{"id":2069,"date":"2016-07-20T06:30:18","date_gmt":"2016-07-20T09:30:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2069"},"modified":"2016-07-20T07:56:54","modified_gmt":"2016-07-20T10:56:54","slug":"coluna-no-correio-dose-de-paciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-dose-de-paciencia\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Dose de paci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A ala pol\u00edtica do Pal\u00e1cio do Planalto acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel divulgar as medidas de est\u00edmulos que v\u00eam sendo preparadas pelo governo antes do prazo de 20 dias definido pelo presidente interino, Michel Temer. A vis\u00e3o dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) \u00e9 de que, mesmo com as barreiras impostas pela equipe econ\u00f4mica, prevalecer\u00e1 o entendimento de que o pa\u00eds n\u00e3o aguenta mais tanta not\u00edcia ruim. Assim como o governo est\u00e1 mostrando empenho em cortar gastos e encaminhar medidas duras ao Congresso para fazer o ajuste fiscal, \u00e9 preciso dar uma dire\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas e \u00e0s fam\u00edlias de que se est\u00e1 trabalhando em a\u00e7\u00f5es para tirar a economia do atoleiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os ministros pol\u00edticos n\u00e3o querem ver repetida a s\u00edndrome de Joaquim Levy, que, durante todo o per\u00edodo em que esteve \u00e0 frente do Minist\u00e9rio da Fazenda de Dilma Rousseff, n\u00e3o conseguia falar em outra coisa que n\u00e3o fosse a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. A falta de vis\u00e3o pol\u00edtica de Levy, no entender de assessores de Temer, acabou por min\u00e1-lo. Ele perdeu apoio tanto no governo quanto no Congresso. O desgaste foi tamanho que o ministro saiu pelas portas dos fundos, deixando a economia numa situa\u00e7\u00e3o pior do que encontrou. Levy, por arrog\u00e2ncia, achou que tinha poder de sobra para impor sua vis\u00e3o. Errou feio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m, na ala pol\u00edtica de Temer, tem o atrevimento de comparar o atual comandante da Fazenda, Henrique Meirelles, com Levy, por causa da linha-dura com que a equipe econ\u00f4mica vem agindo. Levy foi um fantoche nas m\u00e3os de Dilma. J\u00e1 Meirelles tem muito prest\u00edgio com o presidente interino. Isso n\u00e3o quer dizer que vem vencendo todos os embates dentro do governo. Est\u00e1 longe disso. Tanto que foi obrigado a sancionar uma s\u00e9rie de aumentos de gastos, levantando entre os investidores s\u00e9rias d\u00favidas sobre o real compromisso do peemedebista com a boa sa\u00fade das finan\u00e7as federais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O adiamento do an\u00fancio das medidas de est\u00edmulos desejadas por Temer teve \u2014 e muito \u2014 o dedo da Fazenda. A equipe de Meirelles n\u00e3o poupou cr\u00edticas \u00e0 pressa do governo em dar est\u00edmulos \u00e0 atividade. O argumento mais usado foi o de que o pa\u00eds est\u00e1 vivendo uma crise brutal justamente porque o governo anterior fez loucuras demais para tentar tirar o Produto Interno Bruto (PIB) da UTI. Dilma acreditava que o Estado tinha for\u00e7a de sobra para dar as cartas. A cada medida anunciada, por\u00e9m, a desconfian\u00e7a dos agentes produtivos aumentava, e a economia afundava. A petista, com suas loucuras, s\u00f3 conseguiu colher a recess\u00e3o e quebrar o Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Boca cheia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos da Fazenda acreditam que, em algum momento, n\u00e3o muito distante, ser\u00e1 poss\u00edvel dar incentivos \u00e0 economia. Mas, antes, \u00e9 preciso recobrar a confian\u00e7a. \u00c9 ela que permitir\u00e1 \u00e0s empresas retirarem das gavetas projetos de investimentos e \u00e0s fam\u00edlias voltarem a consumir. Para os auxiliares de Meirelles, de nada adianta dar mais cr\u00e9dito, cortando juros das linhas do Banco do Brasil e da Caixa Econ\u00f4mica Federal, se n\u00e3o houver tomadores. As empresas t\u00eam de acreditar que o aumento da produ\u00e7\u00e3o ser\u00e1 absorvido pelos consumidores. As fam\u00edlias precisam ter a certeza de que n\u00e3o ser\u00e3o vitimadas pelo desemprego. O ministro da Fazenda costuma encher a boca para definir o que os agentes econ\u00f4micos querem: previsibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na queda de bra\u00e7o com a ala pol\u00edtica do governo, Meirelles n\u00e3o tem economizado nos n\u00fameros ao apresentar argumentos a Temer de que a hora \u00e9 de ir devagar com o andor. Ele diz que, justamente por manter os p\u00e9s no ch\u00e3o e prometer apenas o que pode entregar, a credibilidade est\u00e1 voltando. Os pr\u00eamios de riscos do pa\u00eds ca\u00edram, as portas do mercado internacional de cr\u00e9dito se reabriram \u00e0s empresas, o d\u00f3lar tem aliviado a infla\u00e7\u00e3o, a bolsa de valores est\u00e1 no maior n\u00edvel em 14 meses e, n\u00e3o muito distante, o Banco Central poder\u00e1 dar in\u00edcio ao corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, por sinal, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) manter\u00e1 a Selic em 14,25%, adotando um discurso ainda duro para mostrar ao mercado que n\u00e3o h\u00e1 leni\u00eancia no combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Quando Ilan Goldfajn assumiu o comando do BC, h\u00e1 quase dois meses, havia quase um consenso entre os especialistas de que os juros cairiam neste m\u00eas. Logo no primeiro discurso, Ilan empurrou as apostas para agosto. Agora, os investidores se dividem entre outubro e novembro para o in\u00edcio da redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica. H\u00e1, inclusive, quem acredite que a Selic s\u00f3 baixar\u00e1 a partir de 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso, no entender da equipe econ\u00f4mica, \u00e9 o mais claro exemplo de que o governo est\u00e1 conseguindo domar as expectativas. Sendo assim, \u00e9 um risco enorme ter reca\u00eddas populistas neste momento. Paci\u00eancia vale ouro. \u201cPode ter havido frustra\u00e7\u00e3o por parte do presidente Temer em adiar o an\u00fancio de medidas de est\u00edmulo \u00e0 economia. Mas ele entendeu que o tempo pol\u00edtico est\u00e1 distante da realidade do governo. Se ele tiver paci\u00eancia, colher\u00e1 muito mais louros \u00e0 frente do que se atropelar os fatos agora\u201d, afirma um t\u00e9cnico. \u201cA percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, pelo menos por ora, ele entendeu a li\u00e7\u00e3o\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ala pol\u00edtica do Pal\u00e1cio do Planalto acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel divulgar as medidas de est\u00edmulos que v\u00eam sendo preparadas pelo governo antes do prazo de 20 dias definido pelo presidente interino, Michel Temer. 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