{"id":2546,"date":"2016-08-10T05:10:03","date_gmt":"2016-08-10T08:10:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2546"},"modified":"2016-08-10T07:20:17","modified_gmt":"2016-08-10T10:20:17","slug":"coluna-no-correio-governo-ja-ve-dolar-abaixo-de-r-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-governo-ja-ve-dolar-abaixo-de-r-3\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Governo j\u00e1 v\u00ea d\u00f3lar abaixo de R$ 3"},"content":{"rendered":"<p>A equipe econ\u00f4mica j\u00e1 trabalha com a possibilidade de o d\u00f3lar cair abaixo de R$ 3 antes mesmo da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment definitivo de Dilma Rousseff. H\u00e1 duas indaga\u00e7\u00f5es caso isso aconte\u00e7a. A primeira: como o Banco Central lidar\u00e1 com a moeda norte-americana? A segunda: qual o impacto da valoriza\u00e7\u00e3o do real sobre as contas externas do pa\u00eds?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O debate sobre o assunto est\u00e1 intenso dentro do governo. A maioria das pessoas que transitam no entorno do presidente interino, Michel Temer, acredita que o BC n\u00e3o deveria tomar nenhuma medida mais dura. D\u00f3lar barato, no entender dessa corrente, sempre d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar na popula\u00e7\u00e3o. Tudo que o peemedebista mais precisa neste momento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse grupo palaciano afirma que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma vis\u00e3o populista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 moeda norte-americana. Ressalta que as interven\u00e7\u00f5es pontuais de US$ 500 milh\u00f5es feitas pelo BC no c\u00e2mbio, por meio de contratos de swap reverso (compra futura de d\u00f3lar), s\u00e3o mais do que suficientes para comprovar que o banco est\u00e1 agindo para evitar uma valoriza\u00e7\u00e3o excessiva do real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A torcida dentro do Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9 para que, em vez de voltar a comprar d\u00f3lares no mercado \u00e0 vista a fim de refor\u00e7ar as reservas internacionais do pa\u00eds, o BC, comandado por Ilan Goldfajn, antecipe o movimento de corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25%. Com a divisa dos Estados Unidos abaixo de R$ 3, as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o tendem a ceder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O racioc\u00ednio \u00e9 simples, dizem auxiliares de Temer ao defenderem o d\u00f3lar mais barato: comprar reservas d\u00e1 preju\u00edzos. Tanto que Ilan j\u00e1 sinalizou que, mais \u00e0 frente, num clima de normalidade, o BC ter\u00e1 que discutir qual \u00e9 o n\u00edvel ideal do seguro que o pa\u00eds precisa manter para se proteger de eventuais crises. A institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 sentada sobre quase US$ 380 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, completam os auxiliares do interino, a redu\u00e7\u00e3o dos juros s\u00f3 tem vantagens. Al\u00e9m de aliviar o caixa do Tesouro Nacional, que pagar\u00e1 menos para se financiar no mercado, o corte na Selic estimula o mercado de cr\u00e9dito e incentiva as empresas, que hoje est\u00e3o muito reticentes, a retirarem das gavetas projetos de investimentos, impulsionando a atividade, estimulando a cria\u00e7\u00e3o de empregos e permitindo a melhora da renda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Riscos fiscais<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da torcida, ningu\u00e9m no governo, mesmo os mais otimistas, acredita na queda dos juros na reuni\u00e3o deste m\u00eas do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). Por uma raz\u00e3o simples: \u00e9 quest\u00e3o de honra para o BC refor\u00e7ar seu discurso de que, enquanto a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o convergir para o centro da meta, de 4,5%, a Selic fica onde est\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir de outubro, por\u00e9m, todos acreditam que o BC de Ilan j\u00e1 estar\u00e1 com uma postura mais amena, principalmente porque, com o d\u00f3lar mais baixo, rodando em torno de R$ 2,80, as estimativas de infla\u00e7\u00e3o para 2017 tendem a cair. A aposta \u00e9 de que, \u00e0s v\u00e9speras da decis\u00e3o do Copom, as expectativas do mercado para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) estejam entre 4,8% e 4,9%. