{"id":276,"date":"2015-11-12T08:30:16","date_gmt":"2015-11-12T10:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=276"},"modified":"2015-11-12T12:43:17","modified_gmt":"2015-11-12T14:43:17","slug":"desrespeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/desrespeito\/","title":{"rendered":"DESRESPEITO"},"content":{"rendered":"<p>Esperava-se que, por considera\u00e7\u00e3o, a presidente Dilma Rousseff agisse rapidamente para tirar seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, da pra\u00e7a p\u00fablica em que ele vem sendo humilhado diariamente. A expectativa, sobretudo entre os subordinados do chefe da equipe econ\u00f4mica, era de que a petista desse um basta no bombardeio disparado pelo ex-presidente Lula, que praticamente nomeou Henrique Meirelles para o cargo mais importante da Esplanada dos Minist\u00e9rios. Dilma, por\u00e9m, optou pelo sil\u00eancio. E a legitimidade de Levy derreteu mais um pouco \u2014 se \u00e9 que n\u00e3o se esvaiu por completo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desprest\u00edgio de Levy est\u00e1 t\u00e3o grande que, para mostrar que continua firme no posto, ele se submeteu ao constrangimento de ter de encarar Meirelles, almo\u00e7ar com ele e ouvir as li\u00e7\u00f5es do ex-presidente do Banco Central sobre economia sem a garantia de Dilma de que n\u00e3o h\u00e1 qualquer possibilidade de ela substitu\u00ed-lo seja por quem for. O ministro manteve a fleuma, mas, no seu entorno, n\u00e3o se falou outra coisa a n\u00e3o ser que ele est\u00e1 com os dias contados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Levy e Meirelles participaram, como palestrantes, de um semin\u00e1rio promovido pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). Enquanto o ministro levou um serm\u00e3o do presidente da entidade, Robson Andrade, que criticou duramente a proposta do governo de recriar a CPMF e ressaltou que a atual pol\u00edtica econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 a que o pa\u00eds precisa e deseja, Meirelles foi tratado como celebridade, como se j\u00e1 estivesse nomeado para ser a pessoa que a ind\u00fastria necessita, \u201calgu\u00e9m que mostre que o Brasil tem uma pol\u00edtica econ\u00f4mica suficientemente boa para permitir o crescimento do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fim de festa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o, na Fazenda e em boa parte do governo, \u00e9 de que a festa acabou para Levy. A partir de agora, ele se tornou ministro dele pr\u00f3prio, pois n\u00e3o se v\u00ea nenhum comprometimento do Pal\u00e1cio do Planalto com o prometido ajuste fiscal. Dilma ainda n\u00e3o bateu o martelo sobre a substitui\u00e7\u00e3o do subordinado porque ainda precisa dele para dar um ar de seriedade no governo e se convencer de que o que Lula e o PT pregam \u00e9 o melhor a ser feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os poucos que ainda defendem a perman\u00eancia do ministro no cargo alegam que, ruim com ele, pior sem ele. Dizem que se o governo conseguir aprovar uma agenda m\u00ednima do Congresso e se livrar do tormento do presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha, que est\u00e1 com o mandato amea\u00e7ado, poder\u00e1 pavimentar uma trilha menos tortuosa at\u00e9 2018 sem que Dilma seja obrigada a se tornar uma rainha da Inglaterra, com Lula dando as cartas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por mais que Levy n\u00e3o seja homem de confian\u00e7a da presidente, ela reconhece que ele tem boas inten\u00e7\u00f5es. O problema \u00e9 que o ministro chegou com tanta sede de poder, acreditando ser um super-homem e que seria capaz de fazer valer suas ideias, que acabou metendo os p\u00e9s pelas m\u00e3os, sobretudo por n\u00e3o ter conquistado a confian\u00e7a da base aliada, que tem os votos necess\u00e1rios para tornar o ajuste fiscal realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Culpa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de posar de v\u00edtima, n\u00e3o se pode esquecer de que Levy \u00e9 respons\u00e1vel por boa parte da humilha\u00e7\u00e3o que vem enfrentando. No mesmo dia em que o governo decidiu enviar ao Congresso a proposta de Or\u00e7amento de 2016 com deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es, da qual foi contra, ele deveria ter entregue a carta de demiss\u00e3o. Como n\u00e3o o fez, perdeu, por completo, o respeito. Todos passaram a v\u00ea-lo como um ministro fraco, que se submeteria a qualquer coisa para continuar no poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E n\u00e3o adianta usar o velho discurso de que se est\u00e1 fazendo tudo em nome do desejo de um Brasil melhor. Levy gosta da pompa que o minist\u00e9rio lhe d\u00e1. Tanto gosta que usa as ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco para mostrar o que pode ocorrer com o pa\u00eds se ele deixar a Esplanada \u2014 explos\u00e3o do d\u00f3lar e derretimento da bolsa de valores. Mas, agora, nem mesmo o discurso do medo funcionar\u00e1. Os investidores compraram a possibilidade de Meirelles ir para a Fazenda. O d\u00f3lar e os juros desabaram e a bolsa disparou assim que o ex-presidente do BC disse apoiar um ajuste fiscal completo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se tornou t\u00e3o surreal que n\u00e3o \u00e9 mais o titular da Fazenda quem mexe com o mercado financeiro, mas, sim, seu poss\u00edvel sucessor, o escolhido por Lula para resgatar a credibilidade, retomar o crescimento, garantir a continuidade do mandato de Dilma e tirar o PT da lama nas elei\u00e7\u00f5es. Essa miss\u00e3o foi bem parecida com a que Dilma entregou a Levy assim que o convidou para integrar o governo. Passado quase um ano, ele fracassou por completo. E nada indica que ser\u00e1 diferente com Meirelles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito e confian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb T\u00e9cnicos do governo n\u00e3o veem como totalmente descabida a proposta de Lula de se incrementar o cr\u00e9dito como fonte de est\u00edmulo ao Produto Interno Bruto (PIB). Mas n\u00e3o ser\u00e1 com Dilma Rousseff que a demanda por empr\u00e9stimos e financiamentos vai destravar. Fazer d\u00edvida exige confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, que, com a petista, desapareceu por completo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ajuda ao BC<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Para o Banco Central, a falta de interesse por cr\u00e9dito tem sido um importante contraponto \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Os pre\u00e7os de todos os produtos que dependem de financiamento para a venda, como carros, m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos, est\u00e3o com os pre\u00e7os em queda ou com pequena alta. Portanto, dizem especialistas, n\u00e3o h\u00e1 porque mexer nesse vespeiro agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Irrita\u00e7\u00e3o de Barbosa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, n\u00e3o esconde a irrita\u00e7\u00e3o quando ouve coment\u00e1rios de que o mercado financeiro jamais o aceitaria como sucessor de Joaquim Levy na Fazenda. Acredita que h\u00e1 um movimento orquestrado para desabon\u00e1-lo. Ele se acha o melhor economista da Esplanada, pronto para qualquer empreitada no governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esperava-se que, por considera\u00e7\u00e3o, a presidente Dilma Rousseff agisse rapidamente para tirar seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, da pra\u00e7a p\u00fablica em que ele vem sendo humilhado diariamente. 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