{"id":2705,"date":"2016-08-18T05:18:20","date_gmt":"2016-08-18T08:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2705"},"modified":"2016-08-18T09:24:57","modified_gmt":"2016-08-18T12:24:57","slug":"coluna-no-correio-corte-de-gastos-sera-inevitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-corte-de-gastos-sera-inevitavel\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Corte de gastos ser\u00e1 inevit\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>A ansiedade \u00e9 grande no governo. N\u00e3o bastasse a proximidade da vota\u00e7\u00e3o no Senado do impeachment de Dilma Rousseff, o presidente interino, Michel Temer, ter\u00e1 que bater o martelo sobre a proposta de Or\u00e7amento da Uni\u00e3o de 2017 que precisa ser encaminhada ao Congresso at\u00e9 o fim do m\u00eas. As contas preliminares j\u00e1 foram fechadas, mas, para que o aumento de impostos seja afastado de vez, a equipe econ\u00f4mica ter\u00e1 que ampliar os cortes de despesas discricion\u00e1rias e reduzir gastos obrigat\u00f3rios dentro do que prev\u00ea a Constitui\u00e7\u00e3o. Na melhor das hip\u00f3teses, estima-se que ao menos R$ 5 bilh\u00f5es ter\u00e3o que ser limados. Na pior, a tesoura atingir\u00e1 R$ 10 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A gin\u00e1stica da equipe econ\u00f4mica para fechar os n\u00fameros \u00e9 pesada, sobretudo porque Temer antecipou a data do fechamento da proposta de Or\u00e7amento para 27 de agosto, que j\u00e1 levar\u00e1 em conta a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita a alta dos gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior mesmo que n\u00e3o tenha sido aprovada pelo Congresso. Parte dos auxiliares do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ainda defende eleva\u00e7\u00e3o de tributos, mesmo que marginalmente, para evitar o estouro do deficit previsto de R$ 139 bilh\u00f5es. A resist\u00eancia do presidente interino, contudo, \u00e9 grande. Ele n\u00e3o quer ofuscar a sua efetiva\u00e7\u00e3o no cargo com o an\u00fancio de aumento de impostos. Para ele, que deseja firmar a imagem de administrador respons\u00e1vel fiscalmente, \u00e9 melhor anunciar corte de gastos agora, mesmo que, mais \u00e0 frente, o aperto n\u00e3o se concretize.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo est\u00e1 apostando que a combina\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de despesas com aumento de receitas ser\u00e1 perfeita para acalmar os \u00e2nimos nos mercados, cuja ansiedade em rela\u00e7\u00e3o ao ajuste fiscal est\u00e1 latente. \u201cTudo est\u00e1 sendo feito para satisfazer os investidores e n\u00e3o criar problemas no Congresso\u201d, diz um t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica. Ele ressalta que, no caso das receitas, o governo est\u00e1 atuando em duas frentes. Na primeira, conta com a previs\u00e3o maior de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para ampliar a arrecada\u00e7\u00e3o \u2014 a estimativa para 2017 saltou de 1,2% para 1,6%. Na segunda, espera um faturamento maior com a venda de ativos. Para isso, o programa de privatiza\u00e7\u00e3o e de concess\u00f5es ser\u00e1 refor\u00e7ado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Privatiza\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando anunciou o rombo previsto para as contas p\u00fablicas em 2017, Meirelles disse que o governo estava contando com R$ 55 bilh\u00f5es em receitas extraordin\u00e1rias, mas pouco mais de R$ 5 bilh\u00f5es seriam provenientes de concess\u00f5es. Muitos analistas consideraram essa previs\u00e3o exagerada. Os t\u00e9cnicos, por\u00e9m, batem o p\u00e9, e refor\u00e7am, na proposta do Or\u00e7amento que est\u00e1 sendo finalizada, que as concess\u00f5es e as privatiza\u00e7\u00f5es podem render bem mais, ao menos R$ 20 bilh\u00f5es dos R$ 50 bilh\u00f5es que ser\u00e3o estimados como receitas extras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cHaver\u00e1 muitas surpresas na lista de privatiza\u00e7\u00f5es e de concess\u00f5es\u201d, afirma um auxiliar de Temer. \u201cE estamos confiantes de que, com a efetiva\u00e7\u00e3o do governo atual, o capital nacional se empolgue e o dinheiro estrangeiro venha com tudo para o Brasil\u201d, acrescenta. Para esse assessor presidencial, os investidores est\u00e3o dispostos a \u201ccomprar\u201d o Brasil. \u201cEles s\u00f3 est\u00e3o esperando o momento pol\u00edtico certo e a apresenta\u00e7\u00e3o de projetos consistentes, com retorno garantido. Afinal, ningu\u00e9m quer entrar em neg\u00f3cios que, mais \u00e0 frente, podem se tornar uma fonte de problemas\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os t\u00e9cnicos do governo, a maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que os agentes econ\u00f4micos comprem de vez o ajuste fiscal, com n\u00fameros s\u00f3lidos. Ningu\u00e9m quer repetir o fiasco que foi o envio do Or\u00e7amento de 2016 ao Congresso, que detonou de vez a crise econ\u00f4mica. O projeto, totalmente inconsistente, com previs\u00e3o de deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es, sentenciou a demiss\u00e3o do ent\u00e3o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e deu in\u00edcio a uma onda de desconfian\u00e7a sem precedentes. O resultado foi a maior recess\u00e3o em quase um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Entrave dos juros<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio do Planalto tem outra preocupa\u00e7\u00e3o: a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) de 14,25% ao ano. Embora Temer diga que o assunto cabe exclusivamente ao Banco Central, teme-se que, com o elevado custo do dinheiro, os investidores se sintam desmotivados a embarcarem nos projetos de concess\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 dif\u00edcil convencer os empreendedores que vale a pena correr riscos quando eles podem engordar o caixa com a Selic sem fazer nenhum esfor\u00e7o\u201d, ressalta um ministro. Ele cr\u00ea, no entanto, que o BC comandado por Ilan Goldfajn surpreender\u00e1 a todos, come\u00e7ando a cortar os juros em outubro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o ministro \u00e9 importante que, ao longo de 2017, a taxa de juros esteja pr\u00f3xima de 11%, ou mesmo de 10%, para que o capital se sinta mais confort\u00e1vel em assumir o risco Brasil. \u201c\u00c9 chover no molhado dizer que o pa\u00eds oferece um potencial enorme de ganho, especialmente na infraestrutura. Mas \u00e9 preciso que tudo conspire para que os investidores tenham certeza disso. O capital, como sabemos, \u00e9 arisco demais\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Planalto, por\u00e9m, n\u00e3o pode apenas desejar e temer, precisa dar sua cota para que tudo saia a contento. Isso implica dizer que, depois da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment de Dilma, nada poder\u00e1 ser como foi at\u00e9 agora, em que o governo controlou as expectativas dos agentes econ\u00f4mica mais com promessas do que com fatos concretos. At\u00e9 agora, o capital foi complacente de olho apenas no impeachment. A proposta de Or\u00e7amento para 2017, portanto, ser\u00e1 um teste e tanto para medir at\u00e9 onde vai a confian\u00e7a que o presidente interino diz ter conquistado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h18min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ansiedade \u00e9 grande no governo. 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