{"id":262,"date":"2015-11-04T08:30:12","date_gmt":"2015-11-04T10:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=262"},"modified":"2015-11-05T15:37:47","modified_gmt":"2015-11-05T17:37:47","slug":"em-vez-de-credito-juros-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/em-vez-de-credito-juros-do-governo\/","title":{"rendered":"EM VEZ DE CR\u00c9DITO, JUROS DO GOVERNO"},"content":{"rendered":"<p>As perspectivas cada vez piores para a economia trouxeram de volta um fantasma que vem tirando o sono do sistema banc\u00e1rio: a inadimpl\u00eancia. Ainda que as institui\u00e7\u00f5es financeiras s\u00f3 tenham a comemorar com os lucros recordes que v\u00eam acumulando, a amea\u00e7a do calote ficou maior diante das dificuldades crescentes enfrentadas por empresas e fam\u00edlias para honrar seus compromissos em dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O tamanho da preocupa\u00e7\u00e3o pode ser medido em n\u00fameros. Pelos dados do Banco Central, os bancos j\u00e1 separaram do patrim\u00f4nio R$ 163,1 bilh\u00f5es para cobrir cr\u00e9ditos de dif\u00edcil liquida\u00e7\u00e3o. Essa montanha de dinheiro representa quase o dobro das perdas que as institui\u00e7\u00f5es foram obrigadas a lan\u00e7ar em seus balan\u00e7os, de R$ 98,7 bilh\u00f5es. Mas tal colch\u00e3o de seguran\u00e7a pode ser insuficiente se os atrasos se multiplicarem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A maior amea\u00e7a aos bancos vem das fam\u00edlias, que j\u00e1 devem quase R$ 1,5 trilh\u00e3o. Com o desemprego em disparada e a renda sendo corro\u00edda pela infla\u00e7\u00e3o, est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil para os lares manterem as contas em ordem. A inadimpl\u00eancia, de 5,7%, ainda n\u00e3o acompanhou a velocidade das demiss\u00f5es no pa\u00eds porque, j\u00e1 antevendo o quadro de dificuldades, as institui\u00e7\u00f5es restringiram a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos e financiamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cHouve um processo seletivo grande por parte dos bancos\u201d, diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings. \u201cAssim que a luz amarela acendeu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inadimpl\u00eancia, as institui\u00e7\u00f5es se retra\u00edram\u201d, refor\u00e7a. Mas o temor \u00e9 grande. As estimativas de boa parte das institui\u00e7\u00f5es mostram a economia encolhendo mais de 3% neste ano e pelo menos 2% em 2016, com a infla\u00e7\u00e3o se mantendo acima do teto de meta definida pelo governo, de 6,5%, e o desemprego superando os 10%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Agostini, os tempos que est\u00e3o por vir ser\u00e3o dif\u00edceis. Na melhor das hip\u00f3teses, em 2017, haver\u00e1 uma luz no horizonte. Mas isso n\u00e3o ser\u00e1 garantia de retomada do cr\u00e9dito. Nesse per\u00edodo turbulento, a tend\u00eancia dos bancos \u00e9 de se pendurarem no governo para manter os ganhos intactos, como bem mostrou o Ita\u00fa Unibanco ontem, ao anunciar lucro l\u00edquido de quase R$ 6 bilh\u00f5es no terceiro trimestre do ano. Parte importante desse resultado veio dos t\u00edtulos p\u00fablicos, que est\u00e3o pagando taxas superiores a 17% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Distor\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A expectativa dos banqueiros, refor\u00e7ada quase que diariamente ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, \u00e9 de que o governo consiga reverter a onda de pessimismo que est\u00e1 travando os neg\u00f3cios e estimulando o fechamento de vagas no mercado formal de trabalho. Nas conversas com os executivos, Levy procura tra\u00e7ar um quadro otimista, mas tudo depende da aprova\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal pelo Congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar do voto de confian\u00e7a, os banqueiros reconhecem que a margem de manobra do governo para resgatar a confian\u00e7a se estreitou demais. Portanto, a ordem \u00e9 manter o p\u00e9 no freio do cr\u00e9dito e tirar da presidente Dilma Rousseff o que melhor ela pode dar ao sistema banc\u00e1rio: juros altos. As institui\u00e7\u00f5es, inclusive, est\u00e3o fazendo a festa com as interven\u00e7\u00f5es di\u00e1rias do Banco Central no mercado para tirar o excesso de dinheiro em circula\u00e7\u00e3o. Essas opera\u00e7\u00f5es, concentradas em at\u00e9 tr\u00eas meses, t\u00eam girado cerca R$ 850 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEstamos loucos por boas not\u00edcias. Enquanto elas n\u00e3o v\u00eam, s\u00f3 nos resta ser conservadores e garantir uma boa rentabilidade para o dinheiro que est\u00e1 no nosso caixa. E isso envolve os t\u00edtulos p\u00fablicos, sejam os ofertados pelo Tesouro Nacional, sejam os oferecidos pelo BC\u201d, afirma um executivo de um grande banco nacional. Ele reconhece que, no mundo ideal, os bancos deveriam estar cumprindo o papel de intermediador de recursos para estimular a produ\u00e7\u00e3o e o emprego. \u201cMas quem distorce tudo \u00e9 o governo, ao alimentar a inseguran\u00e7a e tirar a previsibilidade da economia\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nada a comemorar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb T\u00e9cnicos do Banco Central dizem que n\u00e3o \u00e9 o momento para comemorar o fato de o d\u00f3lar ter ca\u00eddo abaixo de R$ 3,80, o que ajuda a infla\u00e7\u00e3o. \u201cNa verdade, esse resultado decorre da falta de not\u00edcias ruins, que tem proliferado como praga nos \u00faltimos tempos\u201d, diz um deles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As perspectivas cada vez piores para a economia trouxeram de volta um fantasma que vem tirando o sono do sistema banc\u00e1rio: a inadimpl\u00eancia. 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