{"id":254,"date":"2015-10-30T00:20:58","date_gmt":"2015-10-30T02:20:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=254"},"modified":"2015-11-03T17:21:30","modified_gmt":"2015-11-03T19:21:30","slug":"precisa-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/precisa-mais\/","title":{"rendered":"PRECISA MAIS?"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi uma quinta-feira qualquer. Os n\u00fameros divulgados ontem por diversas institui\u00e7\u00f5es do governo podem ser vistos como um resumo do desastre da administra\u00e7\u00e3o Dilma Rousseff. Qualquer que seja o indicador analisado, a constata\u00e7\u00e3o \u00e9 assustadora. Vamos come\u00e7ar pelo desemprego.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o que mais se ouviu do PT, o partido de Dilma, foi que a prioridade de qualquer governo deveria ser a prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador. No per\u00edodo em que o pa\u00eds cresceu de forma cont\u00ednua com a infla\u00e7\u00e3o sob controle, realmente o mercado de trabalho se expandiu de forma espetacular. Com taxas abaixo de 5%, o Brasil flertou com o pleno emprego.<\/p>\n<p>Diante da decis\u00e3o de Dilma de romper com a estabilidade e flertar com a infla\u00e7\u00e3o, o quadro come\u00e7ou a mudar \u2014 e para pior. Com a recess\u00e3o batendo \u00e0s portas do pa\u00eds, as empresas passaram a demitir. A cada m\u00eas que a economia afundava, o desemprego se mostrava mais presente.<\/p>\n<p>No trimestre terminado em agosto, constatou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o \u00edndice de desocupa\u00e7\u00e3o atingiu 8,7%, o n\u00edvel mais elevado da s\u00e9rie hist\u00f3rica da Pnad Cont\u00ednua. Em 12 meses, 2 milh\u00f5es de trabalhadores foram mandados embora. Somente entre junho e agosto, o mercado de trabalho se fechou para 647 mil pessoas. No total, 8,8 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o sem qualquer fonte de renda.<\/p>\n<p>O sal\u00e1rio m\u00e9dio dos trabalhadores tamb\u00e9m n\u00e3o resistiu. Nos c\u00e1lculos do IBGE, recuou 1,1% entre junho e agosto ante os tr\u00eas meses anteriores. Quem ainda est\u00e1 conseguindo uma vaga no mercado formal est\u00e1 sendo obrigado a aceitar rendimentos menores, mesmo que a qualifica\u00e7\u00e3o seja elevada. Ou \u00e9 isso, ou \u00e9 o desemprego.<\/p>\n<p><strong>Diverg\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Boa parte desse quadro desapontador tem a ver com a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Na avalia\u00e7\u00e3o dos agentes econ\u00f4micos, enquanto o governo n\u00e3o arrumar as finan\u00e7as do pa\u00eds, n\u00e3o haver\u00e1 perspectiva de melhora. Ontem, o secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, afirmou que, somente neste ano, o rombo do Tesouro Nacional ser\u00e1 de R$ 110 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Nem bem esse n\u00famero foi divulgado, outras previs\u00f5es surgiram, como a do deputado Hugo Leal, relator, no Congresso, do projeto de revis\u00e3o da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) deste ano. Ele j\u00e1 fala em um buraco de R$ 117,9 bilh\u00f5es. Essas diverg\u00eancias nos n\u00fameros s\u00f3 confirmam o quando as finan\u00e7as do pa\u00eds ent\u00e3o em frangalhos.<\/p>\n<p>A falta de um ajuste fiscal consistente, que permita a volta da confian\u00e7a no pa\u00eds, levou o Banco Central a engrossar a estat\u00edstica do desastre de Dilma. A institui\u00e7\u00e3o admitiu ontem, na ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), que n\u00e3o sabe quando a infla\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 para o centro da meta, de 4,5%. Por isso, os brasileiros devem se preparar: os juros de 14,25% ao ano, que j\u00e1 s\u00e3o os maiores do mundo, podem subir mais.