{"id":20041,"date":"2021-07-29T15:30:04","date_gmt":"2021-07-29T18:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=20041"},"modified":"2021-07-29T19:41:08","modified_gmt":"2021-07-29T22:41:08","slug":"rombo-das-contas-publicas-em-junho-e-pior-do-que-o-esperado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/rombo-das-contas-publicas-em-junho-e-pior-do-que-o-esperado\/","title":{"rendered":"Rombo das contas p\u00fablicas em junho \u00e9 pior do que o esperado"},"content":{"rendered":"<h2>ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2>As contas do governo federal encerraram junho com deficit prim\u00e1rio de R$ 73,6 bilh\u00f5es, conforme dados do Tesouro Nacional divulgados nesta quinta-feira (29\/07). O saldo foi pior do que o esperado pelo mercado para o resultado do governo central &#8212; que inclui Tesouro, Banco Central e Previd\u00eancia Social. Conforme dados do Prisma Fiscal, do Minist\u00e9rio da Economia, a mediana das expectativas dos agentes financeiros era de um deficit de R$ 56,9 bilh\u00f5es.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado negativo de junho \u00e9 o segundo pior da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Tesouro, iniciada em 1997, reflete a soma dos deficits de R$ 18,4 bilh\u00f5es, nas contas do Tesouro e do Banco Central, e de R$ 55,1 bilh\u00f5es, nas da Previd\u00eancia Social. Vale lembrar que o desequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas \u00e9 recorrente, pois as despesas do governo superam as receitas desde 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a junho de 2020, quando o governo postergou o recolhimento de tributos em meio a pandemia e ampliou os gastos no combate aos efeitos econ\u00f4micos da pandemia de covid-19 e registrou rombo de R$ 194,8 bilh\u00f5es, o dado teve melhora de 65,2% em termos reais (descontada a infla\u00e7\u00e3o) no resultado prim\u00e1rio. Na mesma base de compara\u00e7\u00e3o, a receita l\u00edquida cresceu 57% e a despesa encolheu 34,6%, ambos em termos reais, para R$ 110,5 bilh\u00f5es e R$ 184,1 bilh\u00f5es, respectivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, o aumento da arrecada\u00e7\u00e3o foi impulsionado pela retomada da atividade e a queda das despesas ocorreu, principalmente, pela redu\u00e7\u00e3o dos pagamentos de cr\u00e9ditos extraordin\u00e1rios e de apoio financeiro a estados e munic\u00edpios na compara\u00e7\u00e3o com junho do ano passado, &#8220;respectivamente,\u00a0-R$ 70,7 bilh\u00f5es e -R$ 21,3 bilh\u00f5es&#8221;. Outros itens destacados para explicar essa redu\u00e7\u00e3o dos gastos est\u00e3o relacionados \u00e0 antecipa\u00e7\u00e3o do pagamento de 13\u00ba das aposentadorias, na primeira metade do ano, e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos valores do aux\u00edlio emergencial pagos neste ano em compara\u00e7\u00e3o aos valores do benef\u00edcio no in\u00edcio do programa, de R$ 600.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No acumulado do primeiro semestre, o deficit prim\u00e1rio das contas do governo central somou R$ 53,7 bilh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de 88,4%, em termos reais, em rela\u00e7\u00e3o ao rombo de R$ 417,3 bilh\u00f5es contabilizado no mesmo per\u00edodo de 2020. Esse resultado reflete a diferen\u00e7a do superavit prim\u00e1rio do Tesouro Nacional, de R$ 105 bilh\u00f5es e dos deficits de R$ 291 milh\u00f5es, do Banco Central, e de R$ 158,4 bilh\u00f5es, da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, evitou fazer compara\u00e7\u00f5es com o resultado prim\u00e1rio de 2020, que apresentou os piores resultados da hist\u00f3ria por conta da pandemia, mas reconheceu que o saldo negativo de junho tamb\u00e9m foi muito ruim, apesar da melhora em rela\u00e7\u00e3o aos dados do ano passado. &#8221; As magnitudes das medidas envolvidas no combate \u00e0 covid-19 tem dificultado as compara\u00e7\u00f5es do resultado do Tesouro. Neste m\u00eas, em particular, estamos