{"id":2004,"date":"2016-07-16T09:30:31","date_gmt":"2016-07-16T12:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=2004"},"modified":"2016-07-16T09:42:00","modified_gmt":"2016-07-16T12:42:00","slug":"coluna-no-correio-vida-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-vida-real\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Vida real"},"content":{"rendered":"<p>A destrui\u00e7\u00e3o do poder de compra das fam\u00edlias \u00e9 assustadora e est\u00e1 tirando o sono de empresas que produzem, sobretudo, para as classes C, D e E, de menor renda. Nem mesmo produtos essenciais, que sempre estiveram \u00e0 mesa dos brasileiros, t\u00eam escapado do or\u00e7amento curto. Consumidores que levavam para casa pelo menos um frango por semana, agora est\u00e3o comprando o produto a cada 15 dias e, mesmo assim, escolhem as embalagens com menor peso para caber no bolso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complicada, diz Aroldo Silva Amorim Filho, presidente da Bonasa Alimentos, com sede em Bras\u00edlia, que a empresa foi obrigada a antecipar o abate para que os frangos n\u00e3o engordassem tanto e n\u00e3o encalhassem nos postos de venda. \u201cTivemos que nos adaptar \u00e0 realidade do mercado\u201d, afirma. Ele destaca que, mesmo com a queda de pre\u00e7os do produto, est\u00e1 dif\u00edcil para os consumidores manterem h\u00e1bitos tradicionais. \u201cNunca vi uma situa\u00e7\u00e3o como essa\u201d, acrescenta. O consumo anual m\u00e9dio per capita de frango, de 43 quilos, j\u00e1 \u00e9 menor do que o observado em 2011, de 45 quilos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A crise est\u00e1 t\u00e3o pesada, ressalta S\u00e9rgio Ara\u00fajo, vice-presidente da Bonasa, que at\u00e9 os produtos direcionados \u00e0s classes de maior poder aquisitivo, como o peito de frango, v\u00eam registrando queda nas vendas. \u201cAs pessoas t\u00eam cortado tudo o que podem. Isso vale, inclusive, para aqueles que priorizam a alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel\u201d, emenda. Diante do consumo mais fraco, a empresa reduziu em 8% o total de funcion\u00e1rios dos quatro abatedouros espalhados pelo Distrito Federal, Goi\u00e1s e Tocantins. O quadro atual \u00e9 de 5 mil empregados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O recuo do consumo est\u00e1 sendo mais forte na Regi\u00e3o Nordeste, que, nos \u00faltimos anos, liderou a expans\u00e3o da demanda no pa\u00eds. A perversa combina\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o alta com desemprego pegou em cheio as fam\u00edlias menos favorecidas. O mais preocupante \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de melhora \u00e0 vista. E, mesmo que a economia mostre alguma rea\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses, o consumo demorar\u00e1 a mostrar for\u00e7a, devido ao elevado n\u00edvel de endividamento dos lares e \u00e0 demora para a recomposi\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, sempre o \u00faltimo a responder \u00e0 retomada da atividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tempestade perfeita<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para os executivos da Bonasa, o setor enfrenta \u201cuma tempestade perfeita\u201d. Al\u00e9m de o consumo estar em baixa, os custos de produ\u00e7\u00e3o aumentaram muito nos \u00faltimos meses, devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de oferta de farelo de milho e soja, que alimenta as aves. Como as cota\u00e7\u00f5es internacionais desses gr\u00e3os dispararam, os agricultores optaram por exportar. Resultado: a escassez no mercado dom\u00e9stico tornou os pre\u00e7os dos produtos proibitivos. \u201cNa m\u00e9dia, os custos aumentaram 63%\u201d, frisa o presidente da empresa. Mas n\u00e3o h\u00e1 como repassar nada aos consumidores. \u201cMuito pelo contr\u00e1rio. O quilo de frango, pr\u00f3ximo de R$ 3, est\u00e1 custando menos do que um quilo de cenoura, vendido por mais de R$ 7\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 de que a oferta de milho, principalmente, continue restrita, pois a chamada safrinha, que est\u00e1 sendo colhida, apresenta queda de 20%. Parte dessa situa\u00e7\u00e3o poderia ser resolvida se o governo tivesse feito estoques reguladores, mas os silos est\u00e3o vazios. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve preocupa\u00e7\u00e3o do setor privado em ampliar os armaz\u00e9ns para o ac\u00famulo do gr\u00e3o para tempos de oferta restrita. \u00c9 o retrato do despreparo do pa\u00eds para lidar com adversidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A salva\u00e7\u00e3o das empresas produtoras de frangos est\u00e1 nas exporta\u00e7\u00f5es, que, no primeiro semestre do ano, se aproveitaram do d\u00f3lar mais alto. Em m\u00e9dia, 30% do que saiu das f\u00e1bricas seguiram para o mercado internacional. Mas at\u00e9 essa v\u00e1lvula de escape est\u00e1 amea\u00e7ada, pois, com a queda das cota\u00e7\u00f5es da moeda norte-americana, as receitas d\u00e3o sinais de retra\u00e7\u00e3o. Independentemente das adversidades, a Bonasa, que fatura R$ 1 bilh\u00e3o por ano, n\u00e3o abrir\u00e1 m\u00e3o das vendas externas. Em um ano, passou de nove para 20 o n\u00famero de pa\u00edses para onde manda seus produtos. A meta \u00e9 ampliar essa rede para China, Coreia e Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com tantas adversidades, a torcida \u00e9 para que o governo de Michel Temer fa\u00e7a o dever de casa e permita que a economia volte a crescer. Isso passa por um ajuste fiscal consistente, que n\u00e3o combina com os gastos populistas que prevaleceram nos dois primeiros meses de gest\u00e3o do peemedebista. As empresas precisam de previsibilidade. Querem olhar para a frente e ter a certeza de que, se ampliarem a produ\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o para quem vender. Hoje, se est\u00e1 longe disso. A vis\u00e3o vai at\u00e9 agosto, quando se espera que o Senado aprove o impeachment definitivo de Dilma Rousseff. Esse curto prazismo \u00e9 uma praga para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 07h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A destrui\u00e7\u00e3o do poder de compra das fam\u00edlias \u00e9 assustadora e est\u00e1 tirando o sono de empresas que produzem, sobretudo, para as classes C, D e E, de menor renda. Nem mesmo produtos essenciais, que sempre estiveram \u00e0 mesa dos brasileiros, t\u00eam escapado do or\u00e7amento curto. 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