{"id":2045,"date":"2016-07-19T06:30:33","date_gmt":"2016-07-19T09:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2045"},"modified":"2016-07-19T08:12:02","modified_gmt":"2016-07-19T11:12:02","slug":"temer-quer-que-banco-do-brasil-e-caixa-reduzam-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/temer-quer-que-banco-do-brasil-e-caixa-reduzam-juros\/","title":{"rendered":"Temer quer que Banco do Brasil e Caixa reduzam juros"},"content":{"rendered":"<p>Certo de que sair\u00e1 vitorioso no processo de impeachment de Dilma Rousseff no fim de agosto e de que o apoio popular a seu governo s\u00f3 tende a aumentar, o presidente interino, Michel Temer, n\u00e3o esconde a empolga\u00e7\u00e3o. Tanto que j\u00e1 passou a sinalizar a um grupo restrito de auxiliares a possibilidade de pavimentar uma poss\u00edvel candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2018. Mesmo que, publicamente, o peemedebista mantenha o discurso de que n\u00e3o ser\u00e1 candidato a sua pr\u00f3pria sucess\u00e3o, o sonho de estender a perman\u00eancia no Pal\u00e1cio do Planalto cresceu muito nos \u00faltimos dias, sustentado por pesquisas mostrando que mais da metade dos eleitores o preferem no comando do pa\u00eds e n\u00e3o a petista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vontade de pavimentar a candidatura em 2018 \u00e9 tamanha que Temer j\u00e1 pediu aos presidentes dos bancos p\u00fablicos, mais precisamente aos comandantes do Banco do Brasil e da Caixa Econ\u00f4mica Federal, que apresentem estudos para um poss\u00edvel movimento de baixa das taxas de juros cobradas nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito. A ordem \u00e9 agradar o grande p\u00fablico oferecendo uma contrapartida \u00e0s medidas duras que vir\u00e3o na \u00e1rea fiscal depois da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment, como o aumento de impostos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 o entendimento, dentro do Planalto, de que a redu\u00e7\u00e3o dos encargos cobrados por BB e Caixa pode ocorrer antes mesmo de o Banco Central come\u00e7ar a cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 14,25%, o que, nas expectativas do mercado, se dar\u00e1 a partir de outubro. A vis\u00e3o de Temer \u00e9 de que, nos \u00faltimos anos, os bancos p\u00fablicos aumentaram suas taxas muito al\u00e9m do arrocho promovido pelo Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), a ponto de cobrarem encargos mais altos que as maiores institui\u00e7\u00f5es privadas em v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos mais pr\u00f3ximos auxiliares do presidente interino mostra v\u00e1rias tabelas elaboradas pelo BC para comprovar a tese do que ele define como \u201cum certo exagero\u201d. No cheque especial, por exemplo, o Bradesco, com juros m\u00e9dios de 273,42% ao ano, cobra menos do que a Caixa, com 286,12%, e o Banco do Brasil, com 286,67%. No financiamento de autom\u00f3veis, as taxas do Santander (26,44% anuais) e do Ita\u00fa Unibanco (26,83%) s\u00e3o inferiores \u00e0s da Caixa (26,84%) e \u00e0s do BB (27,48%) Nessa linha, tamb\u00e9m o Bradesco (27,06%) cobra menos que o Banco do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Populismo<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o de Temer aos presidentes do BB e da Caixa e a toda a equipe econ\u00f4mica \u00e9 para criar boas not\u00edcias. Ele garante que nada ser\u00e1 feito de forma for\u00e7ada ou precipitada, para que o governo n\u00e3o seja tachado de populista. Esse filme, como lembra um t\u00e9cnico do Minist\u00e9rio da Fazenda, foi visto durante boa parte da administra\u00e7\u00e3o de Dilma e os resultados foram desastrosos. \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 falando em movimentos bruscos, sem estudos t\u00e9cnicos consistentes\u201d, afirma um assessor do presidente interino. \u201cDe in\u00edcio, ser\u00e3o ajustes pontuais, apenas para indicar que as coisas est\u00e3o menos ruins do que se imagina.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos mais conservadores dizem que este n\u00e3o \u00e9 o momento mais adequado para se tratar desse tema, sobretudo se for levado em considera\u00e7\u00e3o o hist\u00f3rico recente dos bancos p\u00fablicos, que foram usados por Dilma para as pedaladas fiscais, bases para o processo de impeachment da petista. Ressaltam ainda que, em 2012, a presidente afastada deu in\u00edcio a uma cruzada contra os juros altos e obrigou o BC e as institui\u00e7\u00f5es controladas pelo Tesouro Nacional a liderarem o movimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado, como todos sabem, foi mais infla\u00e7\u00e3o e uma onda sem precedentes de endividamento das fam\u00edlias, que minou o consumo e o Produto Interno Bruto (PIB). Meses depois, Caixa e BB, assim como o Banco Central, foram obrigados a recompor as taxas para evitar problemas futuros. H\u00e1 cr\u00e9ditos podres daquele per\u00edodo que os bancos p\u00fablicos carregam em seus balan\u00e7os at\u00e9 hoje. \u201cPortanto, entre o desejo de baixar juros e a realidade para que isso aconte\u00e7a h\u00e1 uma grande dist\u00e2ncia\u201d, frisa um integrante da equipe econ\u00f4mica. \u201cO melhor \u00e9 que os juros caiam naturalmente, o que n\u00e3o est\u00e1 longe de acontecer\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Atropelos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desejo de Temer de ver os juros ca\u00edrem \u00e9 tamanho, que ele n\u00e3o se furtou, nos \u00faltimos dias, de quebrar o protocolo e falar sobre o tema \u00e0s v\u00e9speras da reuni\u00e3o do Copom, que come\u00e7a hoje e termina amanh\u00e3. Em v\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, ele assinalou que pediria \u00e0 equipe econ\u00f4mica que tomasse medidas para reduzir o custo do dinheiro. Esse discurso ecoou no Banco Central, apesar de o comando da institui\u00e7\u00e3o classificar a posi\u00e7\u00e3o do presidente interino como sem import\u00e2ncia. Mas foi assim que come\u00e7ou a interven\u00e7\u00e3o de Dilma no BC durante a gest\u00e3o de Alexandre Tombini.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer \u00e9 uma raposa pol\u00edtica. Mas at\u00e9 os mais experientes l\u00edderes cometem erros, especialmente quando se deixam inebriar pelo desejo de poder e pelo excesso de confian\u00e7a. O fato de o ambiente estar menos pesado, com boa parte dos economistas vendo o PIB saindo do fundo do po\u00e7o, n\u00e3o significa que o governo pode acelerar os passos e atropelar o bom senso. O risco de jogar tudo pelos ares \u00e9 grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em vez de mirar os olhos para 2018, o peemedebista deve se fixar no presente. O Brasil vive uma das piores crises da hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 porque o mercado financeiro explode em otimismo, com o d\u00f3lar caindo e a bolsa subindo, que todos os problemas desapareceram. Ainda h\u00e1 um longo caminho a ser percorrido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A complac\u00eancia dos investidores com o governo \u00e9 perigosa. Bastar\u00e1 um sinal negativo do Congresso \u00e0s propostas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que visam o ajuste fiscal, para que o mundo desabe. E n\u00e3o haver\u00e1 juros baixos que deem jeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certo de que sair\u00e1 vitorioso no processo de impeachment de Dilma Rousseff no fim de agosto e de que o apoio popular a seu governo s\u00f3 tende a aumentar, o presidente interino, Michel Temer, n\u00e3o esconde a empolga\u00e7\u00e3o. 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