{"id":2646,"date":"2016-08-15T00:50:21","date_gmt":"2016-08-15T03:50:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2646"},"modified":"2016-08-15T15:58:49","modified_gmt":"2016-08-15T18:58:49","slug":"dolar-derrete-e-pode-cair-abaixo-de-r-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/dolar-derrete-e-pode-cair-abaixo-de-r-3\/","title":{"rendered":"D\u00f3lar derrete e pode cair abaixo de R$ 3"},"content":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A euforia do mercado com a proximidade do impeachment de Dilma Rousseff e a chance de o Congresso Nacional aprovar o ajuste fiscal podem levar o d\u00f3lar a ser cotado abaixo dos R$ 3 nos pr\u00f3ximos meses. O otimismo que tem levado investidores a aplicar recursos no Brasil e reduzido o pre\u00e7o da divisa norte-americana \u00e9 turbinado pelo excesso de liquidez mundial. Com juros negativos ou pr\u00f3ximos de zero nas principais economias, os empres\u00e1rios t\u00eam buscado aplica\u00e7\u00f5es rent\u00e1veis e o Brasil voltou a fazer parte do grupo de na\u00e7\u00f5es atrativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com juros b\u00e1sicos de 14,25% ao ano e a queda do risco pa\u00eds, investidores passaram novamente a\u00a0 comprar ativos brasileiros. O voto de confian\u00e7a dado ao governo do presidente interino, Michel Temer, favoreceu a redu\u00e7\u00e3o dos pr\u00eamios de risco. Em dezembro passado, os credit default swaps (CDS) superaram os 500 pontos com a sa\u00edda de Joaquim Levy do Minist\u00e9rio da Fazenda. Atualmente, est\u00e3o em 256 pontos, com as perspectivas de melhora da economia brasileira, uma queda de 48,8%. Os CDS s\u00e3o uma esp\u00e9cie de seguro contra calotes. Quando mais altos, maiores os riscos para os investidores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A entrada de investimentos no Brasil levou o d\u00f3lar a desabar 19,33% neste ano. A moeda terminou a semana cotada a R$ 3,185 depois de, na \u00faltima quarta feira, ter atingido o menor n\u00edvel desde 13 de julho de 2015, ao bater em R$ 3,132. Diante da forte desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, o Banco Central (BC) refor\u00e7ou a oferta di\u00e1ria de contratos de swap reverso, opera\u00e7\u00f5es que equivalem \u00e0 compra futura da divisa e tendem a dar impulso de alta \u00e0s corta\u00e7\u00f5es. A autoridade monet\u00e1ria aumentou a coloca\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is de US$ 500 milh\u00f5es para US$ 750 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Trip\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante das d\u00favidas sobre como o BC atuar\u00e1 para conter a desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, o presidente da autoridade monet\u00e1ria, Ilan Goldfajn, afirmou que \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer o trip\u00e9 macroecon\u00f4mico, formado por responsabilidade fiscal, controle da infla\u00e7\u00e3o e regime de c\u00e2mbio flutuante, para garantir a retomada da confian\u00e7a na economia brasileira. Ele ressaltou que utilizar\u00e1 com parcim\u00f4nia as ferramentas cambiais de que disp\u00f5e, \u201cquando julgar necess\u00e1rio e sem ferir as premissas desse regime\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As explica\u00e7\u00f5es de Goldfajn foram dadas ap\u00f3s Temer afirmar, em entrevista ao jornal Valor Econ\u00f4mico, que a orienta\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 que deve ser mantido um certo equil\u00edbrio no c\u00e2mbio, provocando o receio de que, como ocorreu de modo desastrado durante a administra\u00e7\u00e3o de Dilma, o Planalto, mais uma vez, estaria disposto a interferir no trabalho do BC. \u201cN\u00e3o pode ter um d\u00f3lar num patamar elevado nem um d\u00f3lar derretido\u201d, disse Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para evitar qualquer pol\u00eamica sobre a atua\u00e7\u00e3o do Executivo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o c\u00e2mbio, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 flutuante. \u201cEm alguns momentos, ele pode ser mais vol\u00e1til, ou mais est\u00e1vel, dependendo de uma s\u00e9rie de fatores. Isso n\u00e3o \u00e9 algo que tenha tanta relev\u00e2ncia. O importante \u00e9 a tend\u00eancia, e o movimento \u00e9 normal\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es de Temer, Meirelles e Goldfajn ocorreram em um momento em que o setor produtivo, os economistas e os consumidores come\u00e7am a fazer as contas para saber quem perde e quem ganha com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. O presidente interino j\u00e1 foi procurado por exportadores de produtos industrializados, agr\u00edcolas e de min\u00e9rios para cobrar uma atua\u00e7\u00e3o mais forte do BC no sentido de conter o recuo do d\u00f3lar. Eles temem perder competitividade no mercado internacional com a retra\u00e7\u00e3o da divisa norte-americana. Os consumidores, por