{"id":2499,"date":"2016-08-07T05:07:36","date_gmt":"2016-08-07T08:07:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2499"},"modified":"2016-08-07T00:10:49","modified_gmt":"2016-08-07T03:10:49","slug":"com-reforma-tempo-de-contribuicao-previdencia-vai-aumentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/com-reforma-tempo-de-contribuicao-previdencia-vai-aumentar\/","title":{"rendered":"Com reforma, tempo de contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Previd\u00eancia vai aumentar"},"content":{"rendered":"<p>POR CELIA PERRONE<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No que depender da equipe econ\u00f4mica, as futuras regras da Previd\u00eancia ser\u00e3o muito duras. Segundo um dos t\u00e9cnicos que est\u00e1 finalizando o projeto a ser enviado ao Congresso, al\u00e9m da idade m\u00ednima para aposentadoria, o governo ampliar\u00e1 de 15 para 20 anos o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o para que trabalhadores se retirem do mercado. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. O valor m\u00e9dio do benef\u00edcio tamb\u00e9m cair\u00e1. Hoje, quando os homens atingem 65 anos e as mulheres, 60, mas n\u00e3o recolheram para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por todo o per\u00edodo da vida laboral, todos podem receber benef\u00edcios, limitados a 70% das maiores contribui\u00e7\u00f5es, valor que \u00e9 acrescido em 1% por ano de pagamento ao INSS. Pelas futuras regras, esse limite cair\u00e1 para 60%, tamb\u00e9m acrescido de 1% ao ano de recolhimento. O objetivo \u00e9 obrigar as pessoas a ficarem mais tempo trabalhando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes mesmo de a reforma da Previd\u00eancia ser aprovada pelo Congresso, a analista de sistemas Ediv\u00e2nia Amaral, 38 anos, dos quais 17 de carteira assinada, j\u00e1 fez as contas e viu que ter\u00e1 que trabalhar pelo menos mais 11 anos al\u00e9m dos 13 que faltam pelas regras atuais. \u201cN\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Mas se eu tiver emprego e sa\u00fade, tudo bem\u201d, diz. Ela reconhece que a m\u00e9dia atual de idade de aposentadoria dos brasileiros, de 55 anos, \u00e9 muito baixa. \u201cEsse tipo de coisa acaba criando grandes distor\u00e7\u00f5es no sistema. Veja o caso da minha m\u00e3e. Ela est\u00e1 com 70 anos, contribuiu para o INSS por um bom per\u00edodo, mas s\u00f3 recebe um sal\u00e1rio m\u00ednimo de aposentadoria. Quase n\u00e3o d\u00e1 para comprar os rem\u00e9dios dela\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o jardineiro William Souza Costa, 21, a possibilidade de aposentadoria \u00e9 algo quase imposs\u00edvel de ocorrer. Ele est\u00e1 desempregado h\u00e1 um m\u00eas. Tem um ano e meio de contribui\u00e7\u00e3o para o INSS. Se ficar muito tempo sem carteira assinada, certamente n\u00e3o receberei meus benef\u00edcios\u201d, afirma. O que mais o assusta \u00e9 o fato de as regras mudarem no meio do caminho. \u201cN\u00e3o tenho d\u00favidas de que as coisas ficar\u00e3o piores para os trabalhadores\u201d, ressalta. Por mais que o governo diga o contr\u00e1rio, de que a reforma manter\u00e1 a sa\u00fade do sistema previdenci\u00e1rio, ele n\u00e3o acredita. \u201cO governo n\u00e3o faz nada pensando na gente. S\u00f3 est\u00e1 preocupado em manter privil\u00e9gios para poucos.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Risco de calote<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), ser\u00e1 preciso uma ampla campanha de esclarecimento para que a popula\u00e7\u00e3o se conscientize de que, como est\u00e1 hoje, a Previd\u00eancia n\u00e3o se sustenta. \u201cTemos o risco sist\u00eamico de n\u00e3o conseguir, j\u00e1 agora, pagar aposentadorias. Isso \u00e9 mais claro no servi\u00e7o p\u00fablico. Atualmente, h\u00e1 dois trabalhadores ativos que contribuem para bancar cada inativo. No INSS, s\u00e3o oito ativos para cada inativo. Em 2040, ser\u00e3o quatro para um. Temos uma conta cada vez mais dif\u00edcil de fechar\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O projetista em telecomunica\u00e7\u00f5es Francisco Alexandre Meirelles, 54, reconhece a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica da Previd\u00eancia. Mas acredita que muitos dos problemas se acumularam por causa da m\u00e1 gest\u00e3o do sistema. Ele diz que pagou ao INSS durante 30 anos para receber tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos de aposentadoria. Mas n\u00e3o cr\u00ea que isso ser\u00e1 poss\u00edvel. Sem trabalho h\u00e1 um ano e meio, deixou de contribuir para o instituto, pois teve que optar entre a comida do dia a dia e o benef\u00edcio no futuro. \u201cTenho feito alguns bicos, mas n\u00e3o consigo receber. Sinceramente, perdi a esperan\u00e7a de obter a aposentadoria, ainda mais com a reforma que est\u00e1 por vir. Pelas regras atuais, faltam cinco anos de contribui\u00e7\u00e3o. Lesado, sei que vou ser\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Renato Follador, consultor em previd\u00eancia e educador financeiro, por mais dif\u00edcil que seja levar adiante a reforma da Previd\u00eancia, o governo n\u00e3o pode desistir. \u201cChegamos a um ponto em que n\u00e3o h\u00e1 mais paliativos. J\u00e1 estamos vendo v\u00e1rios casos de calotes em aposentados, como nos governos do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Isso pode se multiplicar pa\u00eds afora, inclusive no INSS\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h07min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR CELIA PERRONE &nbsp; No que depender da equipe econ\u00f4mica, as futuras regras da Previd\u00eancia ser\u00e3o muito duras. 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