\u00e1rios n\u00e3o ser\u00e3o prejudicados pelas elei\u00e7\u00f5es municipais. \u201cO Legislativo \u00e9 soberano para decidir sobre o ajuste fiscal. Mas quanto maior for a demora, pior para o pa\u00eds\u201d, acrescenta o auxiliar de Meirelles. \u201cN\u00e3o se trata de press\u00e3o, mas de entender que o rel\u00f3gio est\u00e1 jogando contra n\u00f3s\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Vida real<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Manuel Enriquez Garc\u00eda, presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, de fato, h\u00e1 sinais positivos na economia indicando que o fundo de po\u00e7o chegou e que se est\u00e1 saindo dele. Isso pode ser medido, sobretudo, pelos indicadores de confian\u00e7a. \u201cPrecisamos ver, contudo, se, na economia real, a recess\u00e3o se foi por completo\u201d, frisa. Ele afirma que \u00e9 poss\u00edvel ver um movimento maior nos supermercados, nos shoppings center e nos restaurantes, mas n\u00e3o necessariamente o fluxo maior de pessoas est\u00e1 se traduzindo em aumento das vendas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos esquecer que as fam\u00edlias ainda convivem com um desemprego muito elevado. E desemprego alto n\u00e3o combina com aumento do consumo\u201d, diz Garc\u00eda. No entender dele, os pr\u00f3ximos dados de vendas de bens dur\u00e1veis, como carros, ser\u00e3o determinantes para explicitar qual ser\u00e1 o ritmo da retomada. \u201cPor enquanto, estamos juntando os cacos do que sobrou da economia, o que n\u00e3o \u00e9 pouca coisa diante do tamanho do tombo que vimos no ano passado (queda de 3,8% do PIB) e que teremos neste ano (3,2%)\u201d assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente da Ordem dos Economistas acredita que at\u00e9 o resultado das Olimp\u00edadas do Rio ser\u00e1 importante para dar impulso ao pa\u00eds. \u201cAgora, \u00e9 preciso que o Congresso entenda a urg\u00eancia do momento. Se deputados e senadores continuarem alimentando as incertezas, adiando as discuss\u00f5es sobre a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento de gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior, certamente teremos problemas mais \u00e0 frente. E n\u00e3o ser\u00e3o poucos\u201d, avisa. O ideal, diz ele, \u00e9 que os legisladores n\u00e3o cedam \u00e0s press\u00f5es das corpora\u00e7\u00f5es que s\u00f3 est\u00e3o interessadas em manter privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Cr\u00e9dito e juros<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo j\u00e1 identificou que, com a confian\u00e7a voltando, os bancos come\u00e7aram a destravar o cr\u00e9dito, ponto importante para incrementar o consumo. Melhor: as taxas de juros do mercado futuro, que servem de par\u00e2metro para a forma\u00e7\u00e3o do custo do dinheiro, est\u00e3o em queda. A leitura \u00e9 a de que, mais \u00e0 frente, j\u00e1 se ver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o dos encargos cobrados pelo sistema financeiro, antes mesmo de o Banco Central dar in\u00edcio aos cortes da taxa b\u00e1sica (Selic).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cCr\u00e9dito mais barato tem um efeito multiplicador important\u00edssimo. Permite \u00e0s fam\u00edlias encaixarem as presta\u00e7\u00f5es no or\u00e7amento, faz com que as empresas troquem d\u00e9bitos mais caros por mais baratos e viabiliza o programa de concess\u00f5es e privatiza\u00e7\u00e3o que estamos preparando\u201d, ressalta um assessor de Temer. Na vis\u00e3o dele, todos est\u00e3o \u00e0 espera de uma grande not\u00edcia na economia, que vir\u00e1 quando o PIB ficar no azul. \u201cTemos clara no\u00e7\u00e3o de que o ritmo da atividade parou de cair. E que, em alguns setores, voltou a subir. Mas queremos ver o conjunto da economia navegando em c\u00e9u de brigadeiro.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para que isso aconte\u00e7a, Temer n\u00e3o poder\u00e1 descuidar um minuto do Congresso. Por maior que seja a garantia dos l\u00edderes aliados de que a base pol\u00edtica est\u00e1 enquadrada, tudo pode acontecer. J\u00e1 vimos, na semana passada, atropelos para a vota\u00e7\u00e3o da Desvincula\u00e7\u00e3o de Receitas da Uni\u00e3o (DRU). E h\u00e1 um movimento entre os parlamentares de s\u00e9rios questionamentos \u00e0 PEC dos gastos tanto no que se refere \u00e0s despesas com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, quanto ao prazo de vig\u00eancia do teto, de 20 anos. O interino, portanto, ter\u00e1 que preparar as armas para a batalha que est\u00e1 bem longe do fim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h18min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds saiu da recess\u00e3o, mas o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que ser\u00e1 divulgado no fim do m\u00eas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), ainda mostrar\u00e1 a economia em contra\u00e7\u00e3o. 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