{"id":2161,"date":"2016-07-23T10:05:04","date_gmt":"2016-07-23T13:05:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2161"},"modified":"2016-07-23T19:59:42","modified_gmt":"2016-07-23T22:59:42","slug":"coluna-no-correio-o-grande-teste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-o-grande-teste\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: O grande teste"},"content":{"rendered":"<p>O governo de Michel Temer est\u00e1 deitado em ber\u00e7o espl\u00eandido. Com o apoio escancarado do mercado financeiro, nada de concreto fez at\u00e9 agora para ajustar as contas p\u00fablicas. A revis\u00e3o bimestral de receitas e despesas, divulgada ontem pelo Minist\u00e9rio do Planejamento, mostra que a gastan\u00e7a continua a todo vapor, engolindo as folgas que, estrategicamente, a equipe econ\u00f4mica colocou na monstruosa previs\u00e3o de deficit para este ano, de R$ 170,5 bilh\u00f5es. O espa\u00e7o para acomodar mais despesas, por\u00e9m, chegou ao fim, admite o ministro Dyogo Oliveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O buraco t\u00e3o grande nas finan\u00e7as federais foi estrategicamente pensado. Como explica um t\u00e9cnico graduado da Esplanada dos Minist\u00e9rios, o governo usou a folga fiscal para \u201ccomprar\u201d o impeachment de Dilma Rousseff. Se n\u00e3o tivesse dado reajuste aos servidores, aberto m\u00e3o de R$ 50 bilh\u00f5es em d\u00edvidas dos estados, injetado quase R$ 3 bilh\u00f5es nos cofres dos munic\u00edpios e atendido todo tipo de pleito de deputados e senadores, certamente o presidente interino estaria hoje enfrentando uma s\u00e9ria amea\u00e7a de a petista voltar ao Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o fiscal \u00e9 t\u00e3o grave que o governo est\u00e1 queimando praticamente toda a reserva de R$ 18 bilh\u00f5es prevista no rombo de R$ 170,5 bilh\u00f5es. N\u00e3o fosse esse colch\u00e3o, o buraco nas contas seria de R$ 187 bilh\u00f5es. A sa\u00edda, para manter a folga, seria o governo cortar R$ 20 bilh\u00f5es do Or\u00e7amento, como propunha a equipe econ\u00f4mica. Mas a ala pol\u00edtica do Planalto acabou vencendo a batalha e o contingenciamento foi engavetado. Agora, deixa claro o ministro do Planejamento, fecharam-se as portas para as estripulias. Se Temer aumentar alguma despesa, ter\u00e1 que passar a tesoura em outra ou pedir nova autoriza\u00e7\u00e3o ao Congresso para ampliar o buraco nas contas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica ainda acredita no bom senso do governo. Mas a derrota do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na disputa em torno do contingenciamento acendeu o sinal de alerta. Os t\u00e9cnicos est\u00e3o se perguntando at\u00e9 onde vai a for\u00e7a do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que vem transitando com desenvoltura na seara alheia. Ele tem feito quest\u00e3o de se contrapor a Meirelles publicamente, negando muitos dos projetos propostos pela Fazenda. Disse, com todas as letras, que n\u00e3o haveria cortes de gastos, apesar de o time econ\u00f4mico ter definido at\u00e9 o valor, e realmente n\u00e3o houve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Jogo combinado<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nada do que Padilha fala \u00e9 de sua pura responsabilidade. Tudo \u00e9 estrategicamente combinado com Michel Temer. O interino faz quest\u00e3o de ressaltar a import\u00e2ncia e a for\u00e7a de Meirelles no governo, mas n\u00e3o quer um superministro. Por isso, escalou o chefe da Casa Civil para polarizar com o colega da Fazenda. Esse confronto \u00e9 comum em todos os governo. Mas \u00e9 importante que as decis\u00f5es t\u00e9cnicas prevale\u00e7am, principalmente num quadro de tanta gravidade. O maior problema do pa\u00eds hoje \u00e9 fiscal. O rombo das contas p\u00fablicas est\u00e1 na base da infla\u00e7\u00e3o alta, da desconfian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos, da recess\u00e3o, do desemprego, dos maiores juros do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 bom que Temer mantenha o ju\u00edzo. Hoje, se ele desfruta de total apoio dos investidores, amanh\u00e3, poder\u00e1 enfrentar uma onda contr\u00e1ria que lhe custar\u00e1 muito caro. Todos os \u00faltimos governos passaram por testes violentos. Muita gente ficou pelo meio do caminho. Meirelles sabe muito bem disso. Teve que manejar o Banco Central na crise mundial de 2008. Como fez o dever de casa direitinho, colheu os frutos. A recess\u00e3o durou pouco. A infla\u00e7\u00e3o se manteve comportada, a ponto de permitir o corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos acreditam que o grande teste do governo Temer vir\u00e1 depois da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment de Dilma pelo Senado, o que, se espera, deve ocorrer at\u00e9 o fim de agosto. A partir da\u00ed, o mercado cobrar\u00e1 medidas efetivas para o ajuste fiscal e a retomada do crescimento. Na vis\u00e3o dos investidores, a fatura da sa\u00edda de cena da petista estar\u00e1 liquidada. Da\u00ed em diante, come\u00e7ar\u00e1 um novo jogo. E a complac\u00eancia atual ser\u00e1 substitu\u00edda por muita expectativa. Se n\u00e3o entregar o que os donos do dinheiro esperam, o peemedebista ver\u00e1 o quanto o mercado \u00e9 ingrato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 10h05min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo de Michel Temer est\u00e1 deitado em ber\u00e7o espl\u00eandido. 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