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Planalto cr\u00ea que a autoridade monet\u00e1ria ter\u00e1, em outubro, seguran\u00e7a maior sobre a aprova\u00e7\u00e3o, pelo Congresso, da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento dos gastos p\u00fablicas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. Isso diminuiria os riscos fiscais que os analistas tanto frisaram nos \u00faltimos dias em encontros com dois diretores do BC, Carlos Viana (Pol\u00edtica Econ\u00f4mica) e Tiago Berriel (Assuntos Internacionais).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica ressalta, contudo, que, se realmente decidir por cortar os juros a partir de outubro, o BC optar\u00e1 por um movimento bem gradual, come\u00e7ando com uma redu\u00e7\u00e3o de 0,25 ponto, estendendo o afrouxamento monet\u00e1rio por um longo per\u00edodo, talvez dois anos. A condi\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o caia e o governo consiga p\u00f4r em pr\u00e1tica o ajuste fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os t\u00e9cnicos que d\u00e3o suporte ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chamam ainda a aten\u00e7\u00e3o para o impacto que o d\u00f3lar mais baixo ter\u00e1 sobre a balan\u00e7a comercial e sobre as contas externas. A preocupa\u00e7\u00e3o deles \u00e9 de que o aumento das importa\u00e7\u00f5es se concentre em m\u00e1quinas e equipamentos, que v\u00e3o sustentar a retomada dos investimentos. N\u00e3o pode haver a repeti\u00e7\u00e3o de anos anteriores, em que o rombo nas transa\u00e7\u00f5es correntes foi provocado pela compra de bens de consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDeficit nas contas externas n\u00e3o \u00e9 problema, desde, \u00e9 claro, que seja decorrente do aumento de investimentos\u201d, afirma um integrante da equipe econ\u00f4mica. Ele ressalta que, para um pa\u00eds como o Brasil, que n\u00e3o tem poupan\u00e7a interna suficiente para financiar seu crescimento, n\u00e3o h\u00e1 outro caminho. \u201cMas vamos monitorar para que n\u00e3o haja surpresas ruins\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Cobran\u00e7as<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica, por tr\u00e1s do d\u00f3lar pr\u00f3ximo de R$ 3 est\u00e1 a confian\u00e7a dos investidores na aprova\u00e7\u00e3o do impeachment de Dilma e no avan\u00e7o de temas importantes, como a PEC dos gastos e a renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas de estados. \u201cIsso mostra que estamos no caminho certo\u201d, refor\u00e7a um t\u00e9cnico. \u201cSabemos das ansiedades, entendemos todas as cobran\u00e7as, mas o importante \u00e9 que estamos progredindo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que a equipe da Fazenda mais quer ver, daqui por diante, \u00e9 a economia dando sinais de rea\u00e7\u00e3o, para que as receitas do governo voltem a crescer e se afaste a necessidade de aumento de impostos. Para os t\u00e9cnicos, os resultados positivos do varejo e da ind\u00fastria em junho, como mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), indicam que o fundo do po\u00e7o chegou e j\u00e1 se come\u00e7a a ver luz no horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 bom deixar claro, no entanto, que cabe a n\u00f3s, governo, n\u00e3o deixar esse clima positivo se dispersar. Por isso, o presidente interino n\u00e3o pode se render aos lobbies\u201d, diz um ministro. No entender dele, depois da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment, ser\u00e1 a hora da verdade. O pa\u00eds, reconhece ele, j\u00e1 esperou demais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h10min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A equipe econ\u00f4mica j\u00e1 trabalha com a possibilidade de o d\u00f3lar cair abaixo de R$ 3 antes mesmo da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment definitivo de Dilma Rousseff. H\u00e1 duas indaga\u00e7\u00f5es caso isso aconte\u00e7a. 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