{"id":2634,"date":"2016-08-14T07:08:38","date_gmt":"2016-08-14T10:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2634"},"modified":"2016-08-14T17:13:16","modified_gmt":"2016-08-14T20:13:16","slug":"trabalhadores-aceitam-acordo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/trabalhadores-aceitam-acordo\/","title":{"rendered":"Trabalhadores aceitam acordo"},"content":{"rendered":"<p>POR HAMILTON FERRARI<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o de normas trabalhistas \u00e9 aceit\u00e1vel e at\u00e9 mesmo defendida por trabalhadores, com a ressalva de que alguns princ\u00edpios sejam respeitados. Para a gerente financeira Viviana Ferreira, 30, \u00e9 preciso olhar com cuidado os interesses espec\u00edficos de cada grupo, seja do ponto de vista econ\u00f4mico, seja do pol\u00edtico. Ela destaca que direitos importantes conquistados n\u00e3o podem ser eliminados. \u201cN\u00e3o se pode voltar atr\u00e1s no 13\u00ba sal\u00e1rio, por exemplo, uma compensa\u00e7\u00e3o da alta quantidade de impostos pagos pelos trabalhadores\u201d, relata. Viviana v\u00ea com bons olhos os acordos feitos entre empresa e empregados sem a interfer\u00eancia do Estado. \u201cO combinado \u00e9 vantajoso. N\u00e3o vejo necessidade de ter uma lei r\u00edgida\u201d, pondera.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a servidora p\u00fablica Helenice Costa, 52 anos, a reforma trabalhista j\u00e1 deveria ter sido feita h\u00e1 muito tempo. \u201cA nossa CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho) \u00e9 muito antiga, j\u00e1 tem mais de 70 anos\u201d, observa. Entre os principais pontos que j\u00e1 deveriam estar em vigor, na opini\u00e3o dela, est\u00e1 a maior liberdade entre acordos de empresa e trabalhador. \u201cSe estiver dentro da lei, um acerto entre o empregador e o empregado \u00e9 o melhor. Pode ser bom para as duas partes\u201d, diz.<br \/>\nHelenice acredita que a possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o e a legisla\u00e7\u00e3o menos r\u00edgida podem dar resultados e rendimentos melhores para os funcion\u00e1rios e para a empresa. Na avalia\u00e7\u00e3o dela, os acordos devem englobar a hora extra, a compensa\u00e7\u00e3o de trabalho, bancos de horas e f\u00e9rias. \u201cSe o trabalhador topar trabalhar no fim de semana no com\u00e9rcio, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 motivos para isso ser vedado. Ser\u00e1 bom para a empresa, que ter\u00e1 mais um dia de venda, e para o empregado, que est\u00e1 fazendo a atividade por vontade pr\u00f3pria, sendo remunerado por isso\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A enfermeira Luanna Castro, 30, \u00e9 a favor de atualiza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, desde que se aprimorem direitos. Ela v\u00ea com restri\u00e7\u00f5es qualquer proposta do governo de Michel Temer. Na atual gest\u00e3o, diz ela, as mudan\u00e7as v\u00e3o atingir conquistas da CLT. \u201cN\u00e3o acredito no discurso de melhora na economia e nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, diz.<br \/>\nApesar de n\u00e3o ser afetado por eventuais mudan\u00e7as, o aposentado Valdir Fonseca, 63, apoia a reforma trabalhista. Ele acredita que alguns gastos, como horas extras, podem quebrar qualquer neg\u00f3cio. A flexibiliza\u00e7\u00e3o e os acordos, diz, permitem que a empresa d\u00ea mais condi\u00e7\u00f5es de trabalho e capacita\u00e7\u00e3o aos empregados. \u201cTantos benef\u00edcios acabam prejudicando as empresas no Brasil, que migram para outros pa\u00edses\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Resist\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia de alterar as leis trabalhistas enfrenta grande resist\u00eancia nos sindicatos de trabalhadores, sobretudo os que s\u00e3o mais pr\u00f3ximos ao PT, partido da presidente afastada, Dilma Rousseff. Representantes da For\u00e7a Sindical, que tem mantido di\u00e1logo com o governo interino, foram procurados, mas