{"id":2124,"date":"2016-07-22T07:05:53","date_gmt":"2016-07-22T10:05:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2124"},"modified":"2016-07-22T08:53:59","modified_gmt":"2016-07-22T11:53:59","slug":"coluna-no-correio-boia-de-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-boia-de-salvacao\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Boia de salva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>As grandes concession\u00e1rias que tocam obras no Brasil est\u00e3o enfrentado um problema inusitado. Para manter os canteiros funcionando, t\u00eam sido obrigadas a bancar uma s\u00e9rie de despesas que seriam de responsabilidade das construtoras contratadas, porque essas empresas est\u00e3o com o caixa estra\u00e7alhado e sem acesso a linhas de cr\u00e9dito. \u201cEstamos comprando parte do material para os empreendimentos e bancando a folha de sal\u00e1rios\u201d, diz Renato Alves Vale, presidente da CCR, l\u00edder do cons\u00f3rcio respons\u00e1vel pelas obras da TransOl\u00edmpica, no Rio de Janeiro, e do metr\u00f4 de Salvador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o grave, acrescenta Vale, que as concession\u00e1rias precisam fiscalizar se realmente os recursos repassados para os trabalhadores s\u00e3o usados de forma correta. O risco de desvios \u00e9 alto. O executivo ressalta que as dificuldades que abatem as construtoras j\u00e1 levaram 360 delas a pedirem recupera\u00e7\u00e3o judicial nos \u00faltimos meses. Os problemas n\u00e3o distinguem grandes e pequenas empresas. Todas sofrem as consequ\u00eancias da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, que desnudou o esquema de corrup\u00e7\u00e3o liderado pelo PT e pelo PMDB que saqueou a Petrobras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A grande preocupa\u00e7\u00e3o do presidente da CCR \u00e9 que esse quadro dram\u00e1tico n\u00e3o se resolver\u00e1 t\u00e3o cedo e pode ser um empecilho para o programa de concess\u00f5es que o governo quer fazer deslanchar depois da aprova\u00e7\u00e3o definitiva do impeachment de Dilma Rousseff. As construtoras s\u00e3o vistas como players (operadores) importantes para atrair capitais, sobretudo do exterior, para os empreendimentos licitados. Infelizmente, afirma Vale, \u201cos grandes players brasileiros, que servem de ve\u00edculos para os investimentos, est\u00e3o machucados\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o culpa, por\u00e9m, a Lava-Jato por esses problemas. Muito pelo contr\u00e1rio. Acredita que a opera\u00e7\u00e3o conduzida pela Pol\u00edcia Federal, que levou para a cadeia pol\u00edticos e empreiteiros de grosso calibre, ter\u00e1 forte efeito educativo. Houve, na opini\u00e3o dele, excessos por parte das construtoras. Mas, quando a casa for arrumada, n\u00e3o se ver\u00e1 a repeti\u00e7\u00e3o de obras superfaturadas e adiadas por prazos a perder de vista. A efici\u00eancia tender\u00e1 a prevalecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Apag\u00e3o da caneta<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia, no entender do executivo, \u00e9 que h\u00e1 dinheiro de sobra no mundo para os projetos que o governo pretende transferir \u00e0 iniciativa privada. Com as taxas de juros negativas nas economias desenvolvidas, os grandes fundos de investimentos, especialmente aqueles que precisam garantir bons rendimentos a longo prazo para bancar aposentadorias, est\u00e3o dispostos a colocar dinheiro em empreendimentos rent\u00e1veis e de baixo risco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sendo assim, o presidente interino, Michel Temer, n\u00e3o pode desperdi\u00e7ar as oportunidades que est\u00e3o colocadas. Antes de mais nada, precisa resgatar a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos. E isso passa pelo retorno da previsibilidade, com regras claras e consistentes, sem surpresas no meio do caminho, e fortalecimento das ag\u00eancias reguladoras. Se seguir nessa dire\u00e7\u00e3o, acredita o presidente da CCR, o peemedebista n\u00e3o s\u00f3 incentivar\u00e1 um forte fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil \u2014 fala-se em algo entre US$ 40 bilh\u00f5es e US$ 50 bilh\u00f5es \u2014, como estimular\u00e1 os bancos a reabrirem as linhas de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cVivemos hoje, no sistema financeiro, o apag\u00e3o da caneta. Ningu\u00e9m quer assinar contratos, temendo ser responsabilizado por eventuais preju\u00edzos\u201d, diz Vale. Para ele, uma das formas de virar esse jogo \u00e9 o governo apresentar projetos de boa qualidade. \u201cTemos que admitir: hoje faltam empreendimentos qualificados, um problem\u00e3o para um pa\u00eds t\u00e3o carente de infraestrutura\u201d, assinala. Mas o executivo acredita que, depois de tantos projetos malsucedidos, a administra\u00e7\u00e3o Temer est\u00e1 preparada para n\u00e3o repetir os erros grosseiros vistos no governo de Dilma Rousseff, em que as obras tinham que ser interrompidas porque n\u00e3o foram previstas, no projeto original, quest\u00f5es b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele cita como exemplo o caso de uma rodovia administrada pela CCR. A empresa se responsabilizou pela duplica\u00e7\u00e3o de um trecho de 800 quil\u00f4metros. Os primeiros 300km teriam que ser entregues em dois anos, mas o projeto preparado pela Empresa de Planejamento e Log\u00edstica (EPL) para viabilizar o empreendimento s\u00f3 ficou pronto depois de conclu\u00eddas as obras. Em outros 300km, houve um fatiamento dos trechos, porque se descobriu uma s\u00e9rie de entraves que os respons\u00e1veis pela licita\u00e7\u00e3o desconheciam por completo. O saldo foi aumento de custos e atraso na entrega.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Olho grande<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com R$ 1 bilh\u00e3o em caixa e investimentos de R$ 5 bilh\u00f5es em infraestrutura no pa\u00eds no ano passado, a CCR foi respons\u00e1vel por quase a metade da aplica\u00e7\u00e3o de recursos no setor. A empresa det\u00e9m concess\u00f5es de rodovias, aeroportos e mobilidade urbana (barcas e metr\u00f4). Vale diz que o apetite da companhia est\u00e1 longe de ser saciado. A CCR quer assumir o controle dos terminais de Fortaleza e Salvador, que ser\u00e3o privatizados, pois v\u00ea grande potencial de crescimento, por estarem mais pr\u00f3ximos da Europa e dos Estados Unidos. \u201cO viajante internacional \u00e9 muito mais rent\u00e1vel\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O executivo explica que n\u00e3o ter a Infraero como s\u00f3cia nas pr\u00f3ximas concess\u00f5es torna a opera\u00e7\u00e3o mais atrativa. \u201cN\u00e3o do ponto de vista operacional, porque a Infraero \u00e9 eficiente e tem expertise. Aprendemos muito com ela. Do lado do investimento, contudo, a estatal n\u00e3o \u00e9 uma boa s\u00f3cia\u201d, ressalta. Para se especializar na gest\u00e3o de terminais, a CCR comprou 70% de uma empresa de servi\u00e7os aeroportu\u00e1rios, a TAS, com sede em Phoenix, nos Estados Unidos. Tamb\u00e9m se tornou s\u00f3cia de terminais no Equador, na Costa Rica e em Cura\u00e7ao. No pa\u00eds, controla o aeroporto de Confins, em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 07h05min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As grandes concession\u00e1rias que tocam obras no Brasil est\u00e3o enfrentado um problema inusitado. 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