{"id":2730,"date":"2016-08-19T05:11:37","date_gmt":"2016-08-19T08:11:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2730"},"modified":"2016-08-19T09:14:17","modified_gmt":"2016-08-19T12:14:17","slug":"coluna-no-correio-o-que-quer-o-bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-o-que-quer-o-bc\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: O que quer o BC"},"content":{"rendered":"<p>O Banco Central deixou claro ontem que n\u00e3o permitir\u00e1 marolas no mercado de c\u00e2mbio, sobretudo \u00e0s v\u00e9speras de o Senado aprovar o impeachment definitivo de Dilma Rousseff. A forte arrancada da moeda norte-americana, que encostou nos R$ 3,25 depois de flertar com os R$ 3,10 uma semana atr\u00e1s, foi uma mostra de como o mercado pode sair de um quadro de excesso de euforia para o de estresse total. Esses movimentos bruscos costumam levar muita gente a nocaute, deixando um rastro de preju\u00edzo que mina a confian\u00e7a e prejudica o andamento da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos duas semanas, em conversas com analistas, dirigentes do BC v\u00eam alertando sobre os perigos do otimismo exagerado do mercado. As apostas na queda da moeda norte-americana chegaram a ultrapassar os US$ 30 bilh\u00f5es. A avalia\u00e7\u00e3o predominante era de que, com Michel Temer efetivado na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, uma enxurrada de recursos estrangeiros entraria no pa\u00eds, levando o d\u00f3lar a romper o piso de R$ 3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse movimento estava t\u00e3o forte que a autoridade monet\u00e1ria foi obrigada a ampliar a interven\u00e7\u00e3o no c\u00e2mbio, elevando as compras di\u00e1rias de US$ 500 milh\u00f5es para US$ 750 milh\u00f5es no mercado futuro, por meio dos swaps reversos. O problema \u00e9 que a presen\u00e7a maior do BC nas negocia\u00e7\u00f5es coincidiu com os sinais de dificuldade do governo para levar adiante o ajuste fiscal. O humor dos investidores mudou e o sinal de alerta acendeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tabelamento<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do BC explicam que o papel da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzir a volatilidade do mercado. E isso vale tanto nos momentos em que o d\u00f3lar est\u00e1 em baixa quanto naquele em que a moeda est\u00e1 subindo. N\u00e3o se trata, segundo eles, de fixar um piso ou um teto para a moeda norte-americana, pois o c\u00e2mbio \u00e9 flutuante. A meta do BC \u00e9 \u201climpar\u201d o mercado de movimentos at\u00edpicos, que acabam contaminando os juros e a bolsa de valores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V\u00e1rios analistas, por\u00e9m, acreditam que o BC est\u00e1 tentando manter o d\u00f3lar flutuando dentro de uma \u201cbanda suja\u201d. Dessa forma, atenderia dois objetivos: n\u00e3o pressionar a infla\u00e7\u00e3o e manter a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es. Os mais radicais acreditam que a institui\u00e7\u00e3o tabelou a moeda norte-americana entre R$ 3,10 e R$ 3,30. Justificam isso com o argumento de que, quando a divisa dos Estados Unidos se movimentou em dire\u00e7\u00e3o aos R$ 3,30, o banco reduziu as interven\u00e7\u00f5es com swaps reversos. Quando o pre\u00e7o apontou para R$ 3,10, as interven\u00e7\u00f5es aumentaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 tabelamento\u201d, refor\u00e7a um graduado funcion\u00e1rio do BC. \u201cIsso n\u00e3o existe\u201d, emenda. O papel da autoridade monet\u00e1ria, garante ele, \u00e9 dar transpar\u00eancia \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es e refor\u00e7ar que o sistema de taxas flutuantes, que foi deturpado nos \u00faltimos anos, est\u00e1 vigorando. \u201cTudo o que n\u00e3o se quer agora \u00e9 repetir os erros do passado. O BC perdeu muita credibilidade. O nosso papel neste momento \u00e9 construir reputa\u00e7\u00e3o. E isso n\u00e3o combina com banda suja de flutua\u00e7\u00e3o nem com tabelamento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ponto de equil\u00edbrio<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um experiente operador de c\u00e2mbio, muito alinhado com o BC, diz que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 agindo corretamente. Ele assinala que, al\u00e9m das incertezas em rela\u00e7\u00e3o ao ajuste fiscal, houve uma diminui\u00e7\u00e3o no fluxo de recursos para o Brasil nos \u00faltimos dias. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, \u00e9 loucura a autoridade monet\u00e1ria querer fixar piso e teto para o d\u00f3lar, pois o risco de perda \u00e9 muito elevado. \u201cN\u00e3o tenho d\u00favidas de que a grande preocupa\u00e7\u00e3o do BC neste momento \u00e9 com a sa\u00fade do sistema financeiro\u201d, frisa. \u201cNingu\u00e9m quer ver a repeti\u00e7\u00e3o de quebradeiras como as de 2008, quando gigantes como a Sadia e a Aracruz Celulose, que apostavam numa forte queda do d\u00f3lar, se viram numa enrascado com a disparada dos pre\u00e7os da moeda.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 outra ressalva importante, na opini\u00e3o do operador: o BC precisa manter a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar, que \u00e9 vital para o sucesso do governo Temer. O d\u00f3lar nos pre\u00e7os atuais animam a classe m\u00e9dia a viajar novamente para o exterior, permite a importa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos para a retomada dos investimentos e a cria\u00e7\u00e3o de empregos e minimiza a gritaria dos exportadores. \u201cO BC n\u00e3o deixar\u00e1 o d\u00f3lar sair do que considera um ponto de equil\u00edbrio. E esse \u00e9 o papel de uma autoridade monet\u00e1ria s\u00e9ria e consciente\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h12min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central deixou claro ontem que n\u00e3o permitir\u00e1 marolas no mercado de c\u00e2mbio, sobretudo \u00e0s v\u00e9speras de o Senado aprovar o impeachment definitivo de Dilma Rousseff. 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