<\/p>\n<p>Tal possibilidade foi refor\u00e7ada pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, em conversa com deputados da Comiss\u00e3o de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o. Segundo ele, quanto mais o governo demorar para ajustar suas contas, mais caro o pa\u00eds pagar\u00e1. A autoridade monet\u00e1ria deu outro recado importante: na m\u00e9dia, a energia el\u00e9trica subir\u00e1 51% neste ano e a gasolina, 15%.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode esquecer que, para iludir os eleitores e garantir a reelei\u00e7\u00e3o, Dilma prometeu que as tarifas de energia do Brasil estariam entre as mais baratas do mundo. O que se v\u00ea, por\u00e9m, \u00e9 exatamente o inverso. No caso da gasolina, o governo represou o pre\u00e7o o quanto p\u00f4de para evitar que a infla\u00e7\u00e3o estourasse o teto da meta, de 6,5%. Bastaram os reajustes acontecerem para que a infla\u00e7\u00e3o disparasse para 10%.<\/p>\n<p>Em meio a tanta not\u00edcia ruim, a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) revelou que as fam\u00edlias ser\u00e3o obrigadas a enfrentar o desemprego e a queda da renda mais endividadas. H\u00e1 um ano, 60,2% dos lares tinham algum tipo de d\u00e9bito. Agora, s\u00e3o 62,1%. Boa parte das fam\u00edlias n\u00e3o sabem mais como honrar os compromissos em dia. Atrasos em contas b\u00e1sicas, como as de \u00e1gua e luz, tornaram-se rotina.<\/p>\n<p><strong>Fragilidade<\/strong><\/p>\n<p>A conjun\u00e7\u00e3o desses fatores ajuda a explicar o descontentamento da popula\u00e7\u00e3o com o governo, que ostenta aprova\u00e7\u00e3o de apenas 8,8%, a pior desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Os n\u00fameros n\u00e3o mentem, mas \u00e9 na vida real, nas idas aos supermercados, sobretudo, que as pessoas sentem como a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 dif\u00edcil. O governo garante que dias melhores est\u00e3o por vir, mas, antes que isso aconte\u00e7a, vai piorar muito.<\/p>\n<p>As estimativas s\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o acima do teto da meta em 2016, queda de pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB), rombo fiscal de 1% do PIB e desemprego de 10%. Nesse contexto, n\u00e3o h\u00e1 como esperar recupera\u00e7\u00e3o da popularidade de Dilma, o que agravar\u00e1 mais o quadro. Uma presidente fraca ser\u00e1 incapaz de fazer os ajustes de que o pa\u00eds tanto precisa para voltar a crescer e a gerar empregos.<\/p>\n<p><strong>Interesses de Lula<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Causou surpresa no Minist\u00e9rio da Fazenda a repentina defesa que o ex-presidente Lula fez de Joaquim Levy e do ajuste fiscal durante conven\u00e7\u00e3o do PT. At\u00e9 a semana passada, o l\u00edder petista era o maior defensor da demiss\u00e3o do ministro.<\/p>\n<p><strong>Sobrevida de Levy<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Com Lula bajulando Levy, acreditam assessores da Fazenda, o ministro, que chegou a escrever uma carta de demiss\u00e3o, ganhou sobrevida. Ningu\u00e9m se arrisca, por\u00e9m, a dizer at\u00e9 quando vai durar o apoio do petista ao ajuste fiscal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi uma quinta-feira qualquer. Os n\u00fameros divulgados ontem por diversas institui\u00e7\u00f5es do governo podem ser vistos como um resumo do desastre da administra\u00e7\u00e3o Dilma Rousseff. Qualquer que seja o indicador analisado, a constata\u00e7\u00e3o \u00e9 assustadora. Vamos come\u00e7ar pelo desemprego. 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