{"id":2593,"date":"2016-08-12T00:01:13","date_gmt":"2016-08-12T03:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2593"},"modified":"2016-08-13T10:00:14","modified_gmt":"2016-08-13T13:00:14","slug":"coluna-no-correio-chuvas-e-trovoadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-chuvas-e-trovoadas\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Chuvas e trovoadas"},"content":{"rendered":"<p>A equipe econ\u00f4mica j\u00e1 se deu conta de que os tempos sob c\u00e9u de brigadeiro no qual o governo interino de Michel Temer transitou at\u00e9 agora est\u00e1 chegando ao fim. A cada dia fica maior a desconfian\u00e7a de agentes econ\u00f4micos quanto \u00e0 capacidade do peemedebista de levar adiante o prometido ajuste fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A derrota do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, no projeto de renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas dos estados escancarou as fragilidades do governo no manejo de sua base aliada no Congresso. Teme-se que, assim como Temer foi obrigado a ceder para aprovar o al\u00edvio de R$ 50 bilh\u00f5es prometido aos governadores, tamb\u00e9m acabe desfigurando a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento dos gastos da Uni\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A PEC \u00e9 apontada por Meirelles como o grande trunfo do governo para promover uma mudan\u00e7a radical na administra\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos. O problema \u00e9 que as corpora\u00e7\u00f5es j\u00e1 perceberam que ter\u00e3o que abrir m\u00e3o de privil\u00e9gios se a proposta for adiante. Assim, j\u00e1 se preparam para dar in\u00edcio a um lobby que costuma sensibilizar os parlamentares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O movimento, como ocorreu com o projeto das d\u00edvidas dos estados, come\u00e7ar\u00e1 pelo Judici\u00e1rio, carregado de penduricalhos nos sal\u00e1rios. Mas tende a ser engrossado por deputados e senadores quando perceberem que n\u00e3o ter\u00e3o mais a liberdade para definir para onde deve ir o dinheiro dos contribuintes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de que as coisas podem n\u00e3o seguir no curso desejado est\u00e1 expressa no discurso entoado ontem por Meirelles. Ele come\u00e7ou a dizer que a reforma da Previd\u00eancia, um tema t\u00e3o ou mais pol\u00eamico que a PEC dos gastos, n\u00e3o pode ser aprovada depois de 2017, sob o risco de inviabilizar o limite para as despesas da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Inquieta\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelo cronograma tra\u00e7ado pelo governo, a PEC dos gastos, que j\u00e1 est\u00e1 tramitando no Congresso, deve ser aprovada at\u00e9 novembro. J\u00e1 o projeto de reforma da Previd\u00eancia ser\u00e1 enviado ao Legislativo at\u00e9 o fim do ano, para ser discutido e avalizado por deputados at\u00e9 junho de 2017. Mas que fique claro: esse \u00e9 o cronograma original definido pelo Pal\u00e1cio do Planalto. Contudo, ningu\u00e9m mais tem a certeza de que ser\u00e1 seguido \u00e0 risca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo sabe que precisa dar uma resposta r\u00e1pida aos agentes econ\u00f4micos, cuja inquieta\u00e7\u00e3o est\u00e1 ganhando um tom ruidoso. Temer, no entanto, n\u00e3o acredita que o mercado far\u00e1 barulho neste momento, quando se est\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment definitivo de Dilma Rousseff. Ele e Meirelles tentar\u00e3o fazer a travessia at\u00e9 setembro usando muito gog\u00f3. Se vai dar certo, s\u00f3 o tempo dir\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aliado do interino, o governador de Goi\u00e1s, Marconi Perillo, recomenda ao Planalto que n\u00e3o perca tempo e convoque os l\u00edderes de todos os partidos da base aliada para mostrar a realidade do pa\u00eds e tirar um compromisso de que os projetos da equipe econ\u00f4mica ter\u00e3o prioridade m\u00e1xima para aprova\u00e7\u00e3o no Congresso. O governo, segundo ele, n\u00e3o deve abrir mais nenhuma brecha para que interesses de grupos espec\u00edficos se sobreponham aos da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Perillo, Temer errou ao aceitar que a C\u00e2mara derrubasse as condicionantes para que a renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas dos estados fosse aprovada. Para ele, era vital que os parlamentarem mantivessem a proibi\u00e7\u00e3o para reajustes a servidores e a realiza\u00e7\u00e3o de concursos p\u00fablicos nos pr\u00f3ximos dois anos, pois os estados n\u00e3o t\u00eam mais como absorver aumentos de gastos com pessoal. Sem essas limita\u00e7\u00f5es, diz, foram premiados os governadores n\u00e3o comprometidos com a boa gest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Perillo critica, principalmente, o papel exercido por funcion\u00e1rios dos judici\u00e1rios estaduais, que \u201cocuparam\u201d o Congresso para manter penduricalhos nos sal\u00e1rios \u201cque custam muito caro\u201d. S\u00e3o gratifica\u00e7\u00f5es, retroativos de decis\u00f5es judiciais e aux\u00edlios de todos os tipos que n\u00e3o entram nos c\u00e1lculos da folha de pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cHoje, em Goi\u00e1s, depois de todos os ajustes, comprometemos cerca de 55% das receitas l\u00edquidas com sal\u00e1rios de servidores. Se incorpor\u00e1ssemos todas as despesas com penduricalhos, essa rela\u00e7\u00e3o passaria de 80%\u201d, frisa o governador. \u201cPor isso, a grande maioria n\u00e3o queria as condicionantes impostas inicialmente pelo governo no acordo da d\u00edvida. Todo mundo ficaria desenquadrado pela Lei de Responsabilidade Fiscal e teria que fazer cortes dr\u00e1sticos nos gastos\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Normalidade<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desejo latente da equipe econ\u00f4mica \u00e9 de que o Planalto entenda que os tempos de conceder benesses ficou no passado. \u201cChegamos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual, de total descontrole das contas p\u00fablicas, porque o Estado achou que podia tudo, sobretudo quando o todo era representado por poucos privilegiados\u201d, afirma um dos t\u00e9cnicos. No entender dele, Temer precisa ser o mais enf\u00e1tico poss\u00edvel na defesa de um governo respons\u00e1vel fiscalmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para integrantes da equipe econ\u00f4mica, \u00e9 compreens\u00edvel que, com o impeachment de Dilma quase sacramentado, a pol\u00edtica prevale\u00e7a. O que n\u00e3o pode, por\u00e9m, \u00e9 que a pol\u00edtica continue dando o tom da economia depois que o governo for efetivado pelo Senado. \u201cDesde o in\u00edcio do ano, os indicadores econ\u00f4micos deixaram de guiar as avalia\u00e7\u00f5es sobre o Brasil. Isso n\u00e3o pode perdurar por muito mais tempo. Temos que voltar urgentemente \u00e0 normalidade\u201d, ressalta o mesmo t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A equipe econ\u00f4mica j\u00e1 se deu conta de que os tempos sob c\u00e9u de brigadeiro no qual o governo interino de Michel Temer transitou at\u00e9 agora est\u00e1 chegando ao fim. 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