n\u00e3o retornaram as liga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a secret\u00e1ria nacional de Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), Gra\u00e7a Costa, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de fazer grandes mudan\u00e7as, mas sim garantir os direitos existentes. \u201cA reforma do governo golpista \u00e9 para retirar direitos. Isso se percebe em diversos projetos que est\u00e3o em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional, como o da terceiriza\u00e7\u00e3o, que vai impactar drasticamente a economia brasileira e as rela\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, critica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela alerta para o risco de que conquistas como o 13\u00ba e hor\u00e1rio de almo\u00e7o, que existem h\u00e1 d\u00e9cadas, sejam eliminadas. A CUT se organiza para realizar uma greve geral contra Michel Temer e em defesa da garantia dos direitos trabalhistas. \u201cSe n\u00e3o nos mobilizarmos, haver\u00e1 retrocesso de s\u00e9culos. As pessoas que est\u00e3o no poder s\u00e3o extremamente conservadoras. N\u00e3o t\u00eam empenho em melhorar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, os direitos sociais, os direitos humanos. Vai ser uma avalanche\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diretor t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudo Socioecon\u00f4micos (Dieese), Clemente Ganz L\u00facio, diz que a agenda de flexibiliza\u00e7\u00e3o trabalhista n\u00e3o \u00e9 novidade e aparece frequentemente nos momentos de crise. Para ele, \u00e9 sempre v\u00e1lido realizar moderniza\u00e7\u00f5es que visam melhorar a prote\u00e7\u00e3o social e aumentar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. \u201cH\u00e1 que se ter adequa\u00e7\u00f5es para que o direito seja cumprido na integridade e adaptado nas organiza\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que n\u00e3o pode ocorrer \u00e9 o rebaixamento ou a destrui\u00e7\u00e3o de direitos, na vis\u00e3o de Ganz. Segundo ele, o movimento sindical est\u00e1 sempre aberto a mudan\u00e7as, mas que n\u00e3o diminuam o padr\u00e3o estabelecido nos \u00faltimos 70 anos. \u201cCada proposta vale uma an\u00e1lise do contexto e do sentido na aplica\u00e7\u00e3o\u201d, pontua.\u00a0A organiza\u00e7\u00e3o de acordos entre os trabalhadores sempre foi um pedido do movimento sindical, segundo Ganz. Os que ampliam os direitos dos trabalhadores devem prevalecer. \u201cSe for poss\u00edvel acertar um patamar superior e melhor, \u00e9 v\u00e1lido. A lei \u00e9 o piso do que deve acorrer\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desocupa\u00e7\u00e3o elevada<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A taxa de desemprego n\u00e3o para de crescer no pa\u00eds, e deve atingir 13% at\u00e9 o fim do ano, segundo expectativas do mercado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), h\u00e1 166,3 milh\u00f5es de brasileiros em idade de trabalhar. Mas apenas 90,8 milh\u00f5es est\u00e3o ocupados. A diferen\u00e7a inclui os 11,6 milh\u00f5es de desempregados, mas tamb\u00e9m os 63,9 milh\u00f5es que est\u00e3o simplesmente \u201cfora da for\u00e7a de trabalho\u201d. Uma parcela m\u00ednima dessas pessoas decidiu ficar de fora para se dedicar exclusivamente \u00e0 faculdade, por exemplo. Predominam os nem-nem, que est\u00e3o ausentes do trabalho e do estudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 07h08min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR HAMILTON FERRARI &nbsp; A flexibiliza\u00e7\u00e3o de normas trabalhistas \u00e9 aceit\u00e1vel e at\u00e9 mesmo defendida por trabalhadores, com a ressalva de que alguns princ\u00edpios sejam respeitados. Para a gerente financeira Viviana Ferreira, 30, \u00e9 preciso olhar com cuidado os interesses espec\u00edficos de cada grupo, seja do ponto de vista econ\u00f4mico, seja do pol\u00edtico. 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