comparando um deficit forte com o maior deficit da hist\u00f3ria. N\u00e3o s\u00f3 temos um saldo negativo que \u00e9 pior do que o padr\u00e3o, como a base de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 muito depreciada para compara\u00e7\u00f5es pontuais&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o subsecretaria de Planejamento Estrat\u00e9gico da Pol\u00edtica Fiscal, Pedro Juc\u00e1 Maciel, a falta de reajustes salariais neste ano tem ajudado os \u00f3rg\u00e3os do governo federal cumprirem com folga os limites de gastos previstos na regra do teto &#8212; que limita o aumento\u00a0 das despesas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior &#8212; no primeiro semestre de 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bittencourt refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de o governo continuar respeitando as regras fiscais e defendeu o discurso da consolida\u00e7\u00e3o fiscal para reequilibrar as contas p\u00fablicas. Mas ao ser questionado sobre os riscos de um desequil\u00edbrio a partir do pr\u00f3ximo ano, j\u00e1 que o presidente Jair Bolsonaro sinalizou que pretende conceder reajuste aos servidores, o secret\u00e1rio do Tesouro evitou comentar sobre o assunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio do Tesouro considerou positivo a possibilidade de o governo reduzir o valor o rombo projetado na meta fiscal &#8220;para qualquer ano&#8221;, mas n\u00e3o confirmou uma iniciativa da pasta nesse sentido. &#8220;Sempre que pudermos alterar meta para melhor\u00e1-la, isso ser\u00e1 visto com bons olhos&#8221;, disse Bittencourt.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista em contas p\u00fablicas Fabio Klein, da Tend\u00eancias Consultoria, essa melhora dos resultados fiscais em 2021 em rela\u00e7\u00e3o aos dados de 2020, que foram um ponto fora da curva por conta da pandemia, n\u00e3o \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o. &#8220;Os dados ainda est\u00e3o muito confusos e h\u00e1 um componente inflacion\u00e1rio que est\u00e1 ajudando a melhorar as receitas e que n\u00e3o \u00e9 positivo, do ponto de vista estrutural. \u00c9 preciso um olhar mais detalhado para os n\u00fameros para poder comparar melhor&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O analista lembrou que a infla\u00e7\u00e3o que est\u00e1 corroendo o poder de compra do brasileiro est\u00e1 ajudando o governo a registrar uma receita com tributos maior que \u00e9 resultado dos reajustes de pre\u00e7os ao consumidor, principalmente. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m ajuda a melhorar a previs\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica bruta em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB), que est\u00e1 diminuindo porque o denominador, que \u00e9 o PIB nominal, est\u00e1 sendo corrigido para cima. Logo, uma base maior reduz a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida-PIB, o que \u00e9 um efeito cont\u00e1bil e que n\u00e3o necessariamente reflete uma maior austeridade do governo no combate ao aumento de despesas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A infla\u00e7\u00e3o explica, em grande parte, a surpresa no aumento da arrecada\u00e7\u00e3o federal, mas tamb\u00e9m ajuda a aumentar o PIB e, por conta disso, o pa\u00eds dever\u00e1 encerrar 2021 com um percentual ainda abaixo do registrado em 2019, que foi 20,8% do PIB&#8221;, alertou. Pelas estimativas de Klein, neste ano, a arrecada\u00e7\u00e3o federal &#8220;n\u00e3o deve chegar a 20% do PIB&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL As contas do governo federal encerraram junho com deficit prim\u00e1rio de R$ 73,6 bilh\u00f5es, conforme dados do Tesouro Nacional divulgados nesta quinta-feira (29\/07). O saldo foi pior do que o esperado pelo mercado para o resultado do governo central &#8212; que inclui Tesouro, Banco Central e Previd\u00eancia Social. 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