{"id":2010,"date":"2016-07-17T13:10:55","date_gmt":"2016-07-17T16:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2010"},"modified":"2016-07-17T16:38:56","modified_gmt":"2016-07-17T19:38:56","slug":"o-pos-impeachment","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-pos-impeachment\/","title":{"rendered":"O p\u00f3s-impeachment"},"content":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO E RODOLFO COSTA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A complac\u00eancia do mercado financeiro e dos empres\u00e1rios com o presidente interino, Michel Temer, tem data marcada para acabar. Assim que o Senado Federal votar o impeachment definitivo de Dilma Rousseff, as cobran\u00e7as v\u00e3o se agigantar para que o governo tire do papel projetos vitais para a recupera\u00e7\u00e3o da economia. Muitos reconhecem que o discurso dos \u00faltimos dois meses deu \u00e2nimo novo. Mas, diante de um tombo de quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) desde o fim de 2014, n\u00e3o h\u00e1 mais tempo a perder. \u00c9 preciso que propostas sejam enviadas e aprovadas pelo Congresso Nacional ainda no segundo semestre de 2016. O maior temor dos analistas \u00e9 de que a equipe econ\u00f4mica n\u00e3o consiga sensibilizar deputados e senadores a tomarem medidas amargas, como limitar o aumento de gastos, reformar a Previd\u00eancia Social e elevar impostos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os investidores n\u00e3o se contentar\u00e3o com pouco, reconhece Marcos Lisboa, presidente da escola de neg\u00f3cios Insper e um dos economistas mais ouvidos pelo governo. Ele ressalta que o mais prov\u00e1vel \u00e9 que Temer consiga apoio para aprovar, at\u00e9 dezembro, a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento das despesas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. Mas ser\u00e1 preciso ser mais ousado, como levar adiante o processo de mudan\u00e7as na Previd\u00eancia, inclusive com a desvincula\u00e7\u00e3o das aposentadorias do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Para ele, o Brasil j\u00e1 adiou demais esse debate. E o resultado pode ser medido pelo rombo assustador das contas p\u00fablicas. Entre 2014 e 2018, o buraco, sem levar em considera\u00e7\u00e3o os gastos com juros da d\u00edvida p\u00fablica, passar\u00e1 de R$ 500 bilh\u00f5es. Trata-se de um quadro inaceit\u00e1vel, reconhece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAs reformas necess\u00e1rias s\u00e3o profundas e a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o vir\u00e1 rapidamente. \u00c9 preciso saber se enfrentaremos essas quest\u00f5es ou n\u00e3o. Fizemos as escolhas erradas nos anos de 1970. O resultado de n\u00e3o enfrentar os problemas fiscais daquela \u00e9poca implicou na recess\u00e3o dos anos 1980\u201d, diz. Agora, se o pa\u00eds insistir em seguir pelo caminho mais f\u00e1cil, as consequ\u00eancias ser\u00e3o ainda mais dram\u00e1ticas. \u201cA d\u00edvida p\u00fablica, que caminha para 70% do PIB (Produto Interno Bruto), voltar\u00e1 a ficar insustent\u00e1vel e teremos infla\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da urg\u00eancia que se colocou no caminho de Temer, n\u00e3o se acredita que o esfor\u00e7o para botar um freio na gastan\u00e7a federal v\u00e1 muito al\u00e9m da PEC \u2014 n\u00e3o neste ano. A perspectiva \u00e9 de que temas mais pol\u00eamicos, como as reformas da Previd\u00eancia e trabalhista s\u00f3 comecem a ser apreciadas pelo Congresso a partir de fevereiro de 2017, ap\u00f3s a escolha da mesa diretora da C\u00e2mara e do Senado. Assim, o tempo pol\u00edtico do peemedebista encurtou demais. Al\u00e9m da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment, que concentra todas as energias do Pal\u00e1cio do Planalto, h\u00e1 o recesso branco de deputados e senadores, que sequer aprovaram o projeto da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (PLDO) do pr\u00f3ximo ano. Depois do afastamento definitivo de Dilma, o radar do Congresso estar\u00e1 voltado para as elei\u00e7\u00f5es municipais de outubro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse quadro tra\u00e7ado pelos especialistas, deve ser adicionado o processo de cassa\u00e7\u00e3o de Eduardo Cunha. Que ningu\u00e9m espere dias tranquilos. \u00c0 medida que o fim do mandato for se aproximando, a disposi\u00e7\u00e3o do deputado em fazer dela\u00e7\u00f5es e entregar os companheiros ser\u00e1 maior. O governo, inclusive, j\u00e1 escalou uma tropa de choque para convencer o antigo aliado a se conter. Para isso, o Planalto tamb\u00e9m conta com o apoio do novo presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, ao mesmo tempo em que tentar\u00e1 baixar a temperatura entre os parlamentares, promete colocar temas econ\u00f4micos do interesse do governo em vota\u00e7\u00e3o para mostrar aos donos do dinheiro que a agenda do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem prioridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais otimista, a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, projeta que a PEC que limita os gastos aprovada ainda em 2016 e os debates para a reforma da previd\u00eancia ser\u00e3o iniciados nas comiss\u00f5es da C\u00e2mara. Ela explica que existe uma tr\u00e9gua do mercado com o governo enquanto o afastamento de Dilma Rousseff n\u00e3o for votado. Entretanto, ap\u00f3s o fim desse processo, as cobran\u00e7as dos investidores e dos empres\u00e1rios para que medidas sejam tomadas aumentar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 13h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO E RODOLFO COSTA &nbsp; A complac\u00eancia do mercado financeiro e dos empres\u00e1rios com o presidente interino, Michel Temer, tem data marcada para acabar. 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