outro lado, devem gastar menos em viagens internacionais, que ficar\u00e3o mais baratas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A queda do d\u00f3lar tamb\u00e9m afeta o ajuste nas contas externas. O Brasil, que em 2015 teve um rombo superior a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no balan\u00e7o das transa\u00e7\u00f5es correntes, caminha para reduzir esse buraco para 1% neste ano. Com a moeda estrangeira mais barata, a redu\u00e7\u00e3o pode ser mais lenta. Al\u00e9m disso, setores da economia tendem a refor\u00e7ar a importa\u00e7\u00e3o de mercadorias, diminuindo o saldo positivo da balan\u00e7a comercial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A possibilidade de o d\u00f3lar ser cotado abaixo dos R$ 3 est\u00e1 no radar do economista-chefe para a Am\u00e9rica Latina do banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho. Ele projeta, no entanto, que a divisa terminar\u00e1 o ano valendo R$ 3,25, mas n\u00e3o descarta revisar esse valor para R$ 3,10. \u201cDependendo do cen\u00e1rio, \u00e9 poss\u00edvel que o c\u00e2mbio ceda ainda mais e se aproxime de R$ 3 sem levar a autoridade monet\u00e1ria a intervir\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser favor\u00e1vel ao regime de c\u00e2mbio flutuante, Carvalho destaca que o BC est\u00e1 empenhado em conter a infla\u00e7\u00e3o. Assim como a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar de R$ 2 para R$ 4 pressionou o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015, a queda no pre\u00e7o da divisa estrangeira favorece o controle do custo de vida. \u201cO IPCA pr\u00f3ximo de 11% no ano passado foi influenciado pelo c\u00e2mbio. Agora, ele ajuda no processo de converg\u00eancia para a meta de 4,5% em 2017\u201d, detalha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tend\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista-chefe do banco Fibra, Cristiano Oliveira, acredita que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar frente ao real continuar\u00e1 nos pr\u00f3ximos meses. Ele observa que o recuo de quase 50% no risco Brasil, apurado pelos CDS, e o excesso de liquidez no exterior favorecem a entrada de recursos no pa\u00eds. E destaca que a tentativa de resgate do trip\u00e9 macroecon\u00f4mico tem animado os investidores. \u201cA expectativa de que o pa\u00eds volte ao crescimento atrai capitais. Existem fatores dom\u00e9sticos e externos que favorecem a aprecia\u00e7\u00e3o do real\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O momento em que o d\u00f3lar recuar\u00e1 para um valor inferior a R$ 3 deve acontecer quando o Congresso aprovar o teto para o crescimento dos gastos p\u00fablicos, projeta Oliveira. Ele explica que os pre\u00e7os dos ativos brasileiros j\u00e1 levam em conta o impeachment de Dilma Rousseff, e somente fatos novos tendem a influenciar significativamente a moeda. \u201cAlguns fatores dom\u00e9sticos tendem a ganhar peso ao longo dos meses. Boa parte do impeachment j\u00e1 aconteceu. O que provocaria uma queda maior seriam outras novidades\u201d, comenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar pode ser interrompido, no entanto, por uma alta de juros nos Estados Unidos, alerta a economista-chefe da CM Capital Markets, Camila Abdelmalack. Ela espera que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, eleve a taxa uma \u00fanica vez em 2016 sem iniciar um ciclo agressivo de aumento. Camila ressalta que isso n\u00e3o deve provocar volatilidade cambial no Brasil. \u201cEsperamos uma decis\u00e3o do Fed s\u00f3 em dezembro. Com abund\u00e2ncia de recursos no mundo, a eleva\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve trazer problemas s\u00e9rios.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economista explica que os juros b\u00e1sicos de 14,25% ao ano atraem investidores em busca de uma remunera\u00e7\u00e3o atrativa, em meio \u00e0s taxas negativas ou pr\u00f3ximas de zero nas economias desenvolvidas. Camila destaca ainda que, mesmo a j\u00e1 esperada redu\u00e7\u00e3o da Selic n\u00e3o deve alterar o fluxo de recursos para o pa\u00eds porque as taxas reais daqui ainda ser\u00e3o as maiores do mundo, considerando que a infla\u00e7\u00e3o deve cair. \u201cO cen\u00e1rio cambial est\u00e1 atrelado \u00e0 melhora da confian\u00e7a. Com a aprova\u00e7\u00e3o de medidas fiscais, o d\u00f3lar deve cair ainda mais. Mas o movimento pode ser contr\u00e1rio se nada sair do papel. Por isso, \u00e9 preciso cuidado para o d\u00f3lar n\u00e3o afetar o controle da infla\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 00h50min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO &nbsp; A euforia do mercado com a proximidade do impeachment de Dilma Rousseff e a chance de o Congresso Nacional aprovar o ajuste fiscal podem levar o d\u00f3lar a ser cotado abaixo dos R$ 3 nos pr\u00f3ximos meses. 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