{"id":2307,"date":"2016-07-29T05:30:00","date_gmt":"2016-07-29T08:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2307"},"modified":"2016-07-30T22:54:56","modified_gmt":"2016-07-31T01:54:56","slug":"coluna-no-correio-banca-tremeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-banca-tremeu\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: A banca tremeu"},"content":{"rendered":"<p>O Pal\u00e1cio do Planalto acendeu o sinal de alerta com o indiciamento de quatro executivos do Bradesco, entre eles, o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Luiz Carlos Trabuco. A ordem do presidente interino, Michel Temer, \u00e9 medir at\u00e9 que ponto a Opera\u00e7\u00e3o Zelotes pode impactar o sistema financeiro, muito dependente de confian\u00e7a. Os procuradores que fazem parte das investiga\u00e7\u00f5es sobre irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), no qual se questionam multas aplicadas pela Receita Federal, alertam que outras institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o na mira. Citam, abertamente, o Santander e o Safra, mas afirmam que a lista \u00e9 bem maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do governo que acompanham o assunto dizem que, at\u00e9 agora, nenhuma den\u00fancia de irregularidade foi capaz de abalar a credibilidade dos grandes bancos, considerados extremamente s\u00f3lidos. Agora, por\u00e9m, com o comando do Bradesco na linha de tiro, o quadro mudou de figura. Os investidores j\u00e1 reagiram muito mal ao indiciamento de Trabuco e auxiliares. As a\u00e7\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o registraram queda de at\u00e9 4,45% ontem na bolsa de valores. O grande p\u00fablico, por\u00e9m, continua alheio ao assunto. Mas, na avalia\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos, n\u00e3o se pode desprezar o poder das redes sociais para disparar informa\u00e7\u00f5es inver\u00eddicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Auxiliares de Temer dizem que ele pediu ao Banco Central que n\u00e3o descuide do assunto. Tudo que o pa\u00eds n\u00e3o precisa agora \u00e9 de problemas no sistema financeiro. O maior risco iminente de crise foi, pelo menos por ora, debelado. Trata-se do BTG Pactual, engolfado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. O dono da institui\u00e7\u00e3o, Andr\u00e9 Esteves, chegou a ser preso e foi denunciado por suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o. O banco teve que se desfazer de v\u00e1rios ativos para n\u00e3o quebrar, mas pode voltar a enfrentar nova onda de desconfian\u00e7a se o Congresso aprovar o pedido de CPI para investigar suas rela\u00e7\u00f5es com os governos petistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo conta com um sistema financeiro saud\u00e1vel para sustentar a retomada do crescimento econ\u00f4mico. Como n\u00e3o poder\u00e1 mais usufruir do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), que estra\u00e7alhou as contas do Tesouro Nacional, precisar\u00e1 das institui\u00e7\u00f5es privadas para serem os grandes ve\u00edculos financiadores dos projetos de concess\u00f5es e de privatiza\u00e7\u00e3o que est\u00e3o sendo preparados para garantir, se n\u00e3o tudo, pelo menos uma boa parte dos R$ 55 bilh\u00f5es que o Minist\u00e9rio da Fazenda prev\u00ea como receitas extras em 2017, quando o deficit p\u00fablico ser\u00e1 de R$ 139 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os bancos ser\u00e3o importantes, na vis\u00e3o do governo, para a retomada do cr\u00e9dito \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0s empresas que tendem a ampliar os neg\u00f3cios para atender ao aumento do consumo. Os t\u00e9cnicos reconhecem que as institui\u00e7\u00f5es, mesmo muito capitalizadas, ficaram machucadas recentemente com o significativo n\u00famero de grandes companhias que recorreram \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial. Os casos mais recentes s\u00e3o da Sete Brasil e da Oi. H\u00e1 ainda um passivo grande a ser assumido caso as grandes empreiteiras pegas pela Lava-Jato roubando a Petrobras acabem suspendendo os pagamentos de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTodos os indicadores apontam que n\u00e3o h\u00e1 com o que se preocupar\u201d, afirma um importante t\u00e9cnico da Esplanada dos Minist\u00e9rios. Ele ressalta que todos os testes de estresse realizados pelo BC mostram que o sistema financeiro brasileiro nunca esteve t\u00e3o saud\u00e1vel. \u201cDe qualquer forma, n\u00e3o \u00e9 demais ligar o sinal de alerta, principalmente em se tratando de bancos\u201d, acrescenta. \u201cAssim, vamos ver o governo agindo nos bastidores, chamando todas as grandes institui\u00e7\u00f5es para conversar, a fim de medir at\u00e9 que ponto a Zelotes pode ser um detonador de problemas, ou n\u00e3o\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Acabou a brincadeira<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Longe da apreens\u00e3o com os bancos, os especialistas tentam mapear todos os passos da equipe econ\u00f4mica para ver quais as reais chances de o Brasil ajustar suas contas e de a economia sair do atoleiro. Para Newton Rosa, economista-chefe da Sul Am\u00e9rica Investimentos, com o resultado que se viu no primeiro semestre \u2014 rombo de R$ 32,5 bilh\u00f5es nas finan\u00e7as, o maior para o per\u00edodo desde 1997 \u2014, o governo federal cortar\u00e1 um dobrado para n\u00e3o superar a previs\u00e3o de deficit de R$ 170,5 bilh\u00f5es para este ano. \u00c9 importante ressaltar que o grosso das despesas \u00e9 lan\u00e7ado entre julho e dezembro, e as receitas, em vez de melhorarem, s\u00f3 pioram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Rosa, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver nada que garanta avan\u00e7o do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,2%, em 2017, e de 2,5%, em 2018, como projeta o governo. H\u00e1 muita coisa jogando contra: desemprego, elevado n\u00edvel de endividamento das fam\u00edlias, empresas em dificuldades, investimentos retra\u00eddos. Ele acredita que o mais prov\u00e1vel, pelo menos no ano que vem, \u00e9 que o PIB d\u00ea um salto entre 0,5% e 1%, e, mesmo assim, ser\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica, depois de dois anos seguidos de contra\u00e7\u00e3o acumulada de 8%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para que a economia realmente retome o f\u00f4lego e cres\u00e7a de forma sustentada, diz o especialista da Sul Am\u00e9rica, o governo ter\u00e1 que se empenhar muito para aprovar, no Congresso, todas as medidas que permitir\u00e3o ao pa\u00eds reorganizar suas contas e reduzir o endividamento que caminha para 80% do PIB. A primeira delas \u00e9 a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC), que limitar\u00e1 o aumento de gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. \u201cPor enquanto, h\u00e1 um voto de confian\u00e7a ao governo. Mas, depois da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment (de Dilma), a lua de mel tende a acabar. Todas as cartas ser\u00e3o colocadas na mesa\u201d, avisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h05min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pal\u00e1cio do Planalto acendeu o sinal de alerta com o indiciamento de quatro executivos do Bradesco, entre eles, o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Luiz Carlos Trabuco. A ordem do presidente interino, Michel Temer, \u00e9 medir at\u00e9 que ponto a Opera\u00e7\u00e3o Zelotes pode impactar o sistema financeiro, muito dependente de confian\u00e7a. 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