{"id":268,"date":"2015-11-06T08:30:51","date_gmt":"2015-11-06T10:30:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=268"},"modified":"2015-11-06T18:37:25","modified_gmt":"2015-11-06T20:37:25","slug":"pais-das-mentiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pais-das-mentiras\/","title":{"rendered":"PA\u00cdS DAS MENTIRAS"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil se transformou no pa\u00eds das promessas \u2014 todas n\u00e3o cumpridas, ressalte-se. Do governo ao Congresso, n\u00e3o h\u00e1 economia quando o assunto \u00e9 ludibriar a popula\u00e7\u00e3o. Promete-se qualquer coisa, pois se sabe que, na hora da presta\u00e7\u00e3o de contas, basta apresentar uma desculpa esfarrapada para justificar o fracasso e tudo estar\u00e1 resolvido. Os brasileiros j\u00e1 se acostumaram em ser enganados. Virou rotina. N\u00e3o h\u00e1 por que se rebelar diante de tanto descaramento.<\/p>\n<p>O dia de ontem, particularmente, foi pr\u00f3digo em promessas. Come\u00e7ou cedo com o Banco Central. Nas palavras do diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Altamir Lopes, a institui\u00e7\u00e3o levar\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 o fim de 2017. Justificativas n\u00e3o faltaram para sustentar o compromisso: o desemprego maior derrubar\u00e1 os pre\u00e7os dos servi\u00e7os, n\u00e3o haver\u00e1 tanto aumento de tarifas p\u00fablicas, o d\u00f3lar tender\u00e1 a se acomodar e, claro, o governo far\u00e1 um ajuste fiscal consistente.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do governo Dilma, o BC vem prometendo entregar a infla\u00e7\u00e3o na meta. Nunca conseguiu. O compromisso mais recente era de chegar aos 4,5% no fim de 2016. Mas, como das vezes anteriores, foi obrigado a adiar o prazo. Infelizmente, segundo a diretoria da autoridade monet\u00e1ria, o dever de casa foi feito, com os juros chegando a 14,25% ao ano, os maiores desde 2006, mas fatores externos inviabilizaram a promessa. Agora, por\u00e9m, n\u00e3o haver\u00e1 falhas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode negar que o discurso do BC soa bonito. Pena que entre as palavras e a realidade haja uma dist\u00e2ncia enorme. \u00c9 por isso que a institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o consegue mais controlar as expectativas do mercado. Todas as proje\u00e7\u00f5es para o \u00cdndice de Pre\u00e7o ao Consumidor Amplo (IPCA) at\u00e9 2017 mostram \u00edndices bem distantes do centro da meta. Como o BC n\u00e3o consegue dizer o que ser\u00e1 amanh\u00e3, fica dif\u00edcil prever como estar\u00e1 o Brasil daqui a dois anos.<\/p>\n<p><strong>Mundo da lua<\/strong><br \/>\nO deputado Acir Gurgacz (PDT-RO) assegura que entregar\u00e1 um Or\u00e7amento sem fic\u00e7\u00e3o para 2016. Basta, por\u00e9m, ouvir as primeiras declara\u00e7\u00f5es do parlamentar para constatar que ele vive no mundo da lua e que est\u00e1 jogando para a plateia, ou melhor, jogando para o governo, que entregou o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es ao partido dele em troca de votos. Gurgacz conseguiu a proeza de ampliar em R$ 39 bilh\u00f5es as receitas previstas no projeto encaminhado ao Congresso pelo Planalto.<\/p>\n<p>A promessa, disse ele, \u00e9 de o governo embolsar R$ 12,5 bilh\u00f5es com concess\u00f5es, R$ 11 bilh\u00f5es com a repatria\u00e7\u00e3o de recursos enviados ilegalmente ao exterior, R$ 2,3 bilh\u00f5es com a venda de a\u00e7\u00f5es da Caixa Seguridade e outros tantos bilh\u00f5es de reais com projetos que n\u00e3o mostram qualquer consist\u00eancia. A fartura de recursos ser\u00e1 tanta, deixou claro o parlamentar, que o governo poder\u00e1 abrir m\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o da CPMF e de elevar tributos como a Cide, que incide sobre os combust\u00edveis.<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, resolveu entrar no jogo. Justo ele, que n\u00e3o entregou nada do que prometeu desde que chegou ao governo. Segundo Levy, bastar\u00e1 o ajuste fiscal ser aprovado para o Brasil sair rapidamente da recess\u00e3o. O chefe da equipe econ\u00f4mica repetiu ontem o mesmo discurso da sua posse, quando prometeu uma arruma\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e profunda das contas p\u00fablicas. A meta era entregar superavit prim\u00e1rio (economia de pagamento de juros da d\u00edvida) de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), com crescimento econ\u00f4mico j\u00e1 no segundo semestre de 2015.<\/p>\n<p>A realidade, contudo, \u00e9 cruel. O superavit se transformou em rombo de 2% do PIB e o pa\u00eds encerrar\u00e1 o ano com retra\u00e7\u00e3o de 3%. A recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o vir\u00e1 nem em 2016. O PIB dever\u00e1 cair mais 2%. E n\u00e3o ser\u00e1 por causa do arrocho, caso venha a acontecer, como dizem alguns economistas. A atividade tombar\u00e1 porque ningu\u00e9m confia no governo. Nem os empres\u00e1rios nem os consumidores.<\/p>\n<p><strong>Ladainha<\/strong><br \/>\nMesmo envolta em descr\u00e9dito, a presidente Dilma Rousseff n\u00e3o se furta de assumir compromissos que n\u00e3o vai cumprir. Em Alagoas, cercada por uma claque, ela disse que n\u00e3o faltar\u00e3o recursos para o combate \u00e0 seca no Nordeste. Entra ano, sai ano, e nada \u00e9 feito de efetivo para livrar a regi\u00e3o desse tormento. Mas, para a petista, n\u00e3o h\u00e1 nada demais em repetir a ladainha de engana trouxa. Ela se especializou nisso.<\/p>\n<p>Durante a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, Dilma abusou das promessas. Garantiu que n\u00e3o mexeria em direitos trabalhistas, descartou qualquer aumento da gasolina e da energia el\u00e9trica e ressaltou que ampliaria os programas educacionais. Bastaram as urnas selarem os resultados, para que a presidente fizesse tudo ao contr\u00e1rio. Passados quase 11 meses de empossada para o segundo mandato, a petista continua a mesma. O pa\u00eds, no entanto, vai afundando no atoleiro de mentiras.<br \/>\n<em>Bras\u00edlia, 08h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil se transformou no pa\u00eds das promessas \u2014 todas n\u00e3o cumpridas, ressalte-se. Do governo ao Congresso, n\u00e3o h\u00e1 economia quando o assunto \u00e9 ludibriar a popula\u00e7\u00e3o. Promete-se qualquer coisa, pois se sabe que, na hora da presta\u00e7\u00e3o de contas, basta apresentar uma desculpa esfarrapada para justificar o fracasso e tudo estar\u00e1 resolvido. 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