{"id":2092,"date":"2016-07-21T06:30:18","date_gmt":"2016-07-21T09:30:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2092"},"modified":"2016-07-21T09:02:45","modified_gmt":"2016-07-21T12:02:45","slug":"coluna-no-correio-bola-com-temer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-bola-com-temer\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Bola com Temer"},"content":{"rendered":"<p>O presidente interino, Michel Temer, diz que a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria cabe, exclusivamente, ao Banco Central, mas est\u00e1 nas m\u00e3os dele o destino da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que foi mantida em 14,25% ao ano pela oitava vez seguida. No comunicado inovador divulgado ap\u00f3s a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), o BC de Ilan Goldfajn deixou claro que n\u00e3o haver\u00e1 espa\u00e7o para corte de juros se o governo fracassar na miss\u00e3o de aprovar no Congresso Nacional medidas fundamentais para o ajuste fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do BC, n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder. A arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas \u00e9 vital para que os agentes econ\u00f4micos reduzam as expectativas de infla\u00e7\u00e3o para 2017, que est\u00e3o em 5,3%, distante, portanto, do centro da meta, de 4,5%, perseguido pela institui\u00e7\u00e3o. A cobran\u00e7a pelo andamento das medidas do ajuste fiscal tender\u00e3o a aumentar muito depois da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment definitivo de Dilma Rousseff pelo Senado. Espera-se que, consolidado no cargo, Temer deixe de lado as preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e fa\u00e7a o que for preciso para reverter os deficits que assombram o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que o BC nem espere a aprova\u00e7\u00e3o da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita a corre\u00e7\u00e3o dos gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior para dar in\u00edcio \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos juros. Mas, para a institui\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante que o ajuste esteja encaminhado, sem o risco das frustra\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos anos. A gest\u00e3o anterior do BC acreditou em uma s\u00e9rie de promessas de medidas para p\u00f4r as finan\u00e7as federais nos eixos. Mas nada foi feito, a n\u00e3o ser o relaxamento no controle da infla\u00e7\u00e3o. Desde 2009, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) est\u00e1 distante do centro da meta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer, portanto, tem muito a fazer. At\u00e9 agora, contou com a complac\u00eancia dos investidores, que compraram, sem qualquer questionamento, o argumento de que, como interino, ele pouco pode fazer. Efetivado, por\u00e9m, o tratamento dispensado pelos donos do dinheiro ser\u00e1 outro, caso o governo n\u00e3o demonstre for\u00e7a suficiente para fazer o ajuste fiscal andar. As pr\u00f3ximas semanas ser\u00e3o decisivas. Discurso bonito faz bem aos ouvidos, mas n\u00e3o engana ningu\u00e9m. O BC de Ilan est\u00e1 longe de se iludir com promessas vazias. Todos os diretores \u2014 ou pelo menos a maioria \u2014 t\u00eam reputa\u00e7\u00e3o a zelar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Coer\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC tamb\u00e9m cobrou, no comunicado inspirado no modelo chileno, coer\u00eancia do mercado. A maior parte dos analistas prev\u00ea infla\u00e7\u00e3o acima da meta para 2017, mas trabalha com redu\u00e7\u00e3o de 3,25 pontos percentuais na taxa Selic at\u00e9 dezembro do ano que vem, para 11%. Ou os analistas reduzem as proje\u00e7\u00f5es para o IPCA, ou ter\u00e3o que rever as apostas de queda dos juros. A conta n\u00e3o fecha. A tend\u00eancia, num primeiro momento, \u00e9 de o mercado adiar, em suas estimativas, o in\u00edcio do ciclo de baixa da taxa b\u00e1sica e diminuir o total da queda prevista. \u00c9 o cen\u00e1rio que se encaixa melhor ao perfil do novo BC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso quer dizer que a Selic se manter\u00e1 est\u00e1vel por mais tempo. N\u00e3o \u00e0 toa, come\u00e7a a se formar o consenso de que os juros s\u00f3 cair\u00e3o a partir de novembro, na \u00faltima reuni\u00e3o do ano do Copom. No quadro mais otimista, o corte come\u00e7aria em outubro. Mas as condi\u00e7\u00f5es seriam o avan\u00e7o da PEC no Congresso e a revers\u00e3o das expectativas infla\u00e7\u00e3o. Sem isso, \u00e9 dif\u00edcil imaginar o BC cortando a taxa b\u00e1sica. O momento n\u00e3o \u00e9 de apostas erradas. Mas de mostrar que os tempos de leni\u00eancia com a carestia ficaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO time de Ilan deu o recado: o BC n\u00e3o est\u00e1 para brincadeira. Quando diz que levar\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta at\u00e9 o fim de 2017, o far\u00e1, independentemente de cr\u00edticas de quem quer que seja\u201d, afirma um integrante da equipe econ\u00f4mica. Ele ressalta a import\u00e2ncia de a autoridade monet\u00e1ria expressar, em documento, a preocupa\u00e7\u00e3o com o ajuste fiscal. \u201cEssa postura s\u00f3 refor\u00e7a o discurso do Minist\u00e9rio da Fazenda de que o governo n\u00e3o pode se render ao populismo para agradar pol\u00edticos\u201d, frisa. Para o t\u00e9cnico, os tempos mudaram. \u201cOu se acredita nisso e se faz o que \u00e9 preciso, ou o fracasso dar\u00e1 as caras rapidamente\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Aventuras<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o economista Jo\u00e3o Pedro Ribeiro, da Nomura Securities, o tom usado pelo BC n\u00e3o foi de todo duro. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, ao anunciar que, pelas suas proje\u00e7\u00f5es, o IPCA de 2017 j\u00e1 est\u00e1 ancorado em 4,5%, abaixo dos 4,7% previstos no Relat\u00f3rio de Infla\u00e7\u00e3o publicado em junho, a institui\u00e7\u00e3o deixou as portas abertas para a queda dos juros a partir de outubro. Ele cr\u00ea que o corte poder\u00e1 ser de 0,5 ponto percentual, com essa baixa se repetindo em novembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPelo comunicado p\u00f3s-Copom \u00e9 poss\u00edvel entender que n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de redu\u00e7\u00e3o da Selic no curto prazo. Mas h\u00e1, sim, espa\u00e7o para cortes neste ano\u201d, afirma Ribeiro. \u201cNo nosso cen\u00e1rio, os juros fechar\u00e3o este ano em 13,25% e, em 2017, cair\u00e3o para 10%\u201d, ressalta. No entender do economista, embora o BC tenha alertado para a import\u00e2ncia do andamento do ajuste fiscal para que os juros possam cair, o mais importante para a decis\u00e3o do Copom ser\u00e1 a converg\u00eancia das expectativas de infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Independentemente das apostas, o mais importante \u00e9 que o BC n\u00e3o se deixe contaminar pelas press\u00f5es pol\u00edticas. Ainda que Michel Temer tenha refor\u00e7ado a autonomia da institui\u00e7\u00e3o para definir os rumos da taxa b\u00e1sica de juros, ele pr\u00f3prio tem sido um dos principais propagadores do discurso de que a Selic precisa cair como forma de estimular a retomada do crescimento econ\u00f4mico. O presidente interino precisa definir logo, e de forma transparente, de que lado realmente est\u00e1, se do bom senso ou do grupo chegado a aventuras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente interino, Michel Temer, diz que a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria cabe, exclusivamente, ao Banco Central, mas est\u00e1 nas m\u00e3os dele o destino da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que foi mantida em 14,25% ao ano pela oitava vez seguida. 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