{"id":2679,"date":"2016-08-17T05:34:11","date_gmt":"2016-08-17T08:34:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2679"},"modified":"2016-08-17T08:38:26","modified_gmt":"2016-08-17T11:38:26","slug":"coluna-no-correio-divorcio-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-divorcio-do-tempo\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Div\u00f3rcio do tempo"},"content":{"rendered":"<p>No mercado financeiro, est\u00e1 claro o consenso de que o pior da crise econ\u00f4mica ficou para tr\u00e1s. A grande d\u00favida, por\u00e9m, \u00e9 sobre o ritmo de retomada da atividade. Muitos especialistas ainda n\u00e3o acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) crescer\u00e1 na velocidade esperada pelo governo. A equipe econ\u00f4mica aposta que o avan\u00e7o ser\u00e1 de 1,6% (a previs\u00e3o anterior era de 1,2%), mas h\u00e1 muitos entraves no meio do caminho. Boa parte das empresas est\u00e1 quebrada, sem condi\u00e7\u00f5es de retomar os investimentos. O consumo, por sua vez, continuar\u00e1 fraco. Apesar de as fam\u00edlias terem reduzido o n\u00edvel de endividamento, o desemprego se mant\u00e9m forte e crescente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o da economia \u00e9 estrat\u00e9gica para o presidente interino, Michel Temer. Quanto mais r\u00e1pido os resultados aparecerem, maior musculatura ele ganhar\u00e1 para negociar com o Congresso o pacote fiscal que precisa ser aprovado ainda neste ano para que o pa\u00eds volte a criar empregos e a distribuir renda. Um importante auxiliar do peemedebista reconhece que, sem uma melhora na atividade produtiva, o risco de fracasso do governo seria enorme. Como Temer tem baixa popularidade, num ambiente econ\u00f4mico restritivo ele certamente veria a base aliada definhar, enterrando a promessa de arruma\u00e7\u00e3o nas contas p\u00fablicas. \u201cMas n\u00e3o \u00e9 o caso\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vis\u00e3o no Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9 de que parte dos agentes econ\u00f4micos est\u00e1 subestimando tudo o que foi feito nos \u00faltimos tr\u00eas meses. Al\u00e9m de p\u00f4r fim \u00e0s estripulias cometidas por Dilma Rousseff, cujo afastamento do poder ser\u00e1 sacramentado no fim do m\u00eas, o governo conseguiu pautar o ajuste fiscal no Congresso. Assessores de Temer reconhecem que o tempo pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 o desejado pelo pa\u00eds, mas criticam as cobran\u00e7as que v\u00eam sendo feitas por economistas renomados de que o interino n\u00e3o est\u00e1 empenhado o suficiente para convencer deputados e senadores sobre a import\u00e2ncia de se aprovar medidas como a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento dos gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 verbalizada pelo secret\u00e1rio de Acompanhamento Econ\u00f4mico do Minist\u00e9rio da Fazenda, Mansueto Almeida. Ele diz que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer, rapidamente, em um ano ou dois, um ajuste fiscal do porte que o Brasil necessita. No entender dele, a velocidade da arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas \u00e9 uma decis\u00e3o que depende de deputados e senadores. \u201cAjuste fiscal \u00e9, por natureza, um ajuste pol\u00edtico\u201d, afirma. E admite: quanto mais tempo o pa\u00eds demorar para equilibrar suas finan\u00e7as, maior ser\u00e1 a demora para a estabiliza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, que est\u00e1 em 70%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Supondo que o governo aprove tudo o que est\u00e1 propondo ao Congresso rapidamente, a d\u00edvida parar\u00e1 de crescer em cinco anos, afastando o risco de calote do Tesouro Nacional. Um processo mais lento, contudo, far\u00e1 com que o endividamento s\u00f3 se estabilize em 10 anos, na melhor das hip\u00f3teses. Nesse contexto, os investidores continuar\u00e3o pedindo juros mais altos para financiar o governo, dificultando o ajuste fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pistoleiro enlouquecido<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), n\u00e3o h\u00e1 por que ter euforia com a economia neste momento. Ele ressalta que o pa\u00eds, depois de um longo per\u00edodo afogado na recess\u00e3o, voltou a respirar. Mas n\u00e3o se pode garantir ainda que continuar\u00e1 com a cabe\u00e7a de fora. O que determinar\u00e1 isso ser\u00e1 o casamento do tempo econ\u00f4mico com o tempo pol\u00edtico, que andam muito distantes. \u201cN\u00e3o h\u00e1 outro caminho. Por isso, \u00e9 importante que, logo ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do impeachment de Dilma, Temer acelere o passo no ajuste fiscal\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista afirma que medidas concretas para o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas colocar\u00e3o um freio no Banco Central, que, para ele, est\u00e1 atuando como um \u201cpistoleiro enlouquecido, matando todo mundo\u201d, ao manter o pa\u00eds convivendo com juros reais (que descontam a infla\u00e7\u00e3o) de 7% ao ano. \u201cO BC acredita que, agindo assim, resolver\u00e1 todos os problemas da economia. N\u00e3o vai. O que realmente o Brasil precisa \u00e9 de um ajuste fiscal para conter a escalada da d\u00edvida p\u00fablica e trazer de volta a confian\u00e7a\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Freitas Gomes, que foi duas vezes diretor do BC, a autoridade monet\u00e1ria, mesmo vociferando, ter\u00e1 que se render aos fatos e come\u00e7ar a cortar os juros. Al\u00e9m de reanimar o esp\u00edrito animal do empresariado, dar\u00e1 uma for\u00e7a ao Minist\u00e9rio da Fazenda, pois reduzir\u00e1 o custo da d\u00edvida. Hoje, quando os gastos com a d\u00edvida s\u00e3o contabilizados, a fatura chega a 10% do PIB. \u00c9 o que os especialistas chamam de deficit nominal. Esse rombo \u00e9 tr\u00eas vezes maior que a m\u00e9dia observada em pa\u00edses emergentes. Uma aberra\u00e7\u00e3o constru\u00edda nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, o Brasil perdeu o selo de bom pagador e est\u00e1 pr\u00f3ximo dos pa\u00edses considerados lixo pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco. A equipe econ\u00f4mica acredita que, com a PEC dos gastos aprovada neste ano e a reforma da Previd\u00eancia sancionada at\u00e9 o fim de 2017, o pa\u00eds poder\u00e1 aspirar o retorno ao time das na\u00e7\u00f5es consideradas seguras para investimentos. Mas, para isso, ser\u00e1 preciso superar todo o fisiologismo do Congresso e as corpora\u00e7\u00f5es que n\u00e3o querem abrir m\u00e3o de privil\u00e9gios. Ser\u00e1, como diz Temer, uma batalha feroz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h34min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mercado financeiro, est\u00e1 claro o consenso de que o pior da crise econ\u00f4mica ficou para tr\u00e